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Em busca da autonomia na deficiência.

 

Uma das mais completas reportagens sobre a Associação Leque (Cortesia Patrícia Cancela – Porto Canal). Porque todos os dias são dias de ser solidário e de fazer o bem (de preferência bem feito)! E o fazer o bem, bem feito significa lutar todos os dias pela autonomia e autodeterminação destas pessoas. Sejam os pais/mães ou sejam os filhos/as.

 

Pela autonomia e Inclusão Social! Sempre!

 

 

 

Kiss, Kiss! Bang, bang!

celmira

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Busted Lux Woman / Nem sabia de havia de rir ou chorar, tal era a desregulação emocional.

 

Estava eu em franca recuperação, a tentar perceber entre as arritmias e o cansaço extremo, se o aparelhómetro que me enfiaram no coração se mantinha firme, quando recebo uma mensagem da Carla Macedo, Chefe de Redação da Revista LUX WOMAN. Não, infelizmente não somos família, a única coisa que nos une é uma recente amizade, fortalecida por uma empatia e cumplicidades raras. Bom,  perguntava-me a Carla, depois dos devidos cuidados com o meu estado de saúde, se podia fazer uma peça sobre mim para publicar na rubrica sobre Empreendedorismo Social.

Nem sabia se havia de rir ou chorar, tal era a desregulação emocional, que uma intervenção ao coração nos provoca. Acabei por fazer as duas coisas, nesse dia e no dia que li a revista!

Pelo segundo ano consecutivo, saio da LUX WOMAN com lugar de destaque entre milhares de mulheres, que como eu lutam por um mundo melhor. Agradeço todos os dias por isso. E a ti Carla, imenso, por este mimo tão grande, sobretudo porque desconstrói muitos mitos!

Amei ❤

 

 Lux Woman (Dezembro de 2014)

 

«Celmira Macedo, 42 anos, tem um sorriso contagiante. É impossível não sorrir também
de cada vez que falamos com ela. Celmira é daquelas pessoas que acolhem, mesmo sem ter os braços abertos, e tem os olhos muito grandes, porque a curiosidade é nela uma constante. Aliás, foi a curiosidade que a levou a fundar a Leque, uma associação sem fins lucrativos, em Alfândega da Fé, Trás-os-Montes, que trabalha com pessoas com deficiência e as suas famílias. Mas já lá vamos.

Primeiro, a curiosidade.
Celmira não consegue parar de estudar. É bacharel em Educação de Infância (1992) e
licenciada em Educação para a Primeira Infância (2002), tem uma Pós-Graduação/
Especialização em Educação Especial (2005) e um doutoramento em Educação para o
Educação Especial (2013) pela Universidade de Salamanca, em Espanha.

Nunca quis parar de saber mais sobre uma área que a emociona e a impressiona: a deficiência.

Ouvi-a dizer, uma vez: “Não é preciso ter para sentir.” É uma frase que repete para explicar o seu empenho e o seu envolvimento nesta área. A Leque nasceu da curiosidade
e da vontade de fazer, de mudar o mundo. Especificamente?

Em 2004, Celmira começava o seu doutoramento na Universidade de Salamanca porque, diz, achava que devia saber mais sobre a sua profissão e definia como terreno de trabalho a região onde vive. Descobriu que “as famílias de pessoas com deficiência, limitações ou incapacidades do distrito de Bragança apresentavam uma qualidade de vida deficitária; a falta de apoio das redes de suporte social era um problema limitador da sua qualidade de vida”.

Eram mais de mil. Foi nesta altura que o doutoramento teve de esperar, porque Celmira resolveu intervir. “Fui fazer a única coisa que podia fazer, que era capacitar as famílias para lidarem com as diversas deficiências. Fiz uma formação parental em 2009, sempre na perspetiva de capacitação dos pais, para as famílias poderem envolver-se e participar. Em 2009, fizemos a Escola de Pais NEE (Necessidades Educativas Especiais), primeiro com uma capacitação para a diferença, depois apliquei um programa para ultrapassar as frustrações e finalmente focá-mo-nos nas competências parentais. A meio  da formação, os pais quiseram formar a associação,para podermos apoiar-nos e apoiaroutras famílias”, explicou Celmira numa entrevista à RTP.

O que é que faz hoje a Leque? Em março de 2010, abriu em Alfândega da Fé um centro
de atendimento para 30 pessoas com necessidades especiais, onde não se internam nem se institucionalizam pessoas – a ideia é a de que os indivíduos com deficiência participem na vida das suas famílias e da sua comunidade.

Depois, em 2011, a Leque inaugurou o Centro de Férias de Turismo Rural
Inclusivo, uma colónia de férias destinada a aliviar as famílias de todo o País que cuidam de pessoas com deficiência. “Os pais e os cuidadores estão muitas vezes sobrecarregados. Agora, podem deixar os filhos connosco e terem também umas férias.” E, claro, a formação parental, que inclui as famílias nas terapêuticas, é essencial no trabalho da Leque, a ponto de o seu mais recente projeto ser o Leque for All, um programa a concurso para financiamento na Missão Sorriso, que pretende levar a metodologia de trabalho desta associação a vários pontos do País.

O financiamento constitui outra das características inovadoras da Leque. Em vez de esperar pelos apoios do Estado para conseguir o dinheiro necessário para as suas atividades, Celmira Macedo e a sua equipa procuram financiamento (e já o conseguiram) junto de entidades como o Montepio ou a Fundação EDP para projetos específicos e, claro, aceitam donativos de particulares e empresas.

Mas o financiamento não se fica por aqui. Aos serviços externos que os técnicos da Leque prestam à comunidade local, como a fisioterapia, junta-se o EUKI, a primeira linha de material lúdico-didático inclusivo em Portugal, que serve tanto para crianças com NEE como sem NEE.

Serve para todos!
Celmira, a presidente da Leque, é ali voluntária.

O seu salário vem da atividade como professora de educação especial, na escola pú-
blica, e docente no Mestrado de Educação Especial do Instituto Superior de Ciências Educativas de Felgueiras. A associação nunca foi vista pela sua fundadora como uma forma de conseguir dinheiro ou notoriedade, mas como um meio para mudar a vida das pessoas em que toca.

São vários os testemunhos de pais NEE que encontraram na Leque um porto de abrigo e força para continuar o seu caminho de cuidadores.

O mais emocionante, talvez, é o de Manuela Gomes, hoje vice-presidente
da Leque: “Conheci a Celmira antes da formação da associação. Juntas, formámos
a associação, e de então para cá, tem-me ajudado muito. O meu filho, Hélder, tem esclerose tuberosa [uma doença incapacitante] e quando fez 19 anos deixou de poder frequentar o ensino normal. Tentei colocá-lo numa instituição em Bragança, mas ninguém o aceitou. Não queria deixá-lo fechado em casa. Mudei-me para Alfândega da Fé com os meus dois filhos, para o Hélder frequentar a associação Leque, e ele evoluiu muito em termos de postura. Tenho a certeza de que foi um dos melhores anos da vida dele. Tornou-se uma pessoa muito feliz, começou a sorrir muito.” »

Carla Macedo – Chefe de Redação

Fonte: Revista Lux woman (Dezembro de 2014)

 

 

❤ Amei 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

Busted no Dia da MULHER! Que tinha eu feito para merecer tal destaque?

 

Em Dezembro de 2013, e por ocasião do DIA DA MULHER, o Programa Portugal em Direto (RTP1) homenageou 5 MULHERES a nível nacional. Aquelas que, segundo os critérios apresentados, mais se tinham destacado em várias áreas, desde a ciência à área social. Todos os dias passava um reportagem sobre as suas vidas e obra. Mais uma Vez fui surpreendida com um telefonema da delegação da RTP em Bragança. Eu, havia sido escolhida para fazer parte desse grupo de homenageadas. Fiquei sem palavras, que tinha eu feito para merecer tal destaque? Que responsabilidade! Naquele momento pensei na sorte que tinha de, em vida, ter sido reconhecida pelo meu trabalho.

Foi assim:

Programa Portugal em Directo (RTP) – Homenagem dia da Mulher  // Min. 20. 23 (http://www.rtp.pt/play/p1398/e146440/portugal-em-direto/342245)

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kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Fui premiada pela minha insanidade! VOLUNTÁRIOS: os insanos, os responsáveis e os outros!

 

“As pessoas loucas o suficiente para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam”. A frase é de Jack Kerouac, mas podia ser minha, pois devo fazer parte dessa gente insana. E melhor, ontem, fui premiada pela minha insanidade! Recebi o Troféu Português do Voluntariado 2014, que premia anualmente pessoas e instituições que se destacam na tarefa, de fazer o bem “bem-feito”, como diria a minha querida amiga Elza Chambel.

Por falar nisto, permitam-me que desabafe, novamente, o que me vai na alma sobre as questões do voluntariado. Desengane-se quem acha que se começa a receber prémios, e só depois se trabalha para isso. Esta cena até pode fazer parte do filme da vida de alguém, mas não faz parte da minha vida, com toda a certeza (infelizmente há quem pense assim, mas foi quem nunca fez nada pelos outros/as e nunca fará, pois FAZER dá muito trabalho e sobra pouco tempo para criticar quem faz!).

Podia tentar explicar porque me tornei voluntária, na verdade, não sei bem, mas vou começar pelos comentários, simpáticos, que às vezes oiço por aí…

  • Há quem diga que nasceu voluntário. Eu não (e se nasci, não me lembro).
  • Tão pouco quis fazer voluntariado para ter poder (se é que isto é possível…mas há gente para pensar em tudo, há que respeitar!).
  • Não foi com certeza para aparecer nas notícias (informo para quem não saiba: o único lugar onde o SUCESSO vem antes do TRABALHO é no dicionário, por favor consultem-no!!!).
  • Também não foi para passar uma imagem de boa pessoa (neste ponto sigo-me pela máxima de Desmomd Tutu: não somos amados por sermos bons, somos bons porque somos amados), e a este respeito pouco mais há a dizer!

De repente, e no meio dos projetos que desenvolvo, quase sem querer ou pensar, dei por mim a constituir uma Associação Leque e a ser voluntária (quase a tempo inteiro, tirando as horas do trabalho, claro!). Portanto, como se pode ver nada justifica o que faço hoje, a não ser a vontade extrema, apaixonada e quase insana de fazer aquilo que faço. Ponto final.

Com a experiência nesta área, ao longo destes anos, começo a descobrir várias faces do voluntariado:

  • Aquele que de forma responsável é exercido, e do qual sou testemunha todos os dias, um pouco por todo o lado (na Leque e em outras Associações/Instituições por esse país e mundo fora).
  • Aquele que nos faz perder o controlo da nossa vida e nos leva a dar mais do que se devia (o insano). No meu caso, e quando dei por mim fazia mais pelos outros do que por mim própria. Será esta uma forma saudável de voluntariado? Não é de certeza! Logo, não sou exemplo para ninguém. Socorro, alguém se enganou e me deu um prémio que, se calhar não mereço!
  • E o outro, eu chamo-lhe, voluntariado interesseiro. Aquele cujas expectativas se centram apenas em ter algo em troca. E quando falo em algo, é um retorno material. Já me perguntaram quanto se pagava a hora do voluntariado! Direitos e deveres os voluntários têm, agora que sejam pagos por isso, desconheço (perdoem-me a ignorância!)

O que alimenta o/a voluntário/a verdadeiro? Aquele que simplesmente (e este simplesmente tem muitas aspas), dá amor ao próximo e o seu tempo? No meu caso, cada vitória, cada projeto aprovado, cada material adquirido e espelhado no sorriso da Dona Leopoldina. Sem falar dos abraços da Vânia, do olhar do mãe do Gonçalo, da amizade da Manuela, do respeito do Sr. Magalhães… Ahhh o melhor anti-depressivo do mundo!

O olhar terno e doce de quem acolhe. Aquele abraço da pessoa a quem proporcionou um dia melhor. O reconhecimento pelo trabalho. O respeito pelo que desenvolve. SIM. Só e apenas isso! Acreditem que é tanto!

Fiquei de coração cheio ontem, e ao mesmo tempo triste. Não pude ir receber este prémio. A saúde ainda não permite, mas ainda bem, a emoção foi tanta à distância, imaginem, lá! Ainda me saía o “aparelhómetro do sitio (do sítio entenda-se, do coração)”.

O que importa é este reconhecimento, NACIONAL, por todas horas que não dei à minha família, aos meus amigos/os, a mim… Perdi muita coisa, dizem… Ninguém resiste a uma voluntária a tempo inteiro, mas valeu a pena!

Não, não recebi dinheiro, recebi MIMO escrito num papel, e um objeto ao lado carregado de mais MIMO, imagino que de acrílico, mas vale ouro! OBRIGADA a quem “me” viu…

Por tudo isto, dedico este prémio, que não é meu (é nosso) aos voluntários/as que comigo ergueram a Associação Leque. Um bem-haja também à minha equipa (e ex-equipas), meritórias no seu todo (com a falta de dinheiro para manter contratos é a terceira que tive de formar de raiz), ainda assim, têm lutado muito, merecem muito, mas são pagos para isso (mal pagos, mas são pagos!). Agradeço-lhes de coração!

E sobre esta questão, permitam-me um último desabafo. Oiço por esse  Portugal inteiro muita gente a receber louvores por projetos sociais que envolve. E bem! O importante é que se faça, não importa quem, nem onde é feito. Sou sincera quando digo que fico sempre feliz quando alguém FAZ!!! Mas… meus amigos quem o FAZ sem pagamento tem para mim um mérito redobrado.

Desculpem a sinceridade, mas penso assim.

Feliz dia queridos/as VOLUNTÁRIOS/AS, os insanos/as, os responsáveis e até os outros/as!

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira