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Namore com uma pessoa que te conquiste todos os dias… (por Jéssica Pellegrini)

 

Namore com uma pessoa que saiba o que quer.

Namore com uma pessoa que deixou o passado para trás, que planeia um futuro ao seu lado. Namore com uma pessoa que não tenha dúvidas. Que seja presente, e nunca ausente. Uma pessoa que te conforte, te oriente e te apoie. Namore com uma pessoa que não tenha desculpas, apenas em pedidos de arrependimentos ou erros. Com uma pessoa que te faça sorrir constantemente. Namore com uma pessoa que também tenha te escolhido, que se entregue intensamente e não meça limites para te agradar. Namore com uma pessoa que não tenha vergonha ou medo de demonstrar os sentimentos. Com uma pessoa que você possa confiar, contar e desabafar. Namore com uma pessoa que desperte o melhor de você, mesmo sem querer. Namore com uma pessoa que te conquiste todos os dias.

Namore com uma pessoa que te causa insónia, ou quem sabe, que te passa segurança o suficiente para você dormir profundamente. Namore com uma pessoa que te coloque em primeiro plano, e em todos os próximos. Namore com uma pessoa que seja gentil, e que não perca o equilíbrio em situações extremas. Namore com uma pessoa que te assuma, sem receios, que não te esconda, nunca. Namore com uma pessoa que tenha coragem para enfrentar os imprevistos da vida, que não vai soltar a tua mão em momentos difíceis. Namore com uma pessoa que não desista, que insista e persista. Com uma pessoa que te espere, e não te apresse. Namore com uma pessoa que te faça perder a noção do tempo, com uma pessoa que te causa arrepios. Namore com alguém que sinta a sua falta. Com uma pessoa que, no silêncio, te saiba escutar.

Namore com uma pessoa que leve café da manhã na cama. Com uma pessoa que prepare surpresas inesperadas. Namore com uma pessoa que te mande várias mensagens durante o dia, e ainda te ligue nos intervalos. Namore com uma pessoa que ao invés de te cobrar, queira ser o seu cúmplice. Namore com uma pessoa que seja companheiro e amigo. Namore com uma pessoa que te preencha com mais certezas do que perguntas. Namore com uma pessoa que transforme sonhos em realidade. Namore com uma pessoa que chegue mais vezes e não suporte despedidas. Namore com uma pessoa que sinta saudade, que faça cafuné. Namore com uma pessoa que não deixe nada para depois, que faça acontecer agora. Namore com uma pessoa que sinta orgulho de você, e que te incentive a ser ainda mais admirável. Namore com uma pessoa que desapegue do telemóvel quando está contigo, que viva no mundo real. Namore com uma pessoa que te inspire, que te faça cantar pelos cantos ou desenhar corações no vidro embaçado.

Namore com uma pessoa que você esteja apaixonado, e que mantenha essa chama sempre acesa. Namore com uma pessoa que você gosta do beijo, do toque e do cheiro. Namore com uma pessoa que te olhe de dentro para fora, e saiba, sem hesitar, que só existe você e ninguém mais. Namore com alguém que planeia um casamento, que queira ter filhos e animais de estimação. Namore com alguém que te faça olhar para trás, e esteja disposto a organizar todo o seu quarto bagunçado. Namore com uma pessoa que vai conhecer os seus parentes e se tornar a sua família. Namore com uma pessoa que troque o aluguer por casa própria. Que jogue fora a cama de solteiro e compre um jogo de casal. Namore com alguém que se preocupe e te cuide.

Namore com uma pessoa que você agradeça com olhos lacrimejados, por depois de tantos equívocos, ter colocado sentido na sua busca incessante por um relacionamento ideal. E finalmente, ter feito todos os primeiros pedaços de bolo se tornarem a sua dieta mais saudável: de amor, carinho e respeito, em apenas uma pessoa.

No caso, amor, é você.

Escrito por Jéssica Pellegrini

 


 

Kiss, kiss. Bang, Bang!

celmira

Acorrentando nos desabafos e memórias do amor

 

E cá estou eu novamente acorrentando os meus desabafos e memórias em volta da palavra amor.

A verdade é que sem amor, nada existe. Seja um movimento, seja um desejo, seja uma desilusão. O amor é mesmo a corrente da vida. Há alturas em que vivemos desajeitados numa espécie de pseudo-valsa do amor.

Contrariamos os nossos desejos, deixando assim os ponteiros do relógio, que trazemos diariamente preso ao pulso, baterem sem fé, sem motivação, sem impulso!

Mudamos drasticamente de vinil, de estilo, de gostos… e tudo porque ainda não percebemos que o mundo só nos retribui o amor quando nós próprios sentirmos e formos o nosso maior amor.

Não valendo a pena mudarmos apenas para agradar à opinião alheia. Olhar para o espelho, no frio da madrugada e conseguir sorrir. Sair porta fora e conseguir libertar um sorriso entre seres passageiros e desconhecidos. Isto sim, é a base do amor.

Ao longo desta caminhada, a vida é sem dúvida a Reitora desta faculdade que é a alma.

Não vale a pena procurar com pressas o que mais desejas. Não vale a pena incutires tudo o que sonhas no ser humano que desperta um formigueiro em ti. Não vale a pena pensar demais. Não vale a pena, viver do passado. Vale sim a pena, perceberes que a vida é linda, é a tua maior luz! Vale sim a pena perceber que o teu amor, só irá aparecer quando tu amares a vida e simultaneamente a tua alma.

O amor é uma estrada sem fim! Amem-se! Um novo ano começou, comecem vocês também… de novo!

dd
Rui Manuel Ferreira – 3 Janeiro 2015

 Foto: Rui Manuel Ferreira


 

Lindo Rui ❤

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Hoje acordei com os lábios gelados…

 

Hoje,

acordei com os lábios gelados devido à brisa do mar….
Olhei para o lado e mesmo sem estares aqui, vi o teu sorriso e senti a tua forma dócil à qual me tinhas habituado.Olhos melosos, hálito normal de um gajo que acabara de acordar.

Os segundos passaram e os meus lábios repentinamente ficaram tão dóceis que pareciam irmãos do mesmo caramelo que tu colocavas nas panquecas dos pequenos-almoços de fim-de-semana.

Reparei que a televisão ficou ligado a noite toda! Ligada ao disco multimédia, na pasta “Viagens nossas pelo mundo”. Mal direcionei a vista para o LCD, lá estavas tu. Natal de 2010, entre as ruas de Paris. Ao teu estilo único, a tua alegria de viver acompanhava o teu trautear da música “La vie en rose – Edith Piaf”. Ao olhar para isto, recordo-me do que nos aconteceu a seguir. Lembras-te?! Perdidos no metro fomos dar a um beco de uma rua encadeada apenas por um único candeeiro. Não me esqueço daquele beijo mágico que os meus lábios sentiram nessa mesma rua acompanhado pelos primeiros flocos de neve Parisienses daquele ano.

Minha menina, adormeço na saudade e acordo na esperança de te voltar a abraçar! Mesmo estando eu a milhões de passos de mar, todos os dias acordo com os lábios gelados devido à brisa do mar. E sabes porquê? Porque foi junto a esse mar que os nossos olhares sucumbiram as almas e essas mesmas prometeram um verdadeiro amor que só nós conseguimos entender.

Custa-me olhar para fora e ver campos secos, dias escuros…. Mas cá dentro, as paredes, a TV, as molduras e os candeeiros são os mesmos que tanto guarda de nós!

Sabes do que tenho ainda mais saudades?

É de te ver adormecer no meu peito, enquanto eu termino mais uma página de um dos capítulos que um dia eternizará a nossa história!

Rui Manuel Ferreira

 

Foto: Rui Manuel Ferreira

 

 

Kiss, Kiss. Bang, Bang!

celmira

 

Gritos de amor por Rui Ferreira

 

Há amores e amores!

Falar de amor, essa pequena palavra de apenas 4 caracteres, é talvez um dos maiores desafios que senti até aos dias de hoje…Até que a tinta se solte pelas folhas soltas, que mais parecem oceanos por navegar, há um misto de memórias, sonhos e batimentos acelerados na corrente da força de um só remo.

O relógio que trago agarrado diariamente ao pulso, não tem corda…. Os segundos são absorvidos tal e qual como a velocidade da luz. Aprendi a dizer a palavra amar, de uma maneira que será talvez o amor mais profundo e eterno que qualquer ser humano poderá ter na sua passagem.

Há amores e amores tal e qual como os jardins.

Comparo o nascimento de um amor ao vazio de um terreno baldio independentemente dos seus hectares avistados ao início. O amor nasce, cresce, reproduz-se e morre! Tal como nós, habitantes passageiros do chão que pisamos diariamente. Somos nós os remos da nossa corrente, as coordenadas da nossa fé e a ambição do nosso ego! No amor o sistema é o mesmo.

Recordo-me de amores antigos, onde o primeiro amo-te foi acompanhado de um beijinho na bochecha, uma flor “roubada” de matreiro, do jardim de uma antiga vizinha, e uma parede da escola primária cravada a giz colorido com um “gosto de ti”.

Sonhos de criança, mãos entrelaçadas, escritos nas cadernetas de escola e dedo a premir o mesmo número até ouvir o primeiro toque. Palavras escritas de formas tão diferentes, as primeiras desilusões de amor após juras eternas de amor.

O tempo passa tão rápida, que vamos absorvendo toda a essência que a atmosfera nos proporciona, os pensamentos enviados para o Universo. Vamos ganhando barba na cara, simbolizando esse marco histórico como sinal de avanços nas relações ligada à palavra amor.

A primeira vez, as velas espalhadas pelo chão do quarto emprestado, do amigo de liceu que já mora sozinho, o nervosismo, o cd em modo repeat logo na primeira faixa a rodar no discman da altura. E uma vez mais, as juras de amor, as promessas, os medos e os ciúmes. Ai os ciúmes, uma mistura de bons e maus sentimentos. O olhar contínuo para o nokia 3310, na ensiedade de receber uma mensagem ou um simples toque, simbolizando essas atitudes atos de respeito.

Chega ao dia, em que acordas e a palavra “acabou” invade, a tua jura de amor. E no dia a seguir, lá vais tu ao toque da campainha do liceu para mais uma aula das 8h30mn, que retrata mais um dia de liceu, convívio e sedução.

O mais engraçado é que o amor é nada mais que o gémeo de outro amor que nos acompanha eternamente. É nesse amor que falamos, aprendemos, desabafamos e choramos o outro amor. Esse amor, ai esse amor… O medo que chegue o dia de esse amor não ser mais palpável… O medo!

Crescemos, sofremos, rimos, choramos! E numa volta ao novo astral, já noutro local distante, voltamos a cruzar o olhar e desconfiados, tendemos a contrariar a vontade imediata no intercalar de olhares severos e crús no meio da avenida. Continuamos a dar os nossos passos, deixando o pensamento preso na calçada 20 metros atrás!

E no dia a seguir, à mesma hora o coração palpita, as pálpebras despertam e o olhar congela. Lá vai ela! Recuas e os 20 metros de ontem, voltam a ser percorridos, sentido o cheiro da vitória de mais uma maratona que mais parece de 2000 metros.

O amor acontece entre chávenas patenteados no café que diariamente te acompanha na calçada que pisas, entre registos em modo automático no parque que ao final do dia, outrora, foi o teu melhor amigo.

Dás por ti sentado, no banco gelado,junto ao rio Fervença, contando as horas até ao teu regresso à residência. O toque intercalado e congelado dos teus lábios crivados nos lábio dela. E mais uma vez, uma jura de amor!

Se o amor fosse um relógio, as relações seriam meros ponteiros que apenas registavam os segundos. Cresces, tornas-te independente e juras a ti mesmo não voltares a prender-te a ninguém. Mas o amor é uma doença para qual não existe cura. Com o tempo voltas a sonhar, deixas de riscar os dias de namoro no calendário afixado na parede branca da cozinha, acabando por focar todas as comemorações apenas de ano em ano. Aprendes a amar, a aceitar e acima de tudo a descobrir que o amor é muito mais que amar. A distância torna-se de melhor amiga a amiga do diabo. Pois é! E naquele mesmo oceano que há uns anos atrás olhavas para ele e sentias a enorme vontade de remar, agora apenas queres observar.

O amor é cego e ao mesmo tempo é amigo do melhor oftalmologista que poderá existir no universo. Perdes a fé, a vontade de sonhar, a vontade de querer….

Aprendes que por maior que seja o oceano, o estado de espírito da tua alma é sem dúvida a maior inspiração que podes ter para enfrentar tempestades e marés. O mesmo oceano, que todos os dias possui a mesma cor, poderá ganhar outro sentido, poderá ganhar outra dimensão… E quando isso acontece o outro amor, gémeo, aparece e ,bem junto a ti,diz-te baixinho: “Amar é viver, viver é sonhar e sonhar é acreditar”.

Rui Manuel Ferreira – 16 Dezembro 2014
Obrigado Celmira!

 

Rui, eu é que agradeço a partilha!

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

O calvário dos parceiros – 2º Episódio da Crónica de um Grávido

 

O calvário dos parceiros, que para além da preocupação com a gravidez têm de suportar a portadora, ainda não foi descrito em voz alta em linguagem corrente, tipo simplex, para que os futuros pais possam ter de antemão uma ideia daquilo que os espera. É sem dúvida essa a causa de atualmente termos uma população masculina traumatizada a nível mundial que sofre em silêncio antes de, instintivamente, guardar essas lembranças no mais profundo recôndito da mente onde ficam votadas a um esquecimento quase perpétuo, abafadas pelas alegrias inarráveis que vêm depois com o rebentinho. 

O motivo para a ausência de informação apresentada do ponto de vista masculino, é sem dúvida alguma o medo, ou mais precisamente o pavor, de antagonizar uma pessoa com as hormonas tão baralhadas a ponto de não se poder tocar nem para tirar um cabelo da blusa sem correr o risco de um olhar irritadamente censurador acompanhado de uma pergunta retórica à qual jamais se deve dar resposta, tipo “Estorvava-te o cabelo? Que atencioso estás hoje, hã?!”

E assim decorrem os dias, semanas, meses, anos e séculos, e a população masculina não passa da cepa torta, dando razão ao ditado “O homem é o único animal que tropeça duas vezes na mesma pedra”.

 Mas, CHEGA!! Quero que saibam o que espera os futuros pais se deixarem “cair a semente em terreno fértil”. E espero sinceramente que este relato sem um grama de ficção nem dramatismo hollywoodesco não vá contribuir para um decréscimo na taxa de natalidade, já de si pouco famosa neste país, mas sim para uma convivência mais harmoniosa entre grávidas e grávidos.

 Uso a palavra “grávido” sem qualquer hesitação porque, há vários tipos de gravidez tanto nos seres humanos como nos animais, incluindo gravidez física e gravidez psicológica. E está provado que alterações no apetite, aumento ou diminuição de peso e até alterações hormonais não são monopólio das grávidas que no seu ventre têm um feto. 

Bom, voltando à tal história…, talvez tenha início no dia em que eu e a Zi,  mulher sexy e resmungona com quem vivo há já alguns anos, em pecado, segundo repreende a sogra (e umas quantas almas penadas que parecem ansiosas por ir a uma boda), fomos visitar os meus compadres São e Delfim, que são meus compadres porque quase no final da adolescência da São (o Delfim já era macaco velho e tinha mais horas de voo do que o capitão de um Airbus) andaram na malandragem nas muralhas do castelo de Bragança e quando o fruto da brincadeira nasceu, tiveram o bom senso de me convidar para padrinho da criatura.

Mas como dizia, no dia em que os fomos visitar, a Zi estava um pouco enjoada, e mal chegou à cozinha começou a torcer o nariz dizendo que não aguentava o cheiro e que havia já alguns dias que o cheiro da comida a incomodava… que já não aguentava o fumo do cigarro… e que tinha que ir ao médico ver o que se passava.

A nossa amiga São com a apurada diplomacia que a caracteriza exclamou “Ó rapariga, tu estás grávida!”

Mas se isso é o início da história, então falta o prólogo. E o prólogo tem de ser aquela noite no final de Agosto, em que voltei de Portugal após umas semanas de férias, e como o nosso apartamento estava em obras, eu e a Zi ficámos em casa da mãe dela. Então não é que nessa noite fizemos os possíveis por destruir a cama alheia, abanando-a freneticamente até cerca das 3 da manhã?!

As culpas de tão intensa actividade devem ser atribuídas ao jejum do mês de Agosto e em igual medida à pólvora diabólica que prepara a mãe dela, pois se o piri-piri normal é afrodisíaco, a mistela que ela prepara deve ser viagra concentrado, e dá a sensação que é administrado com lança-chamas.

 A verdade é que a possibilidade de a gravidez estar na origem da alergia aos cheiros que se vinha manifestando nos últimos dias, já me tinha passado pela cabeça, mas fora imediatamente afastada porque na minha opinião (e na de muitos outros ingénuos) essas coisas devem ser cuidadosamente planeadas e os nossos planos eram bem claros; depois de ela terminar a universidade, coisa que acontecera apenas alguns meses atrás (ainda nem sabia a data da cerimónia de entrega dos diplomas), teria de mudar de emprego e trabalhar full-time. Depois sim, podíamos pensar na descendência, ou como diz o meu amigo Bubbly “parar de disparar cartuchos de pólvora seca”.

 

E a História continua…

Rique Nunes (O Conde)

 


Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

 

Esquecer Alguém que se Ama? Mas eu não quero esquecer!

 

Precisamos de esquecer quem amamos? A não ser que esse sentimento seja altamente destrutível, nesse caso devemos, mas para os outros casos,  não. Porquê esquecer quem um dia nos fez um dia SER?!

Hoje, seria o aniversário de uma dessas pessoas, cuja importância na vida, se regista na alma, nas lembranças que doem e que fazem sorrir. Porque havia de querer esquecer o mimo, as histórias à lareira, a pele enrugada?! Porque havia de esquecer que contigo aprendi que, se formos educados com amor, aquele amor puro e doce de quem nos ama de verdade, de quem não se incomoda com as nossas imperfeições, só podemos ser gente de coração grande. Porque um amor puro como este tem um efeito multiplicador, de gerar ainda mais amor. E quando alguém parte, resta um sentimento agridoce de saudade, que no meu caso, renasce intensamente a cada manhã de nevoeiro do dia 8 de Dezembro.

Avó Conceição em tua homenagem, deixo este texto, que pode ser dedicado a todos/as aqueles/as que amam alguém que não querem esquecer, ou simplesmente querem esquecer a dor da saudade.

 

“Como é que se Esquece Alguém que se Ama?Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa – como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?

As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar.

Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e ações de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar.

A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo.

Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.

É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.

Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injeção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.

Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.

O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar”.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘Último Volume’

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira