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Há dias em que me sinto a desistir…

Há dias em que me sinto a desistir…

Há dias em que o sol é cinzento, nesses dias a terra chama-me à realidade. Tão nua e crua como a sua gélida existência.

Sou da lua, alimento-me de sonhos e de esperanças. Fascina-me o que o comum dos mortais vê como impossível. Ando para além daquilo que me permitem as forças. Cada problema vejo-o como um desafio, mas há dias em que me sinto a desistir…

Não é uma desistência pensada ou calculada, mas sinto que nem sempre quem mais luta é quem mais alcança.

Há dias em que me sinto desistir quando sinto que o bem já pouco compensa. Tão pouco a frontalidade, honestidade ou a transparência.

Há dias em que sinto desistir…

Dentro de mim um turbilhão de emoções sufoca-me a alma. Porque não posso, porque já não consigo … na certeza da consciência secreta de que tal dia chegará, silencioso … como a morte.

Kiss, kiss! Bang, Bang!

celmira

 

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Quem quase morreu está vivo, mas quem quase vive já morreu!

Cruzei-me há dias com um poema de Sarah Westphal, chamado “Quase”. Um texto pequeno, conciso e cirúrgico que me fez refletir sobre esta nossa (e nova) tendência de vida outonal, ou seja, uma vida protegida do frio ou do calor, uma vida sem sabor ou cor. Privada de emoções fortes que abanam a estrutura. Uma vida sem riscos, mas também sem portos seguros. Uma vida no limbo do “mais ou menos”. No limbo dos “Quase”.

Os Quase são estes seres vivos que por aí imperam (cada vez mais) e que desperdiçam a sua vida, morna por definição, na frustração de serem politicamente corretos, corretamente convenientes e convenientemente consensuais. O que têm a mais em polidez, falta-lhes em coragem de se assumirem como são, até para serem felizes. Os Quase não arriscam, não querem a responsabilidade de construírem as suas vidas num universo sólido e verdadeiro.

Os Quase preferem quase fazer mas sem deixar nada feito. Os Quase, quase vivem quando na realidade não VIVEM nada. Iniciam caminhos e quase os terminam porque lhes faltou coragem ou perseverança para os concluir. Os Quase não tomam decisões controversas, para não ferir suscetibilidades. Os Quase preferem engolir as palavras, entaladas na falta de coragem de dizer “sim” ou “não”.  Têm Vidas quase vividas. Sentimentos quase reais.

Os Quase são pessoas “murais” (entenda-se em vivem em cima de um muro sem assumirem as suas vontades, opiniões ou convicções). Obesas de pseudo “boas intenções” e totalmente anorécticas de sentimentos ou ideais fortes. Os Quase vivem ao sabor da corrente. Exploram a vida pela rama, sem se atreverm a fazer incursões às profundezas do que são ou do que sentem.

Está aqui uma forma de vida que não se coaduna com a minha, e a vida no limbo dos “quases” não me completa, na verdade até perturba. Tenho dificuldade em ser mais ou menos ou quase. Tenho dificuldade em coabitar com os quase felizes, os  quase amigos, os quase simpáticos ou quase bons profissionais. Os que vivem mais ou menos, trabalham mais ou menos, concordam mais ou menos, conhecem mais ou menos, querem mais ou menos…

Sou uma outsider nesta sociedade líquidamente Zygmuntiana de ser. Sem profundidade suficiente.  Onde se foge da convicção do “não” para a desilusão de um quase: “quem quase ganhou ainda joga, quem quase passou ainda estuda, quem quase morreu ainda está vivo, quem quase amou não amou. Oportunidades que escapam pelos dedos, nas chances que se perdem por medo, nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono” (Sarah Westphal). Percebem a ideia?

Gostei do texto pelo simples acto de traduzir em parcas palavras a profundidade vulcânica do que por vezes sinto e manifesto, na certeza porém de que esta forma de estar na vida não acumula simpatias. Assumo-o, como a natureza assume os antagonismos na qual se identifica desde o calor vulcânico ao gélido glaciar.

Na verdade o quase ser não me convence. E como diz a autora e muito bem, se bem que quem quase morreu ainda está vivo, quem quase vive já morreu. E assim morrem vidas e projetos nas tumbas coloridas a cinzento nas nossas vidas vazias, quase vividas.

A mim a vida não me pregará tal rasteira.

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Erro sim, mas porque faço. E você qual é a sua desculpa??!!!

 

Nos últimos anos tenho errado tanto. Deito-me todos os dias com a sensação de que podia e devia ter feito mais. Na verdade erro muito, tomo decisões difíceis, vou por onde não devia, faço o que mais ninguém está disposto a fazer (em alguns casos nem por sim próprios), participo, dou pedradas no charco. FAÇO!

Na verdade, errar não só é humano, como é necessário ao nosso crescimento enquanto seres humanos reflexivos. Aprendemos muito mais através do que  erramos,  do que através do que acertamos. E assim nos conservemos durante muito tempo!

A questão que todos os dias também me assombra é sentir esta insatisfação dos treinadores de bancada que nada fazem e ficam na sombra, espectadores atentos à espera do erro alheio.

Eu ao menos erro porque faço e você qual é a sua desculpa? Que autoridade tem para criticar tanto, se nada faz? Nunca ouviu dizer que só tem autoridade para criticar quem estiver disposto a ajudar?

Vá repense com cuidado a sua vida, sabe que será bem mais útil à sociedade se, em vez de criticar, ajudar. Ou entra, cale-se! E assim já faz muito! 😉

Uma coisa é certa, com humildade ou falta dela, quem faz pode assumir-se com motor de mudança, pelo simples facto de fazer (bem ou mal). Claro está que o ideal seria fazermos todos, tudo muito bem à primeira. O que difícilmente acontece por um motivo muito, mas muito simples: somos humanos. A sério! Imagine-se!

Nao se esqueça também da velha máxima de William Connor Magee “Só não erra nunca quem nunca faz nada.

Então como vai ser?

 

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

 

 

 

 

 

Cao ou caos?!!!

 

Um pouco por todo o país proliferam a uma velocidade quase galopante a construção e dinamização de Centros de Atividades Ocupacionais (CAO) para pessoas com deficiência ou incapacidades. Com maior facilidade legislativa, imperam no conforto,  de logo que se constituem, serem apoiados pela Segurança Social.

Nos normativos legais sustentados pela Segurança Social, refere-se que este tipo de respostas deve garantir o respeito pelo direitos das pessoas com deficiências e incapacidades e viabilizar a sua integração social e profissional. Para tal devem se criadas soluções de complementaridade ou de alternativa à situação familiar, que contribuam efectivamente para a sua autonomia, valorização pessoal e desenvolvimento das suas capacidades e potenciais. Desta forma, considera-se que a qualidade e a segurança das respostas seja um passo fundamental para a promoção de uma sociedade justa, desenvolvida e inclusa.

Coloco, na certeza de que me cairá o mundo em cima, a questão de um milhão de dólares: Será?

Centro-me no princípio da “promoção da sua autonomia, valorização pessoal e desenvolvimento das suas capacidades e potenciais”. Porque pelo que vejo e oiço, não me parece que alguns destes CAOs disponibilizem serviços promotores de integração e inclusão social dos seus frequentadores. Nem tão pouco percebo das suas práticas representações onde a inclusão social (e em alguns casos mais graves) o própio respeito pelos direitos humanos seja uma realidade! Ostracizadas em si mesmos, com modelos de atuação bafientos, descentradas da realidade atual das famílias e do real interesses das populações que servem.

O que será necessário para que estas organizações abram as portas à realidade (para deixar entrar e fazer sair valor?) . Sim porque a questão não é financeira, já que dinheiro não lhes falta, e se falta, nem me digam, porque não fazem a ideai do que é viver sem ele! Ah! já me esquecia, os valores não se pagam, ou seja nao têm preço e isto meus amigos/as é uma questão de valores!

Sim, porque para quem inova e apresenta respostas renovadas aos serviços das populações que delas precisam, o dinheiro não vai de certeza! Estas organizações, atípicas por sinal, fazem mais do que lhes é pedido, logo têm de ser castigadas por tamanha façanha! Vivam sem dinheiro para verem o que custa a vida!

E vivemos!

Não dentro de um de CAO. Vivemos sim num CAOS!

Acredito que num caos organizado, encurtado e desgastado de tanta luta por manter recursos humanos, rentabilizar os recursos da comunidade, criar redes e parceiros, abrir a porta da instituição aos verdadeiros problemas das famílias, tentando com elas encontrar soluções.

O caos está cá. Um CAO, não. E dinheiro fácil (permitam-me que lhe chame assim, pois não é suado, lutado espremido e sangrado), também não!

Mas ainda assim aqui Associação Leque (e em outras instituições como esta) não se baixam os braços. Pois lá dizia Friedrich Nietzsche é preciso ter dentro o caos para gerar uma estrela. E nós temos várias:

Temos o único  Centro Terapêutico com todas as áreas de intervenção e reabilitação do nordeste transmontano, aberto à comunidade (para pessoas com e sem necessidades especiais).

Temos o único Centro de Férias de Turismo Rural Inclusivo do país! A funcionar este ano em Miranda do Douro, durante o mês de Agosto.

Temos a primeira linha de material lúdico/didático inclusivo do peninsula ibérica: a marca EKUI (www.ekui.pt). Material de alfabetização e comunicação para todos/as.

E assim se vive na Leque. Com uma lufada de ar fresco no Terceiro Sector. Sem dinheiro fácil. Com uma vida difícil, mas com muita, muita criatividade! Geramos riqueza, geramos qualidade de vida e geramos valor!

Vivam os CAOS como o nosso!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Porque não temos todo o tempo do mundo…

 

Hoje o texto é breve e inspirado numa leitura rápida que por aqui fiz sobre a vida. Na benção em que é estar vivo e na importância de viver intensa e apaixonadamente. A minha vida é assim. Não sei viver vidas mornas, equilibradas ou mediamente temperadas. Sou pessoa de tudos ou de nadas. E é neste contraste que vou encontrando o equilíbrio pelo qual vale a pena viver.

De que adianta viver se não se vive uma vida intensa e completa.  Uma vida com sabor autêntico. Riscos? dificuldades? desafios e problemas? Sempre coexistirão com a nossa frágil e ondulada existência, mas são eles que ditarão o colorido e a verdadeira essência da nossa vida.

De que adianta viver se a vida não nos arrebata. Vive-se, mas não se VIVE!

E como desconhecemos (e ainda bem) quanto tempo levará a escrever a nossa história, nem quanto tempo ela durará, sugiro que vivamos com todos os nossos sentidos. Apaixonadamente. E nela amemos da mesma forma.

Que cada respiração onde escrevemos cada capítulo das nossas vidas, seja sinónimo de um folego arrebatador. Que traduza vidas inebriantes, amores intensos, paixões e amizades profundas e sentimentos nobres.

E sim, não temos todos tempo do mundo, mas “pior do que morrer é não ter nascido” e não,  Winnicott, o autor desta célebre frase não se referia ao nascimento biológico, mas ao processo de amadurecimento, por vezes doloroso, mas sempre intenso, que nos permite nascer para a nossa própria verdade. Então, é já que nascemos, que o façamos apaixonadamente, com a certeza de que se o fizermos, será nesse momento em que de facto nos sentiremos vivos e mais autênticos.

E como diz  André Camargo o único tempo que temos disponível, é o Agora, até que em algum momento a luz se apague. Paremos então de desperdiçar o nosso tempo com distrações, materialismos e futilidades, procuremos o que nos enche a vida de sentido e nos faz o coração vibrar. Simplesmente porque não temos todo o tempo do mundo.

❤️

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

Afinal que mal há em ser diferente?

 

Começo mais este texto com a consciência plena das reações que se levantam sobre tudo o que é escrito sobre a temática da diversidade.

Sobre este aspecto tenho dúvidas: numa sociedade onde a luta pelo respeito pela diversidade é agora prática corrente, onde os valores da EQUIDADE se erguem em vozes, no passado abafadas pelo preconceito e agora sonoras nas nossas consciências, não deviríamos partir do pressuposto que a diversidade de pensamentos deve também ser respeitada?

Afinal qual é o problema de pensar de forma diferente? O mesmo que há em ser diferente? O que nos faz a nós defensores da diferença assumirmos atitudes de pouco respeito pela diversidade da opinião alheia? O princípio da EQUIDADE não está numa regra simples que determina a todos/as acesso às mesmas plataformas (seja no acesso a bens e serviços, tratamentos, informações, opiniões ou atitudes)?

Será que essa posição pouco flexível de ver todo pela parte (a nossa e única) se coaduna com as premissas da equidade e respeito pela diversidade? Não. Lamento, mas não creio.

Vivemos num mundo muito diverso, mas tão diverso que nos perderíamos a enumerar os seus contornos: de norte a sul, a diversidade instala-se nas características de cada contexto pessoal e familiar: nas especificidades das nossas famílias, nos nossos ambientes sociais ou económicos, ou simplesmente na nossa forma de ver e sentir o mundo, sustentada pela nossa cultura, orientação sexual, capacidades ou necessidades, que em si, definem uma idiossincrasia própria e única. Um traço que só a nós nos pertence.

O que somos e o que pensamos dá-nos esse direito único, que deve ser respeitado, sendo isto o que nos define como cidadãos.

Sim é errado (e muito) dizer que as famílias são todas iguais e que todas reagem da mesma forma a qualquer acontecimento. Nunca o defendi e quem o fizer erra por princípio.

Na verdade, quando se generalizem pensamentos, atitudes e crenças, mesmo que sejam pró inclusivas, acabamos por nos  perder do foco que nos move e privar-nos do direito de sermos autênticos.

O que acho, penso ou opino sendo diferente do que pensa a maioria ou até uma minoria, deve ser respeitado, simplesmente para que a sociedade aprenda de uma vez por todas a respeitar a diversidade, esteja ela onde estiver!

Transpondo este assunto para a área da deficiência, Eliana Tardío mãe de filhos com SD e uma excelente blogger que gosto de citar refere-nos o seguinte:

É típico ouvir que os pais de filhos com deficiência não querem que se trate de forma diferente os seus filhos, e que acreditam que a palavra deficiência é uma etiqueta que os diminui. Mas mães, pais e famílias, a palavra não tem poder por si mesma,  e não se trata de evitar a palavra ou a realidade de que o filho tem uma deficiência, trata-se sim de normalizar a realidade, para que viver com uma deficiência seja tão natural como viver com uma cor diferente de olhos ou de cabelo.

A inclusão não se alcança pela negação ou acusação, a inclusão gera-se e alcança-se pela incorporação da diversidade (de critérios, formas, atitudes, opiniões). De outra forma, não acredito que se edifique.

Há que diferenciar? Sim! Há sobretudo de fazer um marketing positivo da diferença, isso sim, para que ela se normalize, sem complexos, aceitando-a em nós e outros. Sem nunca esquecer que branco para mim, pode ser cinzento para o outro. E se eu defendo o respeito pela diversidade, então tenho que assumir que se calhar o meu branco, mediante a luz do dia pode ser visto e sentido como cinzento pelo outro. E respeitar isso.

É a diversidade de percepções e opiniões que se geram soluções e alternativas capazes de combater estereótipos, sejam de deficiência, credo, género ou etnias.

Por isso há que diferenciar, sim, mas aceitando a nossa própria diversidade que se realiza na relação com o outro:

“Até que não mudemos os nossos próprios preconceitos, e tenhamos a capacidade de falar de deficiência sem esse típico nó na garganta e esse peso psicológico que nos provoca ao associá-la aos nossos filhos; até não fazermos isto, não estaremos prontos” (Eliana Tardío).

Que tenhamos tempo para estarmos prontos. Porque na verdade não há mal em ser diferente. Porque diferenças e necessidades de algo todos/as temos!

Vejamos a diversidade como uma riqueza que acrescenta um colorido às vidas monocromáticas que teimamos em não deixar colorir.

Pensem nisso…

 

Kiss, kiss. Bang, Bang!

celmira

 

 

A geração de MULHERES que foi educada para ser o que o homem NÃO quer!

Li há uns dias um artigo com um titulo semelhante e o tema ficou-me a ecoar na alma. Na verdade o assunto diz-me particularmente, ao ponto de me motivar a tecer algumas considerações sobre ele, e também porque hoje se comemora o DIA DA MULHER!

À medida que “cresço” e tomo consciência da mulher que hoje sou e do papel que desempenho como tal, percebo o peso e as consequências que este papel acarreta na sociedade em que vivo (ou vivemos).

Já alguma vez pensaram nas representações que estão ainda ligadas ao papel da mulher na sociedade e qual o pensamento cultural coletivo do que espera que ele seja ou desempenhe?

Os exemplos são vários: Para começar somos uma minoria em cargos de chefia! Precisamos de colocar cotas para ocupar lugares na vida política! Os Salários pagos a mulheres são manifestamente mais reduzidos para o desempenho das mesmas funções? Temos pior: Muita gente ainda acha que se os dois trabalham, alguém tem de ficar no sofá porque está cansado (ELE) e alguém terá de desempenhar as tarefas de cozinhar, tratar dos filhos/as e da casa (ELA).

O interessante disto tudo é que, aos poucos e com a natural evolução da sociedade, nos vão “ensinando” que isto tem de mudar, que temos de ter voz e que temos de lutar pela tão apregoada e quimérica igualdade de género e equidade no acesso às oportunidades.

O que poderia ser um facto extraordinário, não passa de um presente quase envenenado, pois transforma essas mulheres lutadoras naquilo que os homens não querem ou pelo menos naquilo que não foram habituados ou educados a querer: mulheres autónomas, independentes, senhoras de si e das suas vontades.

Vá sejamos sinceros/as. O que idealiza um homem quando pensa na mulher dos seus sonhos para sua companheira? Será que se imagina com uma esposa dedicada ou com aquela que se farta de trabalhar e ainda quer estudar para subir na carreira e com isto tem pouco tempo para lhe fazer o jantar e lavar as meias?

Ou ainda com aquela que depois do trabalho quer tomar um café com as amigas para desanuviar e não tem tempo para passar as camisas do querido como a mamã fazia?

Ou talvez com aquela que pura e simplesmente não precisa do companheiro para lhe garantir autonomia financeira, decidindo onde e quando gastar os seus rendimentos e o seu tempo. Tudo piora  quando é ela a garantir o sustento da casa, o que acaba por lhe fragilizar a autoestima!

Será que o homem sonha com a esposa que sabe bem o que quer ou o que não quer, segura de si o suficiente para não querer depender dele, nem de ninguém?

O psicoterapeuta Oswaldo Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Brasil), defende que os homens normalmente foram e ainda são socialmente educados (eu diria programados) para serem os “cuidadores” e a pensar que vão encontrar uma mulher que precisará deles e será submissa. A mulher independente trará naturalmente inseguranças ao homem colocando em dúvida a sua “capacidade masculina de cuidador”. Este tipo de MULHERES tornam-se para estes cavalheiros demasiado assustadoras!

Amiga, se você é uma mulher autónoma e independente, saiba que faz parte da tal geração de mulheres que foi educada a ser o que o homem não quer!

O que aqui está em causa é a quebra de expectativas entre a forma como nós fomos  sendo educadas, e como com isso vamos conquistando a nossa autodeterminação e independência e a forma como os homens foram educados.

Quer queiramos quer não, fazemos parte da geração que foi criada para conquistar o mundo, e ainda bem! Fomos desde cedo incentivadas a estudar, trabalhar, a viajar e, acima de tudo, a construir a nossa independência, da mesma forma como foram educados os rapazes ao longo de gerações (Ruth Manu). Mas o pior segundo esta autora é que ninguém se lembrou de avisar esses rapazes que as suas futuras mulheres estariam ao nível deles!

Que poderiam disputar as vagas de emprego com eles! Que poderiam ter opinião própria! Que seriam menos frágeis e menos submissas que as mães ou as avós! Que poderiam não querer ter filhos! Ou que poderiam querer colocar a carreira em primeiro lugar!

A questão central passa a ser só uma: Que homem é seguro o suficiente para amar uma mulher que quer e pode voar? Que ame a mulher que faz parte da “geração da parceria e não da submissão ou da dependência”?

Concordo com a Ruth, quando diz que “no fim das contas nós não somos nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher”. E o melhor: nem queremos ser. E que este facto que fique bem claro, não há retorno: nós viemos para ficar!

Atenção! Não sou fundamentalista e acredito e conheço muitos homens não se assustam com essa “nova” característica feminina. E são grandes! Outros há que às tantas te dizem: “ou o trabalho ou eu”. Coitados, escolhemos o trabalho, porque nos completa, e lá se vai o conto de fadas das cinderelas frágeis salvas por príncipes encantados. Agora estamos mais na geração das Joanas d’Arc! Mulheres de fibra e lutadoras! E muito bem!

O que estas mulheres querem ou precisam é um homem seguro e que transmita tranquilidade e companheirismo. Que seja autoconfiante, que a respeite na sua essência e seja educado e sobretudo que tenha na sua vida as suas próprias metas e objetivos. Esta mulher precisa de um homem interessante, que se faça presente, que valorize a sua companhia e a sua forma de estar na vida e que demonstre estar ao lado dela para o que der e vier!

Rapazes preparem-se e acreditem: o desafio é maior, mas a recompensa também!

Feliz dia MULHERES do mundo (Hoje e sempre)!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

É altruísmo ou egoísmo?

 

Hoje o artigo que vos trago não é meu. Vou partilhá-lo porque descreve muito daquilo que defendo. Para o bem e para o mal. Espero que gostem.

Altruísmo ou egoísmo?

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por Renato Mayol

“O egoísmo, impulso natural de preservação dos próprios interesses a despeito dos de outrem é, em maior ou menor intensidade, próprio da espécie animal. No homem, esse impulso é fator limitante da expansão da consciência fazendo com que a sua restrita percepção do Todo passe a ser mais limitada ainda. Será que o antídoto para isso residiria no amor desinteressado e abnegado ao próximo, na filantropia, na bondade ou, de um modo geral, no altruísmo?

Mas, o que é ser altruísta? É atender os desejos egoístas dos outros? É violentar continuamente os próprios desejos? É sacrificar-se constantemente? É dar aos outros tudo o que os outros querem, ou tudo o que os outros acham que precisam? Sacrificar-se, reprimir-se e prestar-se servilmente às necessidades, aos caprichos e às vontades dos outros, em detrimento consciente ou não de si mesmo, não é ser altruísta – é ser tolo, inseguro e com baixa autoestima. Exemplos disso os temos no comportamento de muitos pais, filhos, esposas, maridos, parentes e tantos outros que, vítimas de chantagem emocional, têm sua mente submetida à tirânica vontade de outros, sejam esses quem forem.

Altruísmo é fazer o próprio papel na vida, por gosto e vocação, com dedicação e empenho, da melhor forma possível, dando aos outros o exemplo do bom exemplo, mesmo que isto custe algum sacrifício. Altruístas os temos nos Doutores da Alegria, nos Médicos sem Fronteiras, nos Corpos de Bombeiros, nos Anjos da Estrada, nas Delegações da Cruz Vermelha. Da mesma forma, exemplos são encontrados nas vidas de Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá e Albert Schweitzer, entre outros que mostraram que ser altruístas é preocupar-se com o próximo, sem distinção de idade, género, credo, raça, nacionalidade, opinião política ou hábitos. Além disso, a rigor, somos todos benfeitores anónimos sempre que, com o dinheiro público, os governantes dignos e honestos executam ações para atenuar a cruel desigualdade social – o que infelizmente não ocorre tão amiúde quanto seria necessário.

Ser altruísta é respeitar e amar o próximo como a si mesmo, fazendo-se também respeitar. É não tirar e nem desejar o que é dos outros e não deixar que os outros lhe tirem o que poderá vir a lhe fazer falta. Portanto, ser altruísta é também preocupar-se consigo mesmo. É ser egoísta com o próprio EU interior. Aquele EU mais íntimo e mais elevado que existe em cada um e que anseia pelo Bem e pela Paz mundial.

Egoísmo e altruísmo – na superfície, tão antagónicos, porém, quão parecidos quando praticados nas suas formas mais puras, e é na sua alternância que, aos poucos, aprende-se a sabedoria do desapego e descobre-se que egoísmo e altruísmo nada mais são do que diferentes faces de uma mesma quimera. Além disso, apegar-se a quê? Se nada do que é material é eterno… e se a própria Terra após cumprir com seu propósito também irá desaparecer. Melhor é acumular emoções resultantes de sentimentos que ampliam a consciência, dando-nos vislumbres de outras dimensões e possibilidades. Sentimentos tais como o amor, a felicidade, a harmonia, a paz e o perdão.

Tudo isso é qualitativamente diferente e esse tipo de acumular, no fim, revela-se um ajuntar ao inverso, pois quanto mais Amor você dá, mais Amor você recebe, e este receber aos poucos esvazia você sempre mais e mais, a ponto de finalmente o Todo caber em você, e você se tornar Um com Ele, passando então a SER.

Por isso, quando o desejo de TER já enfastiou, começa a busca de algo diferente e imorredouro. Uma busca cujo sucesso depende de um trabalho ativo para se alcançar um estado passivo, onde o egoísmo e o altruísmo se anulam, e o SER finalmente nos inunda. E se você “É”, como pode “DAR”? Para dar, você tem que possuir, porém, se você “É”, você está em tudo e tudo está em você – tudo o que existe, tudo o que existiu e tudo o que existirá!”

Renato Mayol

Fonte: http://somostodosum.ig.com.br

Foto: http://www.gepazebem.org


 

Kiss, kiss!  Bang, Bang!
celmira

 

As mulheres bonitas são estúpidas????!!!

“É bom que as mulheres bonitas geralmente sejam estúpidas. Se também fossem inteligentes, seria uma injustiça”. A frase é de Vittorio Buttafava , mas bem podia ser  de qualquer um de nós.  Quem nunca pensou da mesma forma? Quem nunca pensou que beleza e inteligencia deveriam ser (ou são efetivamente) inversamente proporcionais?

Na verdade quem nunca julgou um livro pela capa?  No emprego ou na vida social, quem nunca teceu juízos de valor sobre as capacidades de colegas, amigos/as ou até desconhecidos/as, apenas pelo seu aspeto físico?

O assunto não é novo, já aqui falamos sobre as teorias implícitas da personalidade* e da predisposição do ser humano em rotular com base em  traços perpetuados na sua cultura. Essa informação é armazenada na memória e influencia a percepção e os comportamentos dos indivíduos em relação a um determinado grupo ou característica (traço), considerando a partir daí o todo pela parte.

Pois bem, a beleza é um desses traços, alvo fácil de considerações superficiais e muitas vezes impiedosas, que acabam deixar marcas visíveis nas nossas inseguranças, que depressa se transformam em bullings, frustrações, invejas e depressões.

É para qualquer um de nós fácil, criar mentalmente o quadro da rapariga menos formosa ou com alguns quilos a mais, sendo esta a mais consensual forma de discriminação. E se não for?

A frase de Vittorio Buttafava  é bastante clara, assume-se como socialmente instituído que, será de uma tremenda injustiça associar na mesma pessoa beleza e inteligência. É como se fosse contra-natura!

Na verdade, e muito mais frequente do que podemos pensar, o alvo de considerações depreciativas recaem também sobre aquelas que, por determinação da natureza viram os seus atributos físicos favorecidos. Conheço muitas mulheres assim.

Cuidadas, donas de si, com uma vaidade feminina própria de ser mulher. Conheço as suas histórias e nelas me inspiro aqui para que possamos refletir na injustiça, agora sim, de serem demasiado belas para se serem levadas a sério.

Mulheres de M grande, destemidas, lutadoras, grandiosas, solidárias e por vezes solitárias e que sofrem na pele as garras da discriminação, feita, na maioria das vezes, por outras mulheres.

Há forma de evitar isto? Talvez…

Sabemos que a beleza não passa de uma construção social, logo, se  conseguíssemos dizer NÃO aos esses estereótipos sociais,  estaríamos a mudar também mentalidades. Imaginem a quantidade de toxinas que isso não nos poupava!!!

Imaginem um mundo onde não existem mulheres feias ou bonitas, mas sim mulheres seguras ou inseguras, onde a verdadeira beleza reside no coração, na atitude e no comportamento.

Neste mundo, cada mulher é um universo único, uma força da natureza, que é generosa na sua índole. Arrisco a dizer, um mundo onde o charme, a inteligência, a generosidade e a nobreza definem mais que a beleza.

Eu voto nesta mudança dos padrões  de beleza. E você?

Se não para quê vejamos o caso de mulheres como Maria Calas, Rossy de Palma, Sarah Jéssica Parker ou Jacqueline Kennedy Onassis! Não encaixam necessariamente nos padrões de beleza convencionais, mas na verdade o seu charme fascina-nos!  E não, não houve dinheiro no mundo que possa ter reparado seus “defeitos”, no entanto são donas de uma inteligência enorme para os disfarçar  e  de personalidades intensas e confiantes que nos fazem apaixonar! 

MULHERES: Não olhem para o lado, não é lá que se vão encontrar.

Cuidem-se, mimem-se, respeitem-se, amem-se e sobretudo, unam-se!  E o que têm dentro de vocês vos defina como pessoas deslumbrantes!

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Foto: http://www.frenetica.com.br/


*O conceito de Teorias Implícitas da Personalidade foi desenvolvido  por Bruner e Taguiri (1954). O pressuposto central destas teorias é a de que as pessoas quando acedem a uma informação sobre os traços centrais de um indivíduo, elaboram uma representação geral a respeito desta pessoa, como um todo.

A uma pessoa identificada como serena ou calma, é possivelmente que as outras pessoas lhe acrescentem características como ser organizada ou metódica, mesmo sem o ser. Isto ocorre porque os traços psicológicos não são vistos como independentes uns dos outros. O facto deles estarem associados de uma forma lógica permite que sejam desenvolvidas inferências a respeito da totalidade dos traços que melhor representa  aquela pessoa.

Esta representação funciona como uma teoria, permitindo explicar as ações do indivíduo e fazer previsões sobre o seu comportamento futuro.

Fonte: http://estereotipos.net/

 

Atenção! Somos amigos do Facebook, mas não somos AMIGOS!

Ando há meses para escrever algo sobre um assunto  já gasto nas redes sociais, mas que entendo que devemos relembrar as pessoas diariamente: Atenção! Somos amigos do Facebook, mas não somos AMIGOS!

As redes sociais têm vindo a mudar a forma de ver,  viver e construir as amizades, contudo, devemos todos/as ter consciência do real conceito de amizade e do que ela significa.

Amigos/as são aqueles que escolhemos ou conhecemos e cujos laços que nos unem, não se esgotam na mera esfera virtual, onde a relação é construída em privado, pela partilha de momentos que se vão reforçando ao longo do tempo na reciprocidade de afetos e cumplicidade. Digo eu!

Os amigos/as das redes sociais, já são outra história (Digo eu também). Aqui basta clicar em alguém para se tornar nosso “amigo/a” e a partir desse momento, ter acesso ao seu “mundo”. Para o bem, ou para o mal.

Enquanto na vida real procuramos ter “poucos amigos, mas bons”,  nas redes sociais parece prevalecer  a quantidade em detrimento da qualidade. Em pouco tempo temos uma página com centenas e até milhares de “amigos/as”. Talvez o adjetivo mais adequado para definir grande parte deles seria “colega” ou “conhecido/a”. Não me parece sequer razoável identificar os seguidores de um perfil como amigos/a íntimos/as,  criando uma falsa ideia de intimidade.

Na verdade corremos esse risco sempre que enviamos ou recebemos pedidos de “amizade”, mas nem tudo são desvantagens. Tudo isto até pode correr bem, pois atraves das redes sociais podemos abrir horizontes, expandir o nosso universo, ver novos mundos, partilhar ideais, conhecer novas pessoas, criar contatos profissionais, divulgar o nosso trabalho ou até fazer amizades que no futuro se transformem em amizades verdadeiras! Nunca se sabe! Neste caso é uma ferramenta útil, mas que devemos usar com a consciência do que significa na sua génese o conceito de “amigo/a”.

O que é certo é que não conhecemos esses “amigos/as” ou por outra, só os conhecemos das redes sociais. Nem eles/elas nos conhecem a nós!  Não nos podemos esquecer que, por detrás de cada perfil se esconde uma pessoa que projeta características que podem ser idealizadas e neste caso, a pessoa que conhecemos pode ou não corresponder ao que diz ou ao que sente. Há que ter isso em consideração.

Voltemos ao cerne da questão e ao que me fez escrever estas linhas. Muitas vezes presencio situações onde a linha que separa a amizade verdadeira da virtual se rompe em considerações (algumas vezes abusivas) de pessoas que apenas nos conhecem pela informação que disponibilizamos no nosso perfil. Todos sabemos que as redes sociais servem os interesses de quem as usa, pessoais ou profissionais. E já que cá andamos devemos abordar com respeito as opiniões de cada um.

E um conselho: quer impressionar nas redes sociais? Não aborde o seu novo “amigo/a” tratando-o/a por ” tu”. Seja educado/a e cordial.

No meu caso tenho algumas regras e que são meus legítimos direitos:

1. Optar por não utilizar o Chat com quem não conheço pessoalmente.

2. Aceitar apenas pessoas devidamente identificadas, que não se escondam atras de objetos ou animais. Que o anonimato não sirva de desculpa para se puderem deleitar na maledicência, na sedução brejeira ou no expelir frustrações na rede alheia.

3. Excluir pessoas que injetem veneno na minha rede! A vida já por si é difícil, não preciso de ter nas redes sociais injectores de toxinas!

4. Remover amizades de quem é meu “amigo” na rede social e não me cumprimenta na ” vida real”.

Atenção! Somos “amigos das redes sociais”, mas não somos “AMIGOS”, ainda! Quem sabe um dia, mas até lá, tratemo-nos com o devido respeito, salvaguardado pelo distanciamento de quem é “amigo” sem se conhecer!

P.s. Este texto é uma mera opinião, não tem a ver com nada, nem com ninguém em particular. Don’t Kill The Messenger!

😉

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira