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Cao ou caos?!!!

 

Um pouco por todo o país proliferam a uma velocidade quase galopante a construção e dinamização de Centros de Atividades Ocupacionais (CAO) para pessoas com deficiência ou incapacidades. Com maior facilidade legislativa, imperam no conforto,  de logo que se constituem, serem apoiados pela Segurança Social.

Nos normativos legais sustentados pela Segurança Social, refere-se que este tipo de respostas deve garantir o respeito pelo direitos das pessoas com deficiências e incapacidades e viabilizar a sua integração social e profissional. Para tal devem se criadas soluções de complementaridade ou de alternativa à situação familiar, que contribuam efectivamente para a sua autonomia, valorização pessoal e desenvolvimento das suas capacidades e potenciais. Desta forma, considera-se que a qualidade e a segurança das respostas seja um passo fundamental para a promoção de uma sociedade justa, desenvolvida e inclusa.

Coloco, na certeza de que me cairá o mundo em cima, a questão de um milhão de dólares: Será?

Centro-me no princípio da “promoção da sua autonomia, valorização pessoal e desenvolvimento das suas capacidades e potenciais”. Porque pelo que vejo e oiço, não me parece que alguns destes CAOs disponibilizem serviços promotores de integração e inclusão social dos seus frequentadores. Nem tão pouco percebo das suas práticas representações onde a inclusão social (e em alguns casos mais graves) o própio respeito pelos direitos humanos seja uma realidade! Ostracizadas em si mesmos, com modelos de atuação bafientos, descentradas da realidade atual das famílias e do real interesses das populações que servem.

O que será necessário para que estas organizações abram as portas à realidade (para deixar entrar e fazer sair valor?) . Sim porque a questão não é financeira, já que dinheiro não lhes falta, e se falta, nem me digam, porque não fazem a ideai do que é viver sem ele! Ah! já me esquecia, os valores não se pagam, ou seja nao têm preço e isto meus amigos/as é uma questão de valores!

Sim, porque para quem inova e apresenta respostas renovadas aos serviços das populações que delas precisam, o dinheiro não vai de certeza! Estas organizações, atípicas por sinal, fazem mais do que lhes é pedido, logo têm de ser castigadas por tamanha façanha! Vivam sem dinheiro para verem o que custa a vida!

E vivemos!

Não dentro de um de CAO. Vivemos sim num CAOS!

Acredito que num caos organizado, encurtado e desgastado de tanta luta por manter recursos humanos, rentabilizar os recursos da comunidade, criar redes e parceiros, abrir a porta da instituição aos verdadeiros problemas das famílias, tentando com elas encontrar soluções.

O caos está cá. Um CAO, não. E dinheiro fácil (permitam-me que lhe chame assim, pois não é suado, lutado espremido e sangrado), também não!

Mas ainda assim aqui Associação Leque (e em outras instituições como esta) não se baixam os braços. Pois lá dizia Friedrich Nietzsche é preciso ter dentro o caos para gerar uma estrela. E nós temos várias:

Temos o único  Centro Terapêutico com todas as áreas de intervenção e reabilitação do nordeste transmontano, aberto à comunidade (para pessoas com e sem necessidades especiais).

Temos o único Centro de Férias de Turismo Rural Inclusivo do país! A funcionar este ano em Miranda do Douro, durante o mês de Agosto.

Temos a primeira linha de material lúdico/didático inclusivo do peninsula ibérica: a marca EKUI (www.ekui.pt). Material de alfabetização e comunicação para todos/as.

E assim se vive na Leque. Com uma lufada de ar fresco no Terceiro Sector. Sem dinheiro fácil. Com uma vida difícil, mas com muita, muita criatividade! Geramos riqueza, geramos qualidade de vida e geramos valor!

Vivam os CAOS como o nosso!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

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Pedras no caminho? Construam pontes (por Ana Beja)

 

Tenho assistido com algum pavor às notícias dos últimos tempos. Chego a pensar que tenho de dar razão aos mais velhos quando os ouço dizer que isto é o fim do mundo!

Ver o telejornal à hora do jantar é um ato verdadeiramente corajoso e com o qual me tenho confrontado nestes tempos. Já pensei em mudar o canal para o Discovery Channel e assistir à invasão dos gafanhotos no Deserto do Saara. Pelo menos não me irrito tanto e até me acalmo (com o barulho dos bichinhos).

Mas o que se passa connosco?? Estaremos a ficar todos doidos?? Que raio de liberdade é esta em que dizemos e fazemos tudo o que nos dá na real gana, arrastando e derrubando o que nos aparece pela frente, sem olhar ao mal que estamos a fazer? Para onde foi o respeito, a solidariedade e a amizade? Onde andam os valores? Será que ( tal como tantos portugueses) emigraram para outro país ou continente?

Numa sociedade onde se prega tanto sermão e roga tantos rosários, onde nos achamos no direito de opinar sobre a vida dos outros e sobre tudo e mais um par de botas (mesmo não percebendo patavina do assunto) onde a informação é a primeira a chegar, como se pode assistir a tanta doidice e falta de juízo? À hora do almoço não é diferente da hora do jantar…parece o “Crime”, só que na versão ao vivo e a cores: “pai atira sobre…”, “vizinho mata…”, “mãe afogou…”, “colega de escola mata…” e nem escrevo o resto, pois o resto toda a gente já sabe. A última que ouvi (e esta vou escrevê-la toda) foi “homem mata por causa de uma bola de berlim”. Será possível, pensei eu? Estarei a ouvir bem? Não só ouvi, como li, pois estava escrito em letras garrafais no ecrã da televisão onde costumo almoçar. Estava para comer dentro do estabelecimento, pois estava um vento maluco, no entanto, não há estômago que aguente estas notícias e preferi ir para a esplanada levar com o vendaval!

Custa-me ver a falta de auxílio, de proteção, a falta de solidariedade. Custa-me ver pessoas que não cumprimentam, que não apertam as mãos, que não dão um sorriso ou um abraço, que não dão a vez a alguém da fila, que não seguram a porta ou que não se levantam da cadeira para dar lugar a quem mais precisa. Será que a sociedade entrou em falência emocional?? Estaremos todos na bancarrota?? Porque será que andamos tão irritados? Parece que andamos todos zangados uns com os outros, que só temos direitos e nenhuns deveres e que toda a gente nos deve e ninguém nos paga! Não sei como será daqui para a frente, mas se é assim o agora, imagino o amanhã!

Tenho pena que a sociedade esteja desta maneira. Que não exista tolerância entre nós, que não se respeite o próximo, que se devasse a vida alheia, que se mate, espanque, abuse e acuse com uma leveza tão grande como quem mata por uma bola de berlim! Será que se nos puséssemos no lugar do outro e parássemos para pensar no sofrimento que estamos a causar, o mundo não seria bem melhor? Se deixássemos de olhar só para o nosso umbigo e passássemos a olhar para o do outro, não seríamos mais felizes? De certeza que sim, até porque penso que a verdadeira essência da felicidade consiste em fazer os outros felizes!

Termino, parafraseando Pessoa, e apesar da alteração da ideia, não tenciono o desprestígio da mesma: Pedras no caminho? Apanhem-nas todas. E em vez de um castelo construam pontes. E atravessem-nas. Para que possam sentir, nem que seja por um momento, o que é estar do outro lado!

Ana Beja

Foto: http://line-sweet-home2.zip.net/images/A_pedra_no_caminho.jpg


 

Kiss, kiss! Bang, Bang!

celmira

Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos! (por Marta Mascarenhas)

 

“Antes de mais, gostaria de deixar bem claro que não tenho como intenção apontar o dedo a ninguém, nem julgar, nem reclamar. Apenas gostaria de partilhar convosco a minha experiência e, quem sabe, talvez um dia possa ajudar alguém para que não aconteça com mais ninguém o que nos aconteceu.

O meu filho, depois de 10 anos de muita luta, foi finalmente diagnosticado com Síndrome de Asperger, em Dezembro passado. Sempre tivemos muitos problemas com ele e, principalmente a escola, devido ás suas dificuldades na interacção social.

O inicio deste ano escolar foi particularmente difícil. Mudou de ciclo e, como tal, de escola e de DT – tudo coisas que por si só já são complicadas. O pior foi o Director de Turma que mudou. O do ano passado era um anjo vindo do Céu para o orientar e ajudar. Ele sentiu muito essa “perda”. A nova DT é uma pessoa muito agressiva, fria e sem qualquer paciência para alguém como o meu filho.

Fizemos várias reuniões com a escola, sozinhos e com a presença de uma psicóloga privada que contratámos, já que o SNS achou que ele não carecia de acompanhamento, com o intuito de pedir ajuda para ele – para os consciencializar para as dificuldades dele e a necessidade de uma abordagem um pouco diferente, mas a escola recusou veementemente em aceitar que ele tinha sequer qualquer dificuldade ou problema! Tinha no seu Plano de Educação Individual as adequações que o serviço de Educação Especial achou conveniente e mais nada. No ponto de vista da escola, tratava-se de um miúdo preguiçoso e pouco disciplinado, mas que de resto era tão normal e adaptado como qualquer outro aluno, e a carga negativa foi fulminante desde o primeiro dia.

Pedimos para valorizarem o positivo. A resposta foi um ataque brutal a TUDO de negativo. Implicaram porque não fazia os TPC. Pedimos ajuda para ele os fazer na escola, pois em casa, na cabeça dele, não era lugar para fazer as coisas da escola. A escola recusou. A disgrafia dele mantinha-se acentuada. Pedimos á escola que o deixassem entregar trabalhos em suporte digital (no PC). A escola recusou. Ele, ao abrigo do artigo 3/2008 deveria de estar numa turma de tamanho reduzido. Foi recusado e ele integrou numa turma de quase 30, incluindo alunos repetentes e destabilizadores.

O resultado do primeiro período foi uma desgraça. Teve 3 negas. Fiquei aterrada, pois ele é aluno de inteligência acima da média que nunca tinha tido notas semelhantes a estas. Falámos com ele e resolvemos fazer um acordo e um esforço para melhorar. Sem qualquer ajuda ou envolvimento da escola, ele no final do segundo período tinha subido de 3 negas para apenas 1 e ainda teve 5 quatros! Subimos todos aos céus de felicidade. A resposta da escola foi considerar que ele tinha tido apenas uma “ligeira melhoria” e que iria manter a imposição total do seu cumprimento com todos os projectos propostos.

No inicio do 3º período tudo piorou dramaticamente. O meu filho estava desanimadissimo com a reacção da escola ao seu esforço monumental. Na 6ª Feira passada, depois de mais uma reclamação da escola por ter TPCs inacabados/mal feitos aconteceu o que não desejo a NINGUÉM neste mundo. O meu filho acabou por pôr termo á vida. Tinha 14 anos.

Sabíamos que ele estava sob uma pressão desumana por parte da escola mas nunca, NUNCA em mil vidas nada os levou a pensar que isto seria sequer ponderável.

Portanto, deixo aqui um apelo para TODOS os professores e pais deste país e deste mundo. A vida de uma criança é o nosso maior tesouro. Por favor, NUNCA desvalorizem um pedido de ajuda de uma mãe. Não há NINGUÉM neste mundo que conheça melhor o seu filho do que ela. Se ela acha que precisa de ajuda, ajudem. Mas ajudem de coração. Nem que seja por indulgência, porque a dor que uma mãe sente ao perder um filho por quem pediu ajuda a tantas pessoas, tantas vezes e com toda a força que tem é algo que é indescritível.

Não aceito que qualquer situação politica justifique a falta de humanidade que hoje se vive diariamente nas nossas escolas e na nossa sociedade, sob desculpa de “cortes” e “crises” e afins. Somos humanos. Os nossos filhos são o nosso futuro. Professores e pais deviam de ser uma equipa, não inimigos.

Apelo, de coração destroçado, para que algo ou alguém mude a mentalidade de quem tem o poder de alterar mentalidades para que as nossas crianças deixem de ser consideradas um fardo que têm de ser educadas, e que passem a ser vistas como seres que carecem de orientação de quem já viveu o suficiente para os poder ENSINAR. Respeito, consideração, compaixão – são coisas que se ensinam em casa, é verdade – mas que devem de ser reforçados na escola. Lamento profundamente que hoje em dia isto puro e simplesmente não acontece.

Desejo a todos muita paz e todas as bênçãos do Alto e o meu muito obrigado por me ter sido permito este desabafo.”

Marta Mascarenhas


 

Obrigada Marta pelo seu testemunho. Faz-nos refletir em muita coisa!

Kiss. kiss. Bang, bang!

As amizades verdadeiras são como as pedras (por Ana Beja)

 

As amizades verdadeiras são como as pedras. E por mais que água mole bata em pedra dura, não furam! As amizades verdadeiras são aquelas que não se precisa de falar para se entender o que o outro quer dizer. Basta um olhar, uma expressão ou o simples silêncio para perceber o que se quer dizer. Para sentir como bate o coração do outro.

 

As verdadeiras amizades não precisam de likes nem comentários no facebook. Não precisam de SMS nem de chamadas constantes. Os amigos verdadeiros aparecem nos piores momentos da nossa vida, juntam-se a nós nos momentos de alegria e felicitam-nos gratuitamente e sem inveja pelas nossas vitórias ou conquistas. Apoiam as nossas decisões, levantam-nos quando caímos e ajudam-nos a voltar a encontrar o rumo quando muitas vezes saímos dele.

 

Os verdadeiros amigos realçam as nossas virtudes e apontam-nos os defeitos. Discordam connosco, não nos dão razão quando não a temos e fazem-nos acordar muitas vezes para uma realidade que não queremos ver. Zangam-se quando erramos mas perdoam com facilidade. Muitas vezes nem é preciso pedir desculpa. Basta voltarmos a falar e tudo ficou esquecido. Passado. Sem moças ou rancores. Sem lambadas de luva branca nem sede de vinganças.

 

Os verdadeiros amigos guardam os nossos segredos. Ouvem os nossos pecados. Assumem as nossas dores. Choram connosco. Riem-se de nós. Lembram-nos das palermices que fizemos juntos. Dos tempos da juventude irreverente e das experiências próprias da idade. Das baldas às aulas. Das festas nas garagens. Das “noites de estudo” em casa de alguém…

 

As amizades verdadeiras perduram no tempo. Ou nem têm tempo ou validade. São intemporais. Não acabam. Aumentam. Acrescentam. Crescem connosco e envelhecem da mesma maneira e ao mesmo tempo. Atravessam meses e anos, sempre lado a lado. Ajudam-nos a construir sonhos e a derrubar barreiras. A transpor obstáculos. A atravessar pontes. A voar mais alto e a cair com rede.

 

As amizades verdadeiras são feitas de histórias e de momentos. Histórias das nossas vidas e de momentos que perduram e ficam para sempre na nossa memória.

 

Estas amizades são raras. Não abundam. São joias preciosas. E é por isso que guardo muito bem este tesouro, pois quem tem verdadeiros amigos é dono da maior riqueza do mundo!

Ana Beja

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Bem verdade Ana. ❤

Kiss, Kiss. Bang, bang!

celmira