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Escola de Pais.NEE, mais que uma formação: uma filosofia de vida!

 

 

Kiss, kiss! Bang, bang!

celmira

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Escola de Pais.NEE no Faial (Açores)

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Para os Interessados/as mais uma Edição da Escola de Pais.nee, a décima! Desta vez como Formação de Formadores!

Kiss, Kiss! Bang, Bang!

Celmira Macedo

Escola de Pais.NEE premida nacionalmente como ES+

 

Cinco anos depois de implementada a primeira formação Escola de Pais.NEE em Bragança (2009), mais de 500 famílias foram já formadas com base neste Modelo. Formamos também mais de 100 formadores e, através do livro estão já envolvidas no projeto mais de 2000 pessoas.

Cinco anos depois de me terem dito que formar famílias era discriminá-las.

Cinco anos depois de muitas críticas de “Especialistas” na área, que se contorciam em atribuir-lhe caraterísticas que esta formação não tem, só porque se chamava “escola”. Sem terem o cuidado de perceber que não assenta numa visão reducionista de currículo e sim na partilha entre pares e nas necessidades e interesse das famílias que dela beneficiam.

Mais que uma formação, e Escola de Pais.NEE é uma filosofia de vida! E foi inovadora em Portugal! E não, não resultou de uma mente brilhante de algum grande teórico ou catedrático! Resultou minha mente, humilde e baça!

Às críticas respondo apenas assim: como todos os projetos inovadores, este também encerra as premissas de Arthur Schopenhauer, fazendo um paralelismo com as grandes verdades. Primeiro são ridicularizadas, depois, violentamente contestadas e finalmente aceites como evidentes.

E a evidência chegou.

No passado dia 21 de Janeiro, o projeto de Formação Parental – Escola de Pais.NEE  foi reconhecidos como projeto ES+, no âmbito da Conferência “Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social”, desenvolvida pelo Instituto de Empreendedorismo Social – Social Business School e pelo Instituto Padre António Vieira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A distinção visou sinalizar projetos e iniciativas a nível nacional e internacional com “Alto Potencial de Inovação e Impacto Social”.

Num total de 4466 projetos a nível nacional, somente 134 foram selecionados e eu fui a única empreendedora social a arrecadar dois prémios. Nada mau!

Estes projetos estão agora compilados num livro, que serve como uma plataforma de consulta para investidores, que vejam no empreendedorismo social uma oportunidade de mudar a sociedade através de um investimento de dimensão social.

Espero que o selo ES+ sirva para tornar evidente a necessidade de formar as famílias e replicar esta formação . Claro que do ponto de vista do empreendedorismo social que sirva então para cativar mais parceiros e investidores na disseminação da Escola de Pais.NEE por todo o país e além fronteiras.

Um abraço muito apertado a todas as famílias, com quem muito aprendi e aos profissionais formados por mim, ou os que através do livro têm vindo a dinamizar estas formações pelo país inteiro:

– Bragança (2009)

– Alfândega da Fé (2010)

– Mirandela (2011)

– Macedo de Cavaleiros (2012)

– Ilha Terceira (Açores) – Formação de Formadores (2012)

– Alentejo – Formação de Formadores (2013)

– ISCE Mangualde – Formação de Formadores (2012)

– ISCE Felgueiras – Formação de Formadores (2012-2014)

– Lousada mini Formação de Formadores (2014)

 

Próximas Formações:

Mogadouro (Fevereiro de 2015)

Ilha do Pico – Ações (Fevereiro 2015) – Formação de Formadores

 

Tem interesse em participar ou dinamizar esta formação, contacte: celmira.macedo@leque.pt

Tem Interesse em adquirir o livro contacte o geral@leque.pt

 

Kiss, Kiss! Bang, bang!

celmira

5 passos para ser um formador/a de sucesso

 

Já pensou porque é que os pais/mães têm alguma renitência em frequentar formações? Será que existem estratégias para os “prender” à formação que queremos que frequentem e entendemos como importante?  Eu acredito que sim! As dicas que apresento em seguida vão dirigidas aos formadores que queiram otimizar as suas competências como formadores de famílias e cuidadores de pessoas com Necessidades Especiais, no entanto, e como são muito abrangentes podem ser utilizadas em qualquer formação.

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Primeiro Passo: Cative

O início da formação é determinante no efeito a ter nos formandos/as, pelo que se recomenda dar particular atenção à primeira sessão. O segredo da conquista dos formandos/as, à laia do que foi escrito no eterno livro de Antoine de Saint-Exupery (2008), O Princepezinho, é cativar. Os formandos/as têm de ser cativados desde o primeiro dia. Devem sentir que dia após dia cada sessão será igualmente interessante e desafiadora. Logo na primeira sessão deve ser estabelecido, em conjunto, um compromisso de frequência, bem como se devem dar a conhecer a estrutura da formação e regras a seguir.

Quanto ao formador/a, é importante que seja uma pessoa empática, simples, com sentido de humor, com capacidade de comunicar e sobretudo de ouvir. Os formandos/as devem sentir que são ouvidos e compreendidos, sem culpas ou acusações. Nenhum formador/a terá a capacidade de passar uma mensagem positiva e normalizante das pessoas com necessidades especiais, se ele próprio não acreditar nisso – este será seguramente o primeiro percurso de um formador/a na Escola de Pais.nee.

O mesmo se refere à aplicação do Programa de Educação Emocional. O formador deve, no momento da formação, dominar esta área e estar bem consigo próprio, ou seja apresentar-se estruturado ao nível emocional, pois no decorrer da formação, existirão momentos que sendo dolorosos para as famílias, requerem do formador um grande domínio e gestão emocional, nomeadamente quando se falar do impacto do diagnóstico e das questões do luto. Certos de que esta imersão ao mundo da família trará ao formador muitos ganhos, enquanto pessoa e enquanto cidadão.

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Segundo Passo: Avalie!

No sentido de dar credibilidade á sua formação avalie! Deve definir logo no inicio da formação, quais as melhores formas de avaliação e respetivos instrumentos. O mesmo se refere às atividades, muitas resultam com um grupo, mas nem sempre são eficazes com outro.  mediante as especificidades encontradas no conjunto de indivíduos que frequentam a escola e que define o seu todo. Será este ajuste que ditará o sucesso de cada formação, em cada contexto específico.

 

Terceiro Passo: Faça uma boa gestão do tempo e do espaço

Deve ser escolhido um lugar que assegure a privacidade dos formandos/as. Estes devem sentir-se livres de expressar as suas ideias, sem distratores e sem serem interrompidos. As cadeiras devem ser cómodas. A disposição das mesas e cadeiras deve ser circular, pois assim oferece igual importância a todos os elementos, incluindo o formador/a. Ninguém está em vantagem, na formação estão todos no mesmo patamar. Esta colocação também facilita que as discussões sejam mais francas, mais abertas, porque cada pessoa pode facilmente ver o outro. Se o local não permitir a colocação circular das mesas, deverão ser colocadas em forma semi-circular. É muito importante que os formandos/as possam ver-se uns aos outros.

A hora deve ser a mais conveniente para os pais/mães e para o formador/a. As sessões à noite ou em horário pós laboral, são as mais convenientes. Sugerimos o horário entre as 18h30 e as 21h30, uma vez por semana. Assim os pais/mães terão tempo para refletir sobre as suas próprias necessidades e também para aplicar algumas estratégias sugeridas. A experiência indica-nos que os formandos/as manifestam dificuldades em sistematizar algumas ideias se foram tratadas demasiado rápido, por isso, mesmo que as atividades estejam programadas, o importante é que haja tempo para a reflexão e partilha entre todos.

A formação deve decorrer ininterruptamente durante os seis meses, ou seja, não aconselhamos interrupções superiores a duas semanas, primeiro, porque se perde o ritmo, depois, porque os pais/mães terão mais dificuldade em reajustar a formação na rotina familiar. O período ideal para a realização da formação será iniciar, por exemplo, em Janeiro para terminar em Julho.

 

Quarto Passo:Tenha em atenção o tamanho do grupo

Os benefícios do programa de formação parental são maiores quando cada formando pode fazer perguntas sobre o conteúdo; participar nos exercícios e no treino das habilidades; sintetizar o que aprendeu e o que se pensa fazer; partilhar as suas dúvidas e os seus problemas. Para que isto seja possível é sempre necessário gerir o tempo da formação, portanto os grupos devem estar limitados a 20 elementos.

 

Quinto Passo: Aposte na partilha entre pares

Deve-se lembrar aos formandos/as que o seu contributo é sempre válido, não existem respostas erradas, todas estão de acordo com o objectivo traçado, que é partilhar. Assim como, a exposição dos seus problemas na discussão de grupo, não é sinal de incapacidade como pai: pelo contrário, indica o desejo de melhorar e a vontade expressa de aprender. É importante que se enfatize que os temas tratados na Escola de Pais.nee se baseiam nos problemas típicos, com que se confrontam a maioria dos pais/mães.

 

Foi útil? Espero que sim!

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

 

 


Nota/  Informação retirada do Livro: “Escola de Pais.NEE- Guia de Formação Parental no âmbito das NEE” (Macedo, 2012) Edições Pedago. À venda na Associação Leque.

O que pensa Fernanda Freitas do livro “Escola de Pais.nee”

Fernanda Freitas, uma querida amiga e autora o prefácio do livro “Escola de Pais. NEE – Guia de formação parental no âmbito das Necessidades Educativas Especiais,  deixa aqui a sua opinião sobre o livro, e sobre a sua vivência com um irmão com Paralisia Cerebral.

“Todos diferentes, todos iguais”, porque todos temos igual direito a sermos diferentes. Mesmo perante as barreiras que a vida nos coloca à frente, a nossa maneira de os ultrapassar é sempre assim: nossa… individual… diferente.

O trabalho notável levado a cabo pela LEQUE tem vindo a sublinhar o valor
da diferença.Desde que conheci a Associação, no Ano Europeu do Voluntariado,
senti que há uma força motivadora e mobilizadora em prol de todos
os que (direta ou indiretamente) usufruem deste espírito de verdadeira
comunhão. Este livro é mais um elemento da família”.

Fernanda Freitas

Kiss. kiss. Bang, Bang!
celmira

Escola de Pais.NEE: A surpreeendente verdade sobre formação e eficácia parental

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Qual será o papel da formação na eficácia parental? É uma realidade ou utopia? Bem, vou contar-vos a minha experiência e vocês dão a resposta.

Em Portugal são ainda escassos os programas de Formação Parental devidamente estruturados. A literatura neste campo leva-nos até Thomas Gordon (1970), autor de um dos primeiros e mais conhecidos programas de Formação Parental. Gordon imortalizou a expressão que acabei por adotar neste Blogue“Parents are blamed but not trained” (Os pais são culpabilizados, mas não treinados).

Gordon pretendia fazer chegar a mensagem de que, muitas vezes, se atribuía aos pais/mães a responsabilidade pelas problemáticas dos filhos/as, quando, na verdade, nada era feito para os apoiar nessa tarefa. Defendia, assim, o treino de competências parentais como forma de colmatar problemas identificados na família.

Quis seguir as premissas de Gordon e iniciei em 2000  a caminhada da formação parental, altura em que comecei a desenvolver uma relação de proximidade com famílias de Pessoas com Necessidades Especiais (deficiência ou incapacidade, como preferirem dizer, mas não se esqueçam que a deficiência não define a essência humana, logo, a pessoa vem sempre primeiro), em contexto profissional e pessoal.

Na última década acompanhei inúmeras famílias, vivi com elas a sua luta, as suas necessidades, as dificuldades,  as lágrimas, mas também as alegrias por que passam no quotidiano. Percebi que, muitas vezes, mais do que outro motivo qualquer, a falta de (in)formação sobre a nova fase das suas vidas (que identifico aqui momento do conhecimento do diagnóstico), funciona como uma barreira  ao seu bem-estar físico, social e emocional. Por este motivo, e no âmbito da minha tese de doutoramento, construí, aquele que viria a ser o primeiro Programa de Formação Parental em Portugal, específico para esta população.

A inovação deste programa assenta, quer no público-alvo a quem se destina, quer nas áreas curriculares que desenvolve:

  • I. Educação para a diferença (desconstrução de mitos associados a esta população);
  • II. Educação emocional (programa de educação emocional que pretende trabalhar o luto e a gestão emocional positiva dos cuidadores/as);
  • III. Educação parental (reforço de estratégias para uma parentalidade positiva).

Em 2008 implementei o primeiro curso de formação parental “Escola de Pais.nee”, com um grupo de 20 formandos/as em Bragança. Até hoje, já foram “formados” mais de 300 pais/mães/cuidadores/as, de todo o país, com comprovados resultados positivos do ponto de vista científico (aumento das competências parentais, da autoestima, no nível de esperança, das competências emocionais, sociais e educativas …).

Apesar de se denominar “Escola de Pais.nee” este curso de formação, não assume uma visão reducionista do currículo, numa perspetiva tradicional de ensino. Pelo contrário, edifica-se numa vertente assente na partilha entre pares, reflexão e debate de temas importantes para esta população.

O resultado desta experiência enriquecedora, traduz-se agora num livro. O “Escola de Pais.nee – Guia de formação parental no âmbito das necessidades especiais”, é um guia para quem necessita de formação extra para lidar com a diferença, a nível pessoal, social e profissional.

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Atenção! Este livro não é uma obra literária, tampouco sou uma escritora credenciada, apenas quis partilhar este saber.

 Acredito porém, que possa ser um recurso importante, tanto para as famílias como para os técnicos e sobretudo para a comunidade, pois edifica-se em dois pilares essenciais: primeiro, dá a conhecer o percurso das famílias desde o diagnóstico, analisando todos os factores que de alguma forma facilitam ou condicionam a aceitação ao longo da vida. Segundo, mostra aos pais/mães que é possível reestruturarem-se emocionalmente, sobretudo através da formação, da frequência de grupos de ajuda de pais/mães para pais/mães e da criação de redes na comunidade.

Voltemos à questão inicial: a formação tem o poder de promover a eficácia das famílias? Na verdade, desconheço  se todas as formações terão este efeito, posso apenas ter como prova esta, que cientificamente falando, promoveu uma verdadeira capacitação familiar. Após esta formação, centenas de famílias uniram-se para a criação de respostas sociais no interior norte, numa área parca em recursos. Assim nasceu a Associação LEQUE  em Alfândega da Fé.

A reflexão sobre o impacto positivo desta formação, foi o mote para a vontade de partilhar com a comunidade esta experiência, para que outras famílias pudessem ter acesso a esta (in)formação.

Nunca se esqueçam que pessoas (in)formadas e pró-ativas são uma poderosa arma de pressão política e comunitária: uma sociedade muda, nada muda!

Quer saber mais?

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias, mas pode encomendá-lo através do geral@leque.pt, aqui as receitas revertem integralmente para  a Associação.

Kiss, kiss… Bang, Bang!

celmira