A geração de MULHERES que foi educada para ser o que o homem NÃO quer!

Li há uns dias um artigo com um titulo semelhante e o tema ficou-me a ecoar na alma. Na verdade o assunto diz-me particularmente, ao ponto de me motivar a tecer algumas considerações sobre ele, e também porque hoje se comemora o DIA DA MULHER!

À medida que “cresço” e tomo consciência da mulher que hoje sou e do papel que desempenho como tal, percebo o peso e as consequências que este papel acarreta na sociedade em que vivo (ou vivemos).

Já alguma vez pensaram nas representações que estão ainda ligadas ao papel da mulher na sociedade e qual o pensamento cultural coletivo do que espera que ele seja ou desempenhe?

Os exemplos são vários: Para começar somos uma minoria em cargos de chefia! Precisamos de colocar cotas para ocupar lugares na vida política! Os Salários pagos a mulheres são manifestamente mais reduzidos para o desempenho das mesmas funções? Temos pior: Muita gente ainda acha que se os dois trabalham, alguém tem de ficar no sofá porque está cansado (ELE) e alguém terá de desempenhar as tarefas de cozinhar, tratar dos filhos/as e da casa (ELA).

O interessante disto tudo é que, aos poucos e com a natural evolução da sociedade, nos vão “ensinando” que isto tem de mudar, que temos de ter voz e que temos de lutar pela tão apregoada e quimérica igualdade de género e equidade no acesso às oportunidades.

O que poderia ser um facto extraordinário, não passa de um presente quase envenenado, pois transforma essas mulheres lutadoras naquilo que os homens não querem ou pelo menos naquilo que não foram habituados ou educados a querer: mulheres autónomas, independentes, senhoras de si e das suas vontades.

Vá sejamos sinceros/as. O que idealiza um homem quando pensa na mulher dos seus sonhos para sua companheira? Será que se imagina com uma esposa dedicada ou com aquela que se farta de trabalhar e ainda quer estudar para subir na carreira e com isto tem pouco tempo para lhe fazer o jantar e lavar as meias?

Ou ainda com aquela que depois do trabalho quer tomar um café com as amigas para desanuviar e não tem tempo para passar as camisas do querido como a mamã fazia?

Ou talvez com aquela que pura e simplesmente não precisa do companheiro para lhe garantir autonomia financeira, decidindo onde e quando gastar os seus rendimentos e o seu tempo. Tudo piora  quando é ela a garantir o sustento da casa, o que acaba por lhe fragilizar a autoestima!

Será que o homem sonha com a esposa que sabe bem o que quer ou o que não quer, segura de si o suficiente para não querer depender dele, nem de ninguém?

O psicoterapeuta Oswaldo Rodrigues Junior, diretor do Instituto Paulista de Sexualidade (Brasil), defende que os homens normalmente foram e ainda são socialmente educados (eu diria programados) para serem os “cuidadores” e a pensar que vão encontrar uma mulher que precisará deles e será submissa. A mulher independente trará naturalmente inseguranças ao homem colocando em dúvida a sua “capacidade masculina de cuidador”. Este tipo de MULHERES tornam-se para estes cavalheiros demasiado assustadoras!

Amiga, se você é uma mulher autónoma e independente, saiba que faz parte da tal geração de mulheres que foi educada a ser o que o homem não quer!

O que aqui está em causa é a quebra de expectativas entre a forma como nós fomos  sendo educadas, e como com isso vamos conquistando a nossa autodeterminação e independência e a forma como os homens foram educados.

Quer queiramos quer não, fazemos parte da geração que foi criada para conquistar o mundo, e ainda bem! Fomos desde cedo incentivadas a estudar, trabalhar, a viajar e, acima de tudo, a construir a nossa independência, da mesma forma como foram educados os rapazes ao longo de gerações (Ruth Manu). Mas o pior segundo esta autora é que ninguém se lembrou de avisar esses rapazes que as suas futuras mulheres estariam ao nível deles!

Que poderiam disputar as vagas de emprego com eles! Que poderiam ter opinião própria! Que seriam menos frágeis e menos submissas que as mães ou as avós! Que poderiam não querer ter filhos! Ou que poderiam querer colocar a carreira em primeiro lugar!

A questão central passa a ser só uma: Que homem é seguro o suficiente para amar uma mulher que quer e pode voar? Que ame a mulher que faz parte da “geração da parceria e não da submissão ou da dependência”?

Concordo com a Ruth, quando diz que “no fim das contas nós não somos nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher”. E o melhor: nem queremos ser. E que este facto que fique bem claro, não há retorno: nós viemos para ficar!

Atenção! Não sou fundamentalista e acredito e conheço muitos homens não se assustam com essa “nova” característica feminina. E são grandes! Outros há que às tantas te dizem: “ou o trabalho ou eu”. Coitados, escolhemos o trabalho, porque nos completa, e lá se vai o conto de fadas das cinderelas frágeis salvas por príncipes encantados. Agora estamos mais na geração das Joanas d’Arc! Mulheres de fibra e lutadoras! E muito bem!

O que estas mulheres querem ou precisam é um homem seguro e que transmita tranquilidade e companheirismo. Que seja autoconfiante, que a respeite na sua essência e seja educado e sobretudo que tenha na sua vida as suas próprias metas e objetivos. Esta mulher precisa de um homem interessante, que se faça presente, que valorize a sua companhia e a sua forma de estar na vida e que demonstre estar ao lado dela para o que der e vier!

Rapazes preparem-se e acreditem: o desafio é maior, mas a recompensa também!

Feliz dia MULHERES do mundo (Hoje e sempre)!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

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One thought on “A geração de MULHERES que foi educada para ser o que o homem NÃO quer!

  1. Gostei de ler…sinto me menos só! Afinal, essa geração já começa a povoar Portugal…às vezes, sentia me cá demasiado “francesa”. Well done!

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