Monthly Archives: Fevereiro 2015

Contra os pêndulos não há argumentos (por Rique Nunes)

 

No dia seguinte fomos fazer mais uma visita aos nossos grandes amigos São e Delfim.

Claro que pelo caminho eu lá ia conduzindo todo embrulhado num sobretudo com o gorro bem metido até às orelhas, luvas e cachecol, tiritando de frio de tal maneira que os dentes pareciam ter vida própria e estar empenhados em fazer faísca batendo uns nos outros, e ela ia com o vidro da porta aberto, a cabeça meio de fora e a mão a acenar à frente da cara como se estivesse um calor sufocante, quando na realidade estavam 5 graus negativos, e um ventinho que parecia soprar da Sibéria e que fazia a temperatura assemelhar-se mais a 40 negativos.

Este novo aspecto da situação estava a dar comigo em louco. Primeiro ela era exageradamente friorenta. Os pés pareciam duas covetes de gelo! Agora parecia estar na linha do equador quando na verdade estávamos sob os rigores do Inverno inglês!

Antes tínhamos o aquecimento sempre no máximo, apesar de eu transpirar com apenas uma T-shirt no corpo e protestar dizendo que a casa parecia um forno, enquanto ela tirava as mãos de dentro das mangas super-esticadas do casaco e as encostava à minha face para eu verificar que continuavam a parecer tentáculos de lula congelada.

Agora temos sempre o aquecimento no mínimo e ela não pára de protestar contra as janelas fechadas. Mas tudo tem limite. Eu prefiro ouvir os protestos dela do que ter de me enfiar dentro do frigorífico para usufruir de uma temperatura suportável.

Mal entrámos na casa dos Costas, o Pedro, irmão da São, que também estava de visita, abriu a porta com um sorriso;

“Então como é que estás AZimah? Já te sentes melhor? Ouvi dizer que andavas com uns enjoos… Comeste alguma coisa que te fez mal ou foi este malandro que te fez alguma maldade?”

“Foi ele mesmo. A culpa é dele. Não sei o que é que me fez!”

“Ai não?! Mas vais saber daqui a uns meses. Já foste lá à máquina para saber se vai ser menino ou menina?”

“Já fiz uma ecografia, mas ainda é muito cedo para se saber o sexo do bebé, por isso terei de esperar até à ecografia dos 5 meses.”

“Não é preciso esperar tanto, rapariga. Podes saber com o pêndulo… e olha que nunca falha.”

-“Então hoje não te vais embora sem fazer essa experiência.” Avisei com ar sério.

“Então como é que está a minha afilhada?” Gritou da cozinha o Delfim. “Dá cá um beijo … Ó rapariga, tu cada vez estás mais esquelética… Olha tem cuidado, e na rua anda sempre agarrada a alguma coisa, senão pode vir de repente um golpe de vento e lá te leva, carago! Esse gandulo desgraçou-te minha querida!”

Meia hora e uns copitos de vinho depois, quando já todos os fumadores tinham apanhado uma constipação por terem de ir fumar no quintal devido ao enjoo da Zi, o Pedro (irmão da São), disse ”então tu queres saber se vais ter menino ou menina? Olha que não precisas de ir a médico nenhum, anda cá que eu já to digo. E olha que isto nunca falha e senão tu observa.” Aproximou-se da São, segurou-lhe na palma da mão e suspendeu o fio dele, que tinha uma cruz que devia pesar pelo menos dois quilos, por cima da mão dela e sem demora o fio começou a andar pra frente e pra trás. “Tas a ver, primeiro tiveste um rapaz.” Depois tirou o fio para o lado, parou-o com a outra mão e voltou a colocá-lo por cima da mão. Imediatamente a cruz começou a descrever arcos por cima da palma da mão dela. “Tás a ver, depois tiveste a menina. Anda cá tu”, gritou para a mulher dele. “Dá cá a mão.” Pegou-lhe na palma e repetiu o processo e de novo o crucifixo começou a descrever círculos por cima da mão dela.

“Tas a ver, isto não falha nunca. Dá cá a tua mão Zi.” Ela na expectativa estendeu-lhe a mão e todos olhamos atentamente enquanto o pêndulo improvisado andava para trás e para a frente em linha recta.

“Nem duvides que vais ter um rapaz” disse o Pedro com uma certeza capaz de convencer o mais incrédulo.

E como que para tirar a prova dos nove, virou-se para mim e ordenou: “Dá cá a tua mão. já agora tiramos as dúvidas todas.”

Eu ainda quis perguntar se não era apenas p’ra mulheres grávidas, mas ele não me deu tempo e com uma mão segurou na minha virando a palma para cima e com a outra pôs o pêndulo bem vertical com uma prática que não deixava lugar a dúvidas quanto à sua eficiência.

Quase imediatamente o pêndulo começou os movimentos para trás e para a frente como se uma mão invisível o estivesse a empurrar.

“Se ainda tinhas dúvidas podes deixar de as ter e ir pensando num nome para rapaz.” Exclamou com ar sério e deu por terminada a sessão colocando de novo o fio ao pescoço.

Contra os pêndulos não há argumentos.

 

Rique Nunes

Foto: 1.bp.blogspot.com

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Kiss, kiss. Bang, bang!

 

celmira

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É altruísmo ou egoísmo?

 

Hoje o artigo que vos trago não é meu. Vou partilhá-lo porque descreve muito daquilo que defendo. Para o bem e para o mal. Espero que gostem.

Altruísmo ou egoísmo?

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por Renato Mayol

“O egoísmo, impulso natural de preservação dos próprios interesses a despeito dos de outrem é, em maior ou menor intensidade, próprio da espécie animal. No homem, esse impulso é fator limitante da expansão da consciência fazendo com que a sua restrita percepção do Todo passe a ser mais limitada ainda. Será que o antídoto para isso residiria no amor desinteressado e abnegado ao próximo, na filantropia, na bondade ou, de um modo geral, no altruísmo?

Mas, o que é ser altruísta? É atender os desejos egoístas dos outros? É violentar continuamente os próprios desejos? É sacrificar-se constantemente? É dar aos outros tudo o que os outros querem, ou tudo o que os outros acham que precisam? Sacrificar-se, reprimir-se e prestar-se servilmente às necessidades, aos caprichos e às vontades dos outros, em detrimento consciente ou não de si mesmo, não é ser altruísta – é ser tolo, inseguro e com baixa autoestima. Exemplos disso os temos no comportamento de muitos pais, filhos, esposas, maridos, parentes e tantos outros que, vítimas de chantagem emocional, têm sua mente submetida à tirânica vontade de outros, sejam esses quem forem.

Altruísmo é fazer o próprio papel na vida, por gosto e vocação, com dedicação e empenho, da melhor forma possível, dando aos outros o exemplo do bom exemplo, mesmo que isto custe algum sacrifício. Altruístas os temos nos Doutores da Alegria, nos Médicos sem Fronteiras, nos Corpos de Bombeiros, nos Anjos da Estrada, nas Delegações da Cruz Vermelha. Da mesma forma, exemplos são encontrados nas vidas de Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá e Albert Schweitzer, entre outros que mostraram que ser altruístas é preocupar-se com o próximo, sem distinção de idade, género, credo, raça, nacionalidade, opinião política ou hábitos. Além disso, a rigor, somos todos benfeitores anónimos sempre que, com o dinheiro público, os governantes dignos e honestos executam ações para atenuar a cruel desigualdade social – o que infelizmente não ocorre tão amiúde quanto seria necessário.

Ser altruísta é respeitar e amar o próximo como a si mesmo, fazendo-se também respeitar. É não tirar e nem desejar o que é dos outros e não deixar que os outros lhe tirem o que poderá vir a lhe fazer falta. Portanto, ser altruísta é também preocupar-se consigo mesmo. É ser egoísta com o próprio EU interior. Aquele EU mais íntimo e mais elevado que existe em cada um e que anseia pelo Bem e pela Paz mundial.

Egoísmo e altruísmo – na superfície, tão antagónicos, porém, quão parecidos quando praticados nas suas formas mais puras, e é na sua alternância que, aos poucos, aprende-se a sabedoria do desapego e descobre-se que egoísmo e altruísmo nada mais são do que diferentes faces de uma mesma quimera. Além disso, apegar-se a quê? Se nada do que é material é eterno… e se a própria Terra após cumprir com seu propósito também irá desaparecer. Melhor é acumular emoções resultantes de sentimentos que ampliam a consciência, dando-nos vislumbres de outras dimensões e possibilidades. Sentimentos tais como o amor, a felicidade, a harmonia, a paz e o perdão.

Tudo isso é qualitativamente diferente e esse tipo de acumular, no fim, revela-se um ajuntar ao inverso, pois quanto mais Amor você dá, mais Amor você recebe, e este receber aos poucos esvazia você sempre mais e mais, a ponto de finalmente o Todo caber em você, e você se tornar Um com Ele, passando então a SER.

Por isso, quando o desejo de TER já enfastiou, começa a busca de algo diferente e imorredouro. Uma busca cujo sucesso depende de um trabalho ativo para se alcançar um estado passivo, onde o egoísmo e o altruísmo se anulam, e o SER finalmente nos inunda. E se você “É”, como pode “DAR”? Para dar, você tem que possuir, porém, se você “É”, você está em tudo e tudo está em você – tudo o que existe, tudo o que existiu e tudo o que existirá!”

Renato Mayol

Fonte: http://somostodosum.ig.com.br

Foto: http://www.gepazebem.org


 

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Pessoas “mentalmente doentes” funcionam melhor como líderes

 

Hoje trago-vos uma sugestão de leitura. Um livro provocador que nos remete para algumas reflexões interessantes do ponto de cista da liderança. Sobretudo em temos de crise como a que vivemos.

O que impede um líder de desistir em tempos difíceis? Que qualidades deverá ter para conseguir a resiliência necessária para vencer obstáculos, e que na maior parte das vezes se afiguram intransponíveis?

Segundo o autor (Nassir Ghaemi), em alturas de crise, as pessoas “mentalmente doentes” funcionam melhor como líderes, são mais obstinados, mais criativos, mais empáticos, mais realistas e mais resilientes. 

Bem, começo a entender o perfil e a assustar-me também! No fundo sabia, mas agora confirma-se! De facto só uma dose de loucura muito grande me empurraria para a Educação e para a Área Social, mas centremo-nos no LIVRO, porque de líder, tenho pouco!

Este livro, apresenta-nos uma visão inovadora e polémica sobre as frágeis ligações entre doença mental e liderança e defende uma tese controversa: as principais características dos que sofrem de perturbações de humor – realismo, empatia, resiliência e criatividade – são também as que fazem deles os melhores líderes em tempos de crise. 

Perceba de que forma como o realismo depressivo de Martin Luther King o motivou a contestar a violência; como o lado maníaco do General Sherman o conduziu a estratégias de sucesso e como a aparente “normalidade” de George W. Bush o impediu de estar à altura de uma crise mundial. Interessante!

Ghaemi diz-nos que muitos estudos demostram-nos que existem benefícios (do ponto de vista da liderança) em ser-se obsessivo e ou depressivo:

“A criatividade e a resiliência são maiores em pessoas que sofrem de obsessão. A perceção da realidade e a empatia são-no em pessoas com depressão. O problema associado à saúde mental é o de, na maioria dos líderes saudáveis, não reunirem o necessário destas caraterísticas para conseguirem corresponder às mais elevadas exigências das crises.”

O que não deixa de fazer sentido, sobretudo quando defende que o motivo pelo qual pessoas mentalmente saudáveis estão em desvantagem perante momentos de crise é o que a psicologia chama de “suave ilusão positiva”.

Significa que Nós pensamos que somos um pouco mais inteligentes e mais bem-parecidos do que realmente somos. Temos a tendência de sobrestimar o controlo que temos sobre o nosso ambiente. Isso é bom em circunstâncias normais. Essa maior confiança pode mesmo ajudar-nos a conseguir maiores ganhos, mas um líder político precisa mais de ser realista do que otimista para bem desse mesmo otimismo”.

Fiquei esclarecida. Viva à loucura e a falta de “normalidade”, mas disto, estamos fartos ouvir de falar, não é? 😉

Kiss, Kiss!

 

 

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celmira

Autoestima: a chave para o sucesso na Educação (Especial)

 

A auto-estima define o valor que damos ao que somos e ainda, descreve o modo como nos confrontamos com as contrariedades da vida, regulando a energia necessária em cada situação.

Esta nossa energia não é uma constante na nossa vida (infelizmente), pois depende do que pensamos sobre as nossas capacidades num determinado momento, ou do que nos fazem pensar as pessoas que nos rodeiam.

Ter uma boa autoestima e sabe utilizá-la no momento certo, pode ser a chave para o sucesso de um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças. E devemos nela apostar desde cedo na Educação, seja ela regular ou especial.

Quando particularizo na Educação Especial, é por sentir (e presenciar) que muitas crianças e jovens com Necessidades Especiais – NE (Deficiência…) são os primeiros a levar atropelos contantes na autoestima. Todos os dias alguém (que se esquece das suas próprias incapacidades) teima em lembrar-se das incapacidades destas pessoas.Levando-as a considerações fragilizadas de si próprias e daquilo que são capazes de fazer. E que, em muitos casos, são extraordinários até!

Por isso mesmo, todos/as (cuidadores/as e educadores/as) temos de ter consciência do que significa exatamente a autoestima e de como a podemos reforçar (em nós e) nos outros/as:

  • Auto-estima: Ter uma imagem positiva de si mesmo, estar satisfeito, manter boas relações consigo mesmo;
  • Auto-motivação: Capacidade de auto-motivar-se e implicar-se emocionalmente em atividades diversas da vida pessoal, social e profissional;
  • Atitude positiva: Capacidade de ter uma atitude positiva face à vida. Sentir-se optimista ao enfrentar os reptos diários;
  • Responsabilidade: Intenção de se implicar em comportamentos seguros, saudáveis e éticos. Assumir a responsabilidade na tomada de decisões;
  • Análises críticas de normas sociais: Capacidade para avaliar e receber criticamente as mensagens sociais e culturais, relativos a normas sociais e comportamentos pessoais;
  • Mobilizar ajuda e recursos: Capacidade para identificar a necessidade de apoios, assistência e saber aceder aos recursos disponíveis.

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A autoestima desenvolve-se na relação que estabelecemos com os outros, pela observação das condutas ao longo da vida, da imagem que nos passam as pessoas com as quais nos relacionamos, pela comparação social e temporal connosco próprios, pelas metas que alcançamos, e pelo feedback que recebemos, etc.

Em muitas situações, contudo, os obstáculos impostos por algumas experiências negativas, conseguem desafiar a nossa autoestima, tal como o fazem as pessoas que nos rodeiam, com os seus comentários ou com as suas mensagens recriminadoras.

Muitas vezes também, não conseguimos reparar sozinhos a nossa autoestima, precisamos que os outros/as, aos quais estamos ligados afetivamente, nos ajudem neste caminho. Atrevo-me a dizer que uma boa autoestima é o ingrediente mais importante da construção de uma vida de bem-estar e de sucesso.

Nesse sentido, enquanto educadores, devemos ser capazes de agir no sentido de sermos promotores da auto-estima das crianças. Em baixo deixo-vos  alguns indicadores de como identificar uma alta ou baixa autoestima nas crianças e quais as suas consequências na sua forma de sentir, pensar e agir:

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O que sente uma criança com uma autoestima sã:

  • Sente um grande orgulho pessoal pelos seus sucessos;
  • Sente-se igual aos outros/as;
  • Sente-se satisfeito/a consigo mesmo.

O que pensa uma criança com uma autoestima sã:

  • “Gosto do meu desenho”;
  • “É difícil montar este puzzle, mas acredito que sou capaz”;
  • “Que bem que fiz isto”;
  • “Não me saiu bem, mas não importa, poderei melhorar da próxima vez”;
  • “Fiz tudo o que era possível da minha parte”;

Como age uma criança com uma autoestima sã:

  • Fica orgulhoso/a dos seus sucessos;
  • Atua com independência;
  • Age com autonomia;
  • Assume as suas responsabilidades com facilidade;
  • Sabe aceitar as frustrações;
  • Enfrenta novos desafios com entusiasmo.

 

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Vejamos agora como se sente uma criança com uma baixa autoestima e como podem os adultos ajudar a reforçar ou a reconstruir essa auto-estima.

O que sente uma criança com uma auto-estima baixa:

  • Sente-se infeliz, triste, desgostoso/a;
  • Sente que os outros/as não o/a valorizam;
  • Sente-se impotente.

O que pensa uma criança com uma autoestima baixa:

  • “Nunca desenho nada bonito”;
  • “Ninguém quer jogar comigo”;
  • “Nunca faço as coisas bem”;
  • “Tudo me sai mal”;
  • “É difícil, não consigo, vai sair mal”.

Como age uma criança com uma autoestima baixa:

  • Evita as situações que lhe provocam ansiedade;
  • Desvaloriza os seus dotes naturais;
  • Culpa os outros dos seus fracassos;
  • Deixa-se influenciar por outros com facilidade;
  • Coloca-se na defensiva e fica frustrado facilmente;

 

As indicações que dei aqui, assumem uma perspectiva de “conhecer para intervir”. Neste caso, conhecer a forma de pensar das crianças, pode ajudar-nos a perceber como se sentem para as ajudarmos.

 

 

Kiss, kiss!  Bang, Bang!
celmira

 

Fonte: Livro Escola de Pais.nee – Guia de Formação Parental no âmbito das NE. Edições Pedago. À venda na Associação Leque.

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Gravidez: deixar o choro para quem percebe do assunto (por Rique Nunes)

 

Às 14:00 chegou a nossa amiga Mizé “Apressadapreocupadaestressada” da Silva, e com um olhar meigo e inocente disse “Atrasei-me um pouco, Henrique. Mas agora vamos trabalhar até à noite, sem parar, e vais ver como adiantamos o trabalho.”

“Tá bem Mizé, mas primeiro vamos almoçar p’ra começares a trabalhar com mais energia, porque estás com aspecto de quem acabou de sair de Auchwitz”

“ Ó pá, eu estou com um stress em cima que tu nem imaginas, mas enfim…. Então, e tu Zi, como te sentes hoje?”

A Zi responde com o seu optimismo do costume “Nada bem, Mizé. Sinto-me terrível”.

“Tu não te preocupes que isso é só nos primeiros 3 ou 4 meses.”

“O quêêêêê??? Então ainda tenho que aguentar mais de um mês neste estado? Ó Mizé por favor não me digas issooo.”

“Ai digo digo… Mas o lado positivo é que quanto mais difícil for no princípio, mais fácil é no fim da gravidez e no parto. Eu também passei mal no princípio, mas quando tive o Pedro, olha, foi fácil. Estava tão concentrada a fazer palavras cruzadas que só reparei que já tinha nascido quando o vi nas mãos da parteira.  Henriqueee, não me enchas mais o copo que temos de ir fazer a tradução.”

Mas quando acabou de falar já o copo estava cheio e ela com cara de vítima esvaziou-o num abrir e fechar de olhos.

Quando se sentou frente ao computador, os dedos dela pareciam um bando de pica-paus histéricos e dopados, pela forma como atacavam o teclado, e a tecla [Delete] não era das menos atingidas.

Sentado no outro computador, e trabalhando a um ritmo mais moderado, eu pus música para alegrar o ambiente e entre as velharias que tocaram lá veio uma dos Beatles, e diz a Mizé sem deixar de bater furiosamente nas teclas “É pá, eu lembro-me de quando saiu esta música. Eu era muito pequeeeena…”

“Ó filha, desculpa mas quando esta música saiu tu ainda não passavas de um brilhozinho cintilante no canto do olho do carteiro.”

Ela parou de dar pancada nas teclas e olhou boquiaberta para mim. Cruzou os braços e com ar indignado, exclamou “Sinceramente!”. E concentrou-se de novo no ataque às teclas.

 Meia hora depois, “Henrique, ainda ficou algum vinho na garrafa?”

“Ya. ‘Péra aí q’eu vou buscar.”

Qualquer motivo serve de desculpa para sair da frente do computador.

A caminho da cozinha passei pela sala e mandei um beijo prá Zi que encolhida no sofá via televisão. “Oi kida linda, tás bem?”

“Tou, mas sinto-me tão sozinha aquiiii…” Mas o olhar dela parecia querer dizer “Tou nada! Daqui a pouco vou começar a chorar e não me perguntes porquê”.

Voltei à pressa com o copo de vinho para junto da Mizé, que continuava empenhada em acabar com o pobre do teclado, e sugeri de forma convincente que o vinho saberia melhor se fosse bebido num pequeno intervalo ao lado da Zi, que nesse “momento delicado precisava de alguém com quem pudesse ter uma conversa animada e sorrir um pouco…”

A Mizé levantou-se imediatamente, o teclado dela suspirou de alívio, e eu acompanhei-a  a ela e ao copo com um olhar de agradecimento até à porta do escritório. Com a aconchegante sensação do dever cumprido, sentei-me decidido a dar uma produtiva massagem ao meu teclado.

Assim dava gosto trabalhar. A música estava baixinho e permitia ouvir os pássaros lá fora. Até o raio do estorninho que geralmente cantava mais desafinado do que um corvo, hoje parece que teve lições de canto com um canário.

 

5 horas e uns trocados;

Quando a noite se pôs de propósito à frente do sol e começou a não deixar ver nada lá fora, e o estorninho já tinha ido para o ninho ou para a barriga de algum gato, decidi fazer um intervalo e ver como estavam os ânimos na sala.

E lá fui dar com as duas sentadas no sofá, abraçadas e a chorar como duas Madalenas arrependidas! Raios, parecia que estavam a lacrimejar à desgarrada.

“Vá raparigas, então que é isso? Vocês querem arruinar-me o soalho?”

Elas a duras penas conseguiram expelir meio sorriso e eu achei melhor bater em retirada para o escritório, adiar o intervalo e deixar o choro para quem percebe do assunto.

 

Rique Nunes

Foto: vigilantesdaautoestima.blogosfera.uol.com.br

 


 

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Escola de Pais.NEE no Faial (Açores)

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Para os Interessados/as mais uma Edição da Escola de Pais.nee, a décima! Desta vez como Formação de Formadores!

Kiss, Kiss! Bang, Bang!

Celmira Macedo

Onde começa a mãe e onde termina a mulher? (por Manuel Gomes)

 

A mulher e a mãe! Onde se encaixam? A sociedade ensina-nos desde muito cedo a fazer a distinção homem/ mulher, e que cada qual se deve comportar de acordo com os valores que essa mesma sociedade impõe.

Esta visão demarca posições bem definidas para os dois sexos, dá-nos estatutos diferentes e distintos perante a sociedade.

Assim a mulher é vista como um ser humano mais frágil, mais sensível mas a quem é destinada a maternidade.

A mulher, ao longo da vida, vai-se moldando á educação que teve, aos valores que a sociedade onde cresceu lhe transmitiu e ás próprias vivencias.

A maternidade faz parte da essência da mulher mas não é vista por todos de igual modo nem vivida com a mesma intensidade mas uma coisa é certa, a maternidade muda qualquer mulher.

E esta mudança começa no momento em que a mulher sabe que está grávida. Desde esse momento passamos a viver e a pensar em função desse pequeno ser humano que carregamos no ventre e a quem vamos dar vida. Alteram-se comportamentos tidos como pouco saudáveis, modera-se a alimentação, o exercício físico, os esforços,etc. Vamos às consultas marcadas religiosamente e até fazemos todos aqueles exames pouco agradáveis.

A primeira grande emoção é a primeira ecografia em que vemos o coraçãozinho do bebé a bater e aí temos a certeza que vamos mesmo ser mães. E é oficial, a mulher passa a ser mãe definitivamente. É como se encontrássemos a nossa outra metade. Mulher e mãe completam-se e encaixam-se na perfeição, como duas peças de um puzzle.

Depois vem os primeiros pontapés e a certeza que ele está lá e está bem.

Rapidamente passa a gravidez e chega o momento do nascimento.

E nasce finalmente o nosso bebé. Aquele ser humano tão pequenino, tao frágil, indefeso a quem passamos a chamar filho. A vida não vais voltará a ser igual. Aquele bebé vai fazer parte do resto da nossa vida.

A mulher não voltará a ser apenas mulher mas sim mulher e mãe! Agora começa a fazer sentido a palavra mãe.

Ser mãe a partir deste momento é amar, cuidar, acarinhar, alimentar, educar, dar colo, dar mimo e carinho. É um compromisso para o resto da vida.

Depois eles crescem rapidamente, vão ganhando autonomia e nós amparamos, ajudamos  e orientamos esta independência. Apesar de se tornarem cada vez mais independentes, os pais continuam a lutar para que nada lhes falte.

E se um dia eles ficam doentes, esquecemos tudo e todos para  centrarmos todo o nosso mundo apenas no sofrimento do nosso filho e partilhar com ele cada gemido.

Tudo isto não quer dizer que a mulher se anule enquanto mulher. Haverá sempre tempo e espaço para se ser mulher, é apenas uma questão de organização. É claro que temos menos tempo para nós mas o nosso filho preenche essa lacuna na perfeição.

E eles continuam a crescer. Vão estudar para fora, morar sozinhos, namorar, quem sabe casar… Mas o laço afetivo jamais se irá quebrar.

Pessoalmente, a coisa que mais me realiza enquanto mulher, é ser mãe!

Os meus filhos completam-me, fazem-me sentir feliz e realizada. Tornaram-me uma pessoa melhor, mais sensível, carinhosa, tolerante, mais preocupada com os outros e mais solidaria.

Ensinaram-me a ver o mundo de outra forma! Ensinaram-me a ser feliz!

Eu sou mulher, sim, mas não estaria completa se não fosse mãe!

Obrigada aos meus tesouros por fazerem parte da minha vida!

Manuela Gomes

 


 

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celmira

 

 

Sou pelas palavras! (por Ana Beja)

 

Sou pelas palavras. Gosto de falar e de pessoas que falam. Pessoas que dizem o que pensam e o que sentem, sem ferir nem magoar. Gosto de pessoas frontais, sem rodeios, com ideias simples e claras.

Não gosto de floreados, de falar nas entrelinhas, de meias palavras, de indiretas.

Gosto de quem fala olhos nos olhos, quem nos encara pela frente e que nos diz a verdade por muito que doa.

Gosto de abreviar. Dizer logo o que há para dizer. Não ficar engasgada.

Gosto de desabafos. Mesmo aqueles com a voz embargada. Gosto de quem fala com o coração e nos toca na alma. E para isso há que saber ouvir. Ouvir as palavras do outro. Senti-las e torná-las nossas, nem que seja por um  momento. Gosto de quem sabe guardar palavras. Aquelas que muitas vezes nos saem em desabafo e com a tal voz embargada e que só partilhamos com quem sabemos que nunca as vai repetir.

Gosto do som das palavras. Do tom, da entoação, do timbre. Gosto de mesas onde se fale. Não gosto do silêncio de uma mesa cheia. Gosto de ouvir quem sabe falar. Não gosto de pessoas sem palavra. Que as usam de boca cheia e pensam que palavras leva-as o vento. Gosto de palavras úteis.

 

Que constroem.  Que nos ajudam.

 

Sou pelas palavras. Sempre

 

 Foto: http://www.prodecor.pt/


 

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Inclusão?! Ou nos entendemos ou nunca lhe poremos a vista em cima!

Hoje o texto é pesado e sentido de coração. Surge numa fase difícil em que o trabalho e a luta se avolumam e a saúde se mantém frágil e teima em não acompanhar a hiperatividade e as ânsias da mente. Assumo-me como uma “fazedora”, numa sociedade que teima em dividir-se entre os “fazedores” e os “faladores”. Cada vez tenho mais dificuldade em conviver com este tipo de cultura. Respeito muito quem fala com conhecimento de causa e acrescenta por isso, valor às ditas causas.
 
E se é fácil ser “falador”, ser “fazedor” cansa muito, pois muitas são as angústias pelas quais passa em Portugal. Os “fazedores” erram muito, por isso também lhes cai tudo o mundo em cima: críticas, pontapés verbais, levam com tudo. Só não levam com contribuições.
 
E não estou a falar de contribuições monetárias (essas também seriam bem aceites, mas não é o caso). Falo de contribuições sérias; ideias construtivas; sugestões estruturadas baseadas na experiência, nos erros;  indicações de caminhos a seguir.
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Não, isso é pedir demasiado!
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Em Portugal valorizamos os “faladores”, ou seja os refletem muito, escrevem e falam muito sobre o assunto, mas pôr a mão na massa, isso já são “outros trezentos”. Sabem sempre fazer melhor, mas não dizem é como.
 
O texto que me traz hoje aqui é Inclusão. Esse grande monstro paradigmático pelo qual lutam milhões de pessoas todos os dias, porque é um direito! Mas mesmo neste capítulo surge a guerra entre os “fazedores” e os “faladores”.
 
Revisito Paulo Freire, e acrescento, tal como a cidadania, a Inclusão não se escreve apenas, VIVE-SE ou seja FAZ-SE! E neste campo andamos a misturar peras com maçãs. Sobretudo andamos a esquecer-nos que a inclusão apenas se edificará nos consensos, na união, no respeito e na diversidade (até de opiniões).
Não queremos todos/as uma sociedade de participação equitativa, onde todos/as são aceites e respeitados/as naquilo que os/as diferencia dos outros/as? A meu ver esta luta assume quatro frentes, todas diversas mas com esse denominador comum:
 
1.  A Guerra com o poder político/normativo que a nível macrossistémico deve ser permeável aos interesses de todos/as os Cidadãos /ãs;
2. A Guerra com as Instituições;
3. A Guerra com a Sociedade Civil;
4. A Guerra com as Escolas e o Sistema Educativo.
 
Vamos por partes.
 
1. A Guerra com o poder político/normativo
 
Os normativos legais têm cada vez mais de se adequarem às necessidades, interesses e idiossincrasias das populações. Não podem continuar a ser uns quantos treinadores de bancada, catedráticos de gabinete, que o maior contacto que tiveram com a Escola foi quando lá andaram, e agora de longe, decidem o que nela vai acontecer. Pondo em risco, por uma má decisão (ou várias), a vida de milhares de alunos/as e famílias. Cada vez mais as famílias e Associações que as representam devem ser ouvidas! E nisto há consenso entre “fazedores” e “faladores”. Onde me parece não haver consenso é que, não é com guerras que lá vamos! 
E lei devia ser feita pela experiência do “fazedor” e não do “falador”.
 
2. A Guerra contra as Instituições
 
Parece estar na moda dar porrada às Instituições. E eu concordo, mas há que acautelar excepções. Que existem e muitas!
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É verdade, há muito que refletir sobre modelos bacocos e bafientos de organização social, verdadeiros guetos, que já não se enquadram nas politicas sociais atuais, nem tão pouco se adaptam às novas realidades e necessidades da famílias. Com os apoios que recebem, devem no mínimo, estar atentos a novas práticas ou tentativas de caminhar no sentido da participação comunitária da sua população-alvo e da sua Inclusão Social/laboral.
Os CAOs (Centros de Atividades Ocupacionais), são disso um exemplo. Alguns têm recursos, mas continuam a reter os seus “utentes” dentro das paredes das IPSSs. E porque não criar protocolos de integração destes jovens e adultos,  para o desempenho de funções profissionalizantes no tecido empresarial comunitário? 
 
Nós fazemos isso a partir da Associação Leque e não somos CAO. E nem apoios do Estado temos!
 
A Associação Leque tem provado ser e excepção que confirma a regra, por conter medidas de modelo de organização social mais inclusivas. E temos pago a fatura por isso. E como?
Pelo desprezo de instituições homólogas e a antipatia de quem as preside ou defende. E, mais, este tipo de inovação, faz com que as respostas que propomos não se enquadrem nas respostas previstas na lei. Reparem que ate à data nunca fomos apoiados pelo Estado, precisamente por não acreditarmos na institucionalização e por apresentarmos modelos de organização diferenciados e inovadores. 
 
O que seria uma luz no fundo do túnel no caminho da Inclusão, também parece não receber os consensos dos “faladores”, que se dizem defensores de uma nova agenda para as Instituições no Terceiro Sector. Mas defender isto, não implica estar atento ao que de novo se faz por este país fora? Ou o país termina em Coimbra? Não seria de incentivar os “fazedores” que pelo menos TENTAM romper barreiras? Dever devia, mas lá vem a cultura do dizer mal, a falar mais alto.
 
Para melhor perceber esta questão, explico as nossas tentativas “falhadas” no caminho da Inclusão. E são dolorosamente muitas e castrantes:
 
a) ATL INCLUSIVO – Espaço de Ocupação de Tempos Livres, aberto a crianças e jovens com e sem Necessidades Especiais (NE). Quando o dinamizarmos pela primeira vez, tivemos alguma adesão. Acreditei que poderíamos daqui a uns anos ter uma comunidade melhor, já que crianças e jovens brincavam e relacionavam-se com os seus pares num meio o “menos restritivo possível”. Era uma inocente na altura, já que, 2 anos depois, um empresário motivado pelo sucesso das nossas práticas, resolveu tirar a sustentabilidade da a Associação e abriu um ATL. Este sim, o menos restritivo possível, ou seja, onde não se aceitam crianças/jovens com NE.
Resultado: 90% dos pais das crianças ditas “normais” (e este normais tem tantas aspas que se as colocasse todas ficava com limitações de espaço!!!) tiraram os filhos/as do ATL Inclusivo: “Doutora, não é o meu caso, mas os pais/mães dizem que não estavam a gostar das misturas, e a minha filha quer brincar com as amigas e também a vou tirar daqui”.
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Então. Vamos continuar a falar de inclusão? Ou de tentativas de a levar a cabo?
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b) Centro de Turismo Rural Inclusivo
O único do país, recebe crianças e jovens e funciona como um respiro para as famílias, que podem aqui deixar os filhos/as durante uma semana e ir de férias. No primeiro ano, quando começamos a publicitar a iniciativa tivemos inúmeras inscrições.
Resultado: 100% de pais de crianças ditas “normais” (e volto a referir que “este normais” tem tantas aspas que se as colocasse todas ficava com limitações de espaço!!!) desmarcaram a inscrição quando souberam que os filhos/as iram fazer férias com crianças com deficiência.
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É uma questão cultural ou regional? Não, não é, foram pessoas  de todo o país!
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Vamos continuar a falar de inclusão, ou de tentativas de a levar a cabo?
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Os “fazedores” convidam os “faladores” e quem saiba mais do que nós a sugerir, não uma agenda mas soluções reais para um problema real. O que estamos a fazer de errado?Querem continuar a dar porrada em Instituições que tentam ser inclusivas? Ou chegam os exemplos, porque há mais!
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c) Inserção de jovens a partir dos 18 anos na em oficinas profissionalizantes na comunidade:
Conseguimos depois de muita luta ter 3 empresas, em mais de 30 do concelho, que aceitaram que os nossos frequentadores fossem estagiar nas suas instalações, para ganharem competências profissionalizantes (cabeceiro, oficina de estética, mecânico). Com o objetivo de no futuro inseri-los no mercado de trabalho. Queríamos mais, sim claro, mas  a resposta é “Não”! “Sabem, as pessoas não querem misturas”. 
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E então querem continuar?! A mim chega-me e esgota-me, espero que também baste e esgote os “faladores”!
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3. A Guerra com a Sociedade Civil
 
Afinal é aqui que teremos de concentrar a nossa atenção. Estes são os aliados/as que precisamos. Os pais/mães “não querem misturas”, os donos/as de empresas “não querem misturas”, afinal onde estamos a errar? E sim, já fizemos formações, reuniões, conferências, ações de sensibilização, envolvimento comunitários, provas de capacitação, mostramos que estas pessoas são válidas e um contributo para a sociedade. Continuamos a ouvir NÃO! Mas entrar em guerra de nada nos serve! Que dirão os “faladores” sobre isto?
 
 
4. A Guerra com Escolas e o Sistema Educativo
 
Tenho tido a sorte de estar no terreno, nas escolas, na formação de professores, no Terceiro Sector e o quadro é o mesmo. “Fazedores” e “faladores” em confronto! E meus amigos e minhas amigas, assim nunca chegaremos ao caminho da Inclusão!
Há uma grande luta no ar, luta que defendo desde de que me conheço como profissional. E não, não sou treinadora de bancada, sou a pessoa que está no terreno e sei. Preferia não saber, mas sei como são tratados as crianças e jovens com NE, em algumas Escolas por esse país fora.
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Sei, não porque me contaram, sei porque vi e vejo. Sei porque me parte o coração. Sei porque tive de as defender e lutar por eles/as para poder dormir com a consciência tranquila à noite. Por isso me dói tanto quando sugerem que o que faço não é Inclusão.
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Caros pais e mães, se a Escola fizer bem o seu papel, as Instituições que não se rejam por novas práticas fecharão portas. E assim será. As Instituições serão o menor do vosso (nosso) problema. Ninguém obriga os pais a colocarem os filhos nas instituições, ou obriga? Por isso concentremos a nossa atenção aqui: Na Escolaridade Obrigatória! O que já vivi e vi nas Escolas deixará qualquer um horrorizado. Frases como:
 
“Eu não quero aquela coisa na minha sala”
 
” Estes seres não deviam estar aqui”
 
” Eu até tento, mas repugna-me”
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Ecoam por ALGUMAS reuniões  e ALGUMAS salas de professores/as.
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Estas expressões, mostram bem o que pensam ALGUNS docentes, quais as suas representações sobre as NE. E estas verborreias são ditas sem censura, porque quem as diz, não se retrai nem um pouco de as dizer! Mas a estes pelos menos ninguém os crítica, sabem porquê? Porque são os primeiros a dar palmadinhas nas costas dos pais/mães e diretores/as. São consensuais. Toda a gente gosta deles, simplesmente porque andam ao som da corrente e não dão pedradas no charco. Nem são “fazedores” nem “faladores”, mas são estes que avaliam e são estes os que são ouvidos pelos “faladores”.
Salvaguardo no entanto, os BONS professores/as que existem por esse Portugal imenso. Lutadores e nobres, porque se importam, mesmo quando são abalroados! 
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Meus amigos/as chega!
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Ou remamos todos para o mesmo lado, ou à Inclusão, nunca lhe poremos a vista em cima! Podem mudar as leis, pode mudar o mundo, mas na verdade o que tem de mudar são as mentalidades!
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E só a convergência de opiniões consegue esse feito!
 
A Inclusão não se escreve, faz-se, e faz-se de tentativa e erro, todos os dias. E quem sequer tenta, devia ter o todo o nosso crédito, porque são essas pessoas “fazedoras” que tal como os vossos filhos/as, são alvos fáceis de exclusão! Mas também serão essas pessoas que farão mudar o mundo!
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 Desculpem a frontalidade, mas pensem nisso!
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Kiss, kiss!  Bang, Bang!
celmira

Escola de Pais.NEE premida nacionalmente como ES+

 

Cinco anos depois de implementada a primeira formação Escola de Pais.NEE em Bragança (2009), mais de 500 famílias foram já formadas com base neste Modelo. Formamos também mais de 100 formadores e, através do livro estão já envolvidas no projeto mais de 2000 pessoas.

Cinco anos depois de me terem dito que formar famílias era discriminá-las.

Cinco anos depois de muitas críticas de “Especialistas” na área, que se contorciam em atribuir-lhe caraterísticas que esta formação não tem, só porque se chamava “escola”. Sem terem o cuidado de perceber que não assenta numa visão reducionista de currículo e sim na partilha entre pares e nas necessidades e interesse das famílias que dela beneficiam.

Mais que uma formação, e Escola de Pais.NEE é uma filosofia de vida! E foi inovadora em Portugal! E não, não resultou de uma mente brilhante de algum grande teórico ou catedrático! Resultou minha mente, humilde e baça!

Às críticas respondo apenas assim: como todos os projetos inovadores, este também encerra as premissas de Arthur Schopenhauer, fazendo um paralelismo com as grandes verdades. Primeiro são ridicularizadas, depois, violentamente contestadas e finalmente aceites como evidentes.

E a evidência chegou.

No passado dia 21 de Janeiro, o projeto de Formação Parental – Escola de Pais.NEE  foi reconhecidos como projeto ES+, no âmbito da Conferência “Mapa de Inovação e Empreendedorismo Social”, desenvolvida pelo Instituto de Empreendedorismo Social – Social Business School e pelo Instituto Padre António Vieira, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A distinção visou sinalizar projetos e iniciativas a nível nacional e internacional com “Alto Potencial de Inovação e Impacto Social”.

Num total de 4466 projetos a nível nacional, somente 134 foram selecionados e eu fui a única empreendedora social a arrecadar dois prémios. Nada mau!

Estes projetos estão agora compilados num livro, que serve como uma plataforma de consulta para investidores, que vejam no empreendedorismo social uma oportunidade de mudar a sociedade através de um investimento de dimensão social.

Espero que o selo ES+ sirva para tornar evidente a necessidade de formar as famílias e replicar esta formação . Claro que do ponto de vista do empreendedorismo social que sirva então para cativar mais parceiros e investidores na disseminação da Escola de Pais.NEE por todo o país e além fronteiras.

Um abraço muito apertado a todas as famílias, com quem muito aprendi e aos profissionais formados por mim, ou os que através do livro têm vindo a dinamizar estas formações pelo país inteiro:

– Bragança (2009)

– Alfândega da Fé (2010)

– Mirandela (2011)

– Macedo de Cavaleiros (2012)

– Ilha Terceira (Açores) – Formação de Formadores (2012)

– Alentejo – Formação de Formadores (2013)

– ISCE Mangualde – Formação de Formadores (2012)

– ISCE Felgueiras – Formação de Formadores (2012-2014)

– Lousada mini Formação de Formadores (2014)

 

Próximas Formações:

Mogadouro (Fevereiro de 2015)

Ilha do Pico – Ações (Fevereiro 2015) – Formação de Formadores

 

Tem interesse em participar ou dinamizar esta formação, contacte: celmira.macedo@leque.pt

Tem Interesse em adquirir o livro contacte o geral@leque.pt

 

Kiss, Kiss! Bang, bang!

celmira