Monthly Archives: Janeiro 2015

Encarar os nossos medos e enfrentá-los! (por Manuela Gomes)

O Desafio lançado pela amiga Celmira Macedo e incentivado pela psicóloga que me acompanha, foi publicado em forma de testemunho e teve um efeito muito positivo. Ajudou-me a perceber que afinal estes pensamentos não são assim tão descabidos. Afinal, outros pais, tal como eu, têm medo de pensar nas coisas, quanto mais verbalizá-las. E o apoio que recebi dos vários comentários e mensagens deram-me força e alento para continuar esta batalha, enfrentar os problemas e lutar contra os meus medos. Assim, a melhor forma de encarar os nossos medos é enfrentá-los, obriga-los a sair cá para fora. E verbalizar. Não ter vergonha de dizer: -Eu tenho medo de perder o meu filho! Pronto! Está dito e dado o primeiro passo para o combater! A minha consciência sabe que que este pensamento é inevitável. Sei que a probabilidade de isso acontecer é muito grande, por outro lado acho que é um pensamento que vai contra a natureza humana. Os filhos podem pensar perder os pais. Quando forem velhinhos. Um dia…quem sabe! E nesse dia seremos órfãos de pais. Mas os pais não se preparam para ver partir um filho…jamais. É contra aquilo com que sempre vivemos. E quando assim for, que nome nos vão dar? Não existe nome precisamente porque é contra a natureza humana. Este pensamento leva-me a pensar (obrigo-me a isso) como vai ser a minha vida depois? Se eu vivo as minhas 24 horas em função do meu filho…quando ele não estiver vão sobrar essas 24 horas. Não haverá consultas, medicações, convulsões, dificuldade em comes, noites mal dormidas, no entanto, vai sobrar tempo para pensar, recordar, chorar…vai ficar tempo demais! E eu não posso permitir que a eventual partida do meu filho anule e apague tudo que nós vivemos. Será isso que me conduzirá em frente, será sempre ele a minha luz ao fundo do túnel. Tenho que aprender a ver esta situação como um legado que o meu filho me deixa. Eu não quero que a minha vida se torne triste, monótona e sem sentido e as memórias e recordações do meu menino não deixarão que isso aconteça. O meu filho faz-me sentir uma pessoa preenchida, útil, amada e abençoada, e se ele veio ao mundo com uma missão, eu já descobri qual é: tornar-me a pessoa que hoje sou, mais atenta, carinhosa, solidária, amiga, companheira. Foi ele que me ensinou a ser assim. OBRIGADA FILHO! Afinal, enquanto aqui estamos fazemos tudo para tornar os nossos dias inesquecíveis, aproveitamos cada momento, cada sorriso, cada olhar…isto vai ficar gravado no meu coração para sempre e vai ser sempre uma velinha acesa! Conto também com a família, alguns bons amigos e alguns técnicos de saúde que me tem dado todo o apoio. Aliás o facto de eu estar a escrever sobre este assunto faz parte de um “tratamento” e por incrível que pareça acho que está a resultar. E vamos vivendo, e lutando, e amando…todos os dias! Espero que outros pais se revejam neste testemunho e que, de alguma forma eu os possa ajudar. Querida Celmira, obrigada mais uma vez pelo teu apoio incondicional, obrigada simplesmente por seres quem és!  


A Manuela esquece-se que sou eu que tenho de agradecer! ❤ Kiss, kiss. Bang, bang! celmira

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Além de instruir, é preciso saber ouvir! (por João Santos)

 

Cada aluno tem a sua personalidade. Até aqui, nada de surpreendente. Porém, quem lida com alunos com necessidades educativas especiais apercebe-se e sente com mais intensidade essas diferenças singulares de personalidade. Sente, também, a necessidade de se moldar e adaptar ao perfil do aluno.

Neste processo educativo com alunos com necessidades educativas especiais, é frequente depararmo-nos com situações que, de algum modo, são pouco comuns numa sala de aula regular. São pequenos episódios focalizados, por vezes rotineiros, para os quais nem sempre estamos despertos.

No início de cada dia letivo, sobretudo na primeira aula, é normal o professor desencadear um pequeno diálogo com os alunos sobre algumas atividades desenvolvidas na véspera ou durante o fim de semana, se for o caso, e relembrar algumas das disciplinas ou áreas que irão frequentar, de acordo com o horário. Trata-se de um momento de acolhimento e de atenção para com os alunos e serve de contextualização e orientação para esse dia.

A este momento informal, segue-se a introdução e a explicação das atividades a desenvolver naquele período letivo, com a introdução de novos conceitos e ou a consolidação de outros supostamente já adquiridos ou em aprendizagem. Os alunos, debruçados sobre os materiais didáticos e sob a supervisão e a orientação do docente, iniciam os trabalhos propostos. Neste ambiente matinal de aparente tranquilidade, concentração e labuta, irrompe uma voz:

– Sabes, ontem a minha mãe foi ao chefe dela (Presidente da Junta de Freguesia). Foi pedir emprego! Agora não trabalha! O emprego já acabou!

– Muito bem! Faz bem! Mas tens de te concentrar no trabalho que estás a fazer! Vamos lá!

O ambiente de calmaria regressa à sala, gerando uma atmosfera de trabalho.

– Eu também quero trabalhar! Quero ajudar a minha mãe e as minhas irmãs! A minha mãe não tem trabalho! – irrompe de novo, pela mesma voz, quebrando o ambiente instalado.

– Isso mesmo! Tens de ajudar a família. Mas, para isso, primeiro, tens de estudar, frequentar a escola. Depois, arranjas emprego, ganhas o teu ordenado e ajudas a tua mãe! Mas, agora, vá lá, concentra-te e realiza a tarefa.

Poucos segundos depois, ouve-se de novo:

– Sabes, a minha mãe gosta muito de mim! Eu tenho de a ajudar!

Estas sucessivas interrupções revelam que o aluno está centrado num outro patamar, mais pessoal, que o impede de se concentrar naquilo que o professor pretende. O trabalho programado não rende o desejado. Nesta situação, surge o dilema: será mais importante insistir na realização um pouco forçada e, aparentemente, infrutífera da atividade letiva ou, pelo contrário, interromper a sua realização, ouvir o aluno, tranquilizá-lo e, posteriormente, se ainda houver possibilidade, reiniciar e tentar concretizar a tarefa já programada? Nesta situação, perante aquele aluno, opto pela segunda via. Educar vai muito para além do instruir, também é saber ouvir!

 

 João Adelino Santos – Autor do Blog Incluso

 


 

 

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Lembrar as vítimas do Holocausto (por Ana Beja)

 

Comemora-se hoje o dia em memória das vitimas do Holocausto. Passaram 70 anos. E o horror ainda continua tão presente…

Desde que tomei conhecimento sobre o que tinha sido o holocausto que fiquei profundamente indignada. Como é que alguém, julgando-se superior aos outros, comete tal atrocidade contra outras pessoas, só porque não tem a mesma cor da pele, a mesma religião ou credo, a mesma orientação sexual ou a mesma ideologia política?

Quem se pode julgar mais do que os outros, ao ponto de achar que tem o direito de tirar a vida a alguém, só porque não pensa da mesma maneira nem é da mesma raça?

Morreram milhões de pessoas, fruto do maior genocídio cometido na Europa. Estima-se que tenham morrido dois terços dos judeus dos 9 milhões que habitavam na Europa, juntamente com ciganos, comunistas, homossexuais, pessoas com deficiência física e mental, poloneses e outros…

Eram enviados para os campos de concentração, onde a única coisa que os esperava era a morte. Só porque eram diferentes. Entre 1941 e 1944, as autoridades nazis deportaram milhões de judeus da Alemanha, dos territórios ocupados e dos países aliados ao Eixo, para os campos de concentração, onde depois eram mortos nas câmaras de gás.

No meio desta insanidade cruel, sobressaíram-se alguns Homens. Homens de caráter e com um altruísmo fora do comum. Vou referir apenas um deles: Aristides de Sousa Mendes.

Aristides de Sousa Mendes, nascido em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu, foi o diplomata português que durante a II Guerra Mundial salvou mais de 30.000 vidas da perseguição nazi.

Em defesa dos valores éticos e humanitários, Aristides é o Homem do maior ato de coragem e ação de salvamento alguma vez feita por uma só pessoa!

Mesmo indo contra uma ordem superior, emanada pelo ditador português, António de Oliveira Salazar, de não conceder vistos portugueses aos judeus (principalmente)  e sabendo que podia e viria a ser punido pelo regime, concedeu milhares de vistos de entrada em Portugal a refugiados de várias nacionalidades que desejavam fugir de França em 1940.

O resultado deste ato grandioso foi o regresso forçado a Lisboa e a proibição de exercer a profissão de advogado. Ficou na miséria, sem trabalho e sem dinheiro, vendo-se obrigado a vender tudo o que tinha para poder sobreviver, juntamente com a sua família. Há relatos que dão conta de que até as cortinas da sua casa queimou para se poder aquecer…

Morreu em 1954, na miséria e caído no esquecimento. A sua atitude foi fortemente punida, fruto de um regime fechado e cego, onde liberdade e desobediência não eram claramente as palavras de ordem.

Diz o Talmud que quem salva uma vida, salva o mundo inteiro. E quem salva 30 mil vidas, a troco da miséria, do desrespeito, do desprezo e do esquecimento?  O que leva um Homem, advogado, diplomata, detentor de um cargo importante e com estabilidade financeira, a trocar o conforto de uma vida pela libertação de tantas outras?

 

Eu sei…

O seu caráter. A sua nobreza de espírito. A sua crença pela liberdade e pela diferença. Os seus valores. A sua coragem. A sua alma.

Mas o esquecimento a que foi submetido começa a dissipar-se e têm sido inúmeras as iniciativas a nível nacional e internacional.

Foi homenageado pelo Congresso dos Estados Unidos e pelo Governo de Israel. Em Washington, na Embaixada de Portugal, o Presidente da República nessa altura, Mário Soares, entrega à família de Aristides de Sousa Mendes a Ordem da Liberdade (no grau de Oficial).

A 19 de Março de 1988 a Assembleia da República aprova o projeto de Lei, da autoria do deputado Jaime Gama, reabilitando oficialmente Aristides de Sousa Mendes, e a 16 de Abril, o Diário da República publica o diploma de reintegração póstuma na carreira diplomática, com promoção a Embaixador.

A 8 de julho de 1993, na Sinagoga de Lisboa é inaugurada uma lápide em sua memória e no ano seguinte, no Jardim da Resistência, em Bordéus é erguido um busto em sua homenagem, oferecido pela comunidade portuguesa.

Em Israel, Deserto do Neguev é plantada a “Floresta Aristides de Sousa Mendes”, com dez mil árvores.

A 23 de Março de 1995, em Lisboa, a Fundação Pro Dignitate, promove uma Homenagem Nacional a Aristides de Sousa Mendes. É ainda condecorado postumamente com a Grande Cruz da Ordem de Cristo.

Em Junho de 1999, em Viseu, é promovido um Congresso em sua honra e junto ao seu jazigo, em Cabanas de Viriato, D. António Monteiro, na altura Bispo de Viseu, em nome da igreja, pede publicamente desculpa pela falta de ajuda a Aristides de Sousa Mendes e família, quando estes a solicitaram.

Em 2000 é constituída a Fundação Aristides de Sousa Mendes e mais recentemente, 45 descendentes de refugiados judeus salvos por Aristides  vieram a Portugal para homenagear a memória do diplomata. Alguns recordaram a chegada a Vilar Formoso, graças ao visto concedido pelo próprio.

 

No ano passado foi feito um “cordão humano”, à volta da sua casa em ruínas, em Cabanas de Viriato, para se proceder à reconstrução da “Casa do Passal”. Segundo um dos seus netos, não só tendo como objetivo a criação de um Museu mas também a construção de um local onde se despertem consciências e se debatam questões ligadas aos direitos humanos. Neste momento a casa ergue-se…imponente e forte, reflexo de quem a habitou.

Devemos falar deste Homem. Não podemos deixar o seu nobre ato cair no esquecimento.Precisamos de mais Aristides de Sousa Mendes. O mundo precisa deles.

Para mim foi o “Maior Português de Sempre”!

De Aristides só me resta terminar com uma frase proferida pelo próprio…

“Tenho de salvar estas pessoas, quantas eu puder. Se estou desobedecendo a ordens, prefiro estar com Deus e contra os homens, que com os homens contra Deus.”

Existem mais iniciativas, não referi todas e tenho a certeza que mais virão! Podemos acompanhá-las através do Facebook, em alguns grupos de amigos de Aristides Sousa Mendes ou na página da Fundação. Tenho também assistido a reconstrução da “Casa do Passal”, através de uma querida amiga que gentilmente tira fotos para que possamos todos apreciar! Está a ficar linda! Espreitem!

 

 Ana Beja!

 Foto: https://pinheiromario.wordpress.com

 


De melhor modo não poderíamos comemorar este dia. Obrigada Ana pela partilha!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

Abandonei-te junto à borda do fim (por Rui M. Ferreira)

 

Em mantos brandos, fui sonhando.
Em caminhos curtos, fui correndo.
Em paredes brancas, fui pintando.
Em noites frias, fui aquecendo.
E assim fui vivido os dias e as noites.
Fui crescendo, fui vivendo…. Parti, e já não estavas!
Deixei-te bem ao fundo, abandonei-te junto à borda do fim.
Não quero, não queria, não vi!
Agarrei, desprendi..
Vivi e não vivi.
Vi e não vi!
Corri e não andei.
Perdi e ganhei.
Gritei em tons mudos.
Congelei em paraísos tropicais.
Mergulhei em picos de neve.
Enfim.
À minha maneira, vi, vivi e senti!
E deixei para trás, outros pensamentos.
E para trás ficaram também guiões por realizar.

A vida é mesmo uma louca viagem carregada de acordes soltos na ribalta.

Rui Manuel Ferreira – 22 Janeiro 2015

Foto: Rui Manuel Ferreira

 


 

Kiss, kiss! Bang, Bang! ❤

celmira

É menino ou menina? (Crónicas de um Grávido)

 

Hoje fomos à clínica falar com a “Midwife”.

Perguntou em que dia tinha começado o último período da Zi. Eu achei que estava a pedir informação desnecessária. Em vez disso devia perguntar se tínhamos alguma ideia da data em que a semente tinha sido lançada… Mas não, segundo parece, tudo o que sabíamos, ou melhor dito, o pouco que sabíamos sobre gravidez não primava pela precisão. A gravidez afinal não dura nove meses e sim 40 semanas, e não começa no dia da Sra. dos Prazeres, mas sim no primeiro dia do último período da futura mãe, ou seja, antes de ser fertilizado o óvulo! Antes mesmo de os pais saberem que o óvulo ia ser fertilizado!!! Se isto não roça no paranormal pelo menos é extraordinário.

A “midwife” disse-nos também que já se pode ouvir o coração do bebé e que é bom que esteja num ambiente com música suave.

Passei o resto do dia com o ouvido colado à barriga dela, a ouvir ruídos intestinais, sem conseguir identificar nenhum que se assemelhasse ao bater de um diminuto coração.

“Tu achas que vai ser menino ou menina?”

“Não tenho a menor ideia, e para dizer a verdade, dá igual” respondi.

“P’ra mim também tanto dá, mas sabes…, se for menina dá mais interesse comprar roupinhas, e as meninas fazem mais companhia à mãe. Os rapazes são mais vadios.”

“Pois eu acho que se o primeiro filho for rapaz, pode cuidar e defender a menina que eventualmente venha a seguir. Quando é que se pode saber o género da criança?”

“Só na segunda ecografia. Na primeira só vêm se o feto se está a desenvolver bem, mas ainda não dá p’ra ver o sexo.”

“Temos que começar a procurar nomes.”

“Acho que é melhor fazer uma lista de nomes para meninos e outra para meninas, e depois vamos eliminando os que gostarmos menos.”

“Vamos pedir aos amigos para darem sugestões. Tem de ser um nome curto e que não seja corriqueiro. Nada de Brunos, Marcos, etc.”

“Não. Nem esquisitos, como Gertrudes, Reinosa ou Cremilde.”

O peso da Zi vai na direcção inversa da lista de nomes, que já cresceu consideravelmente graças principalmente à contribuição dos futuros tios e tias.

Como exemplo, eis a lista do irmão da Zi:

Gervásio

Clementino

A lista de nomes para menina era pelo menos 10 vezes mais longa do que a dos nomes para rapazes.

Não consigo deixar de pensar na teoria das semanas. Principalmente porque agora só oiço falar em semanas;  ecografia das 12 semanas, ecografia das 19 semanas, a partir das 38 semanas já pode nascer, só se na 42ª semana ainda não tiver nascido é que se pode dizer que está atrasado…

 

Rique Nunes (O Conde)

Foto: omeujeitosimplesdeviver.wordpress.com


 

Inspirador ❤

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

5 passos para ser um formador/a de sucesso

 

Já pensou porque é que os pais/mães têm alguma renitência em frequentar formações? Será que existem estratégias para os “prender” à formação que queremos que frequentem e entendemos como importante?  Eu acredito que sim! As dicas que apresento em seguida vão dirigidas aos formadores que queiram otimizar as suas competências como formadores de famílias e cuidadores de pessoas com Necessidades Especiais, no entanto, e como são muito abrangentes podem ser utilizadas em qualquer formação.

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Primeiro Passo: Cative

O início da formação é determinante no efeito a ter nos formandos/as, pelo que se recomenda dar particular atenção à primeira sessão. O segredo da conquista dos formandos/as, à laia do que foi escrito no eterno livro de Antoine de Saint-Exupery (2008), O Princepezinho, é cativar. Os formandos/as têm de ser cativados desde o primeiro dia. Devem sentir que dia após dia cada sessão será igualmente interessante e desafiadora. Logo na primeira sessão deve ser estabelecido, em conjunto, um compromisso de frequência, bem como se devem dar a conhecer a estrutura da formação e regras a seguir.

Quanto ao formador/a, é importante que seja uma pessoa empática, simples, com sentido de humor, com capacidade de comunicar e sobretudo de ouvir. Os formandos/as devem sentir que são ouvidos e compreendidos, sem culpas ou acusações. Nenhum formador/a terá a capacidade de passar uma mensagem positiva e normalizante das pessoas com necessidades especiais, se ele próprio não acreditar nisso – este será seguramente o primeiro percurso de um formador/a na Escola de Pais.nee.

O mesmo se refere à aplicação do Programa de Educação Emocional. O formador deve, no momento da formação, dominar esta área e estar bem consigo próprio, ou seja apresentar-se estruturado ao nível emocional, pois no decorrer da formação, existirão momentos que sendo dolorosos para as famílias, requerem do formador um grande domínio e gestão emocional, nomeadamente quando se falar do impacto do diagnóstico e das questões do luto. Certos de que esta imersão ao mundo da família trará ao formador muitos ganhos, enquanto pessoa e enquanto cidadão.

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Segundo Passo: Avalie!

No sentido de dar credibilidade á sua formação avalie! Deve definir logo no inicio da formação, quais as melhores formas de avaliação e respetivos instrumentos. O mesmo se refere às atividades, muitas resultam com um grupo, mas nem sempre são eficazes com outro.  mediante as especificidades encontradas no conjunto de indivíduos que frequentam a escola e que define o seu todo. Será este ajuste que ditará o sucesso de cada formação, em cada contexto específico.

 

Terceiro Passo: Faça uma boa gestão do tempo e do espaço

Deve ser escolhido um lugar que assegure a privacidade dos formandos/as. Estes devem sentir-se livres de expressar as suas ideias, sem distratores e sem serem interrompidos. As cadeiras devem ser cómodas. A disposição das mesas e cadeiras deve ser circular, pois assim oferece igual importância a todos os elementos, incluindo o formador/a. Ninguém está em vantagem, na formação estão todos no mesmo patamar. Esta colocação também facilita que as discussões sejam mais francas, mais abertas, porque cada pessoa pode facilmente ver o outro. Se o local não permitir a colocação circular das mesas, deverão ser colocadas em forma semi-circular. É muito importante que os formandos/as possam ver-se uns aos outros.

A hora deve ser a mais conveniente para os pais/mães e para o formador/a. As sessões à noite ou em horário pós laboral, são as mais convenientes. Sugerimos o horário entre as 18h30 e as 21h30, uma vez por semana. Assim os pais/mães terão tempo para refletir sobre as suas próprias necessidades e também para aplicar algumas estratégias sugeridas. A experiência indica-nos que os formandos/as manifestam dificuldades em sistematizar algumas ideias se foram tratadas demasiado rápido, por isso, mesmo que as atividades estejam programadas, o importante é que haja tempo para a reflexão e partilha entre todos.

A formação deve decorrer ininterruptamente durante os seis meses, ou seja, não aconselhamos interrupções superiores a duas semanas, primeiro, porque se perde o ritmo, depois, porque os pais/mães terão mais dificuldade em reajustar a formação na rotina familiar. O período ideal para a realização da formação será iniciar, por exemplo, em Janeiro para terminar em Julho.

 

Quarto Passo:Tenha em atenção o tamanho do grupo

Os benefícios do programa de formação parental são maiores quando cada formando pode fazer perguntas sobre o conteúdo; participar nos exercícios e no treino das habilidades; sintetizar o que aprendeu e o que se pensa fazer; partilhar as suas dúvidas e os seus problemas. Para que isto seja possível é sempre necessário gerir o tempo da formação, portanto os grupos devem estar limitados a 20 elementos.

 

Quinto Passo: Aposte na partilha entre pares

Deve-se lembrar aos formandos/as que o seu contributo é sempre válido, não existem respostas erradas, todas estão de acordo com o objectivo traçado, que é partilhar. Assim como, a exposição dos seus problemas na discussão de grupo, não é sinal de incapacidade como pai: pelo contrário, indica o desejo de melhorar e a vontade expressa de aprender. É importante que se enfatize que os temas tratados na Escola de Pais.nee se baseiam nos problemas típicos, com que se confrontam a maioria dos pais/mães.

 

Foi útil? Espero que sim!

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

 

 


Nota/  Informação retirada do Livro: “Escola de Pais.NEE- Guia de Formação Parental no âmbito das NEE” (Macedo, 2012) Edições Pedago. À venda na Associação Leque.

Lamento informar, mas a pessoa normal não existe!

 

Meus amigos e minhas amigas, a normalidade é uma construção social, logo a pessoal normal não existe. Ou pelo menos existe apenas para nós, porque para o vizinho do lado, o normal pode ser absolutamente repugnante.

Afinal, o que é normal?

A ideia de normalidade é muito mais uma questão de matemática estatística, um rótulo que pouco serve para definir quem quer que seja. O atual paradigma científico em que vivemos impõe-nos rótulos, classificações, categorizações, aos quais nos curvamos em plena carneiragem cega de obediência, sem consciência  do lixo tóxico que este rótulo carrega, em nós e nos outros/as.

Afinal, o que é normal? Qual é a pessoa normal? Parece consensual que a pessoa normal é aquela que resulta da convenção de uma maioria (ser normal quer dizer que se está dentro da média), mas a maioria não depende do  contexto de onde se insere ou de onde se é oriundo? Afinal, aqui, no Paquistão ou na China, qual é a pessoa normal? A que usa mini-saia ou a que usa Burka? A que gosta de carne ou a que é vegan? A que come insectos ou alheiras? A que tem uma família convencional, monoparental ou pluriparental? O homem que respeita a mulher ou o que a maltrata? 

Afinal, a pessoa normal onde está? 

E os pais/mães normais, quais são? Os que perante uma criança de hiperativa a enchem de medicamentos ou os que a encaminham para atividades desportivas? 

No contexto da Escola quem são os aluno/as normais? Os/As que tiram boas notas? (estes são a minoria, logo estes não são os normais, pois convencionado está que a norma advêm da maioria, certo?!) Isto se falarmos em contextos convencionais, mas outros existem (os ditos problemáticos), onde a maioria tira notas abaixo da média. O normal neste contexto será ser mau aluno/a?

E  já que falamos da Escola, quais são os professores normais? Os que acreditam nos guetos ou os que acreditam e operacionalizam a inclusão? Lamento informar mas a maioria ainda acredita na segregação (desculpem a sinceridade e ressalvando os milhares de bons professores promotores de atitudes inclusivas, mas que são ainda assim uma minoria). Normal é não acreditar na inclusão? É assim que dita a maioria? Será isto normal?

Será normal excluir a criança ou jovem com limitações intelectuais e com dificuldades de aprendizagem? Ou o normal é descobrir a suas dificuldades, interesses e motivações e introduzir novos métodos e estratégias mais adequados à sua situação?

 Eu não acredito na morma, acredito sim na normalização, que é bem diferente!

Normalizar não significa tornar normal, mas sim, proporcionar às pessoas (com e sem necessidades especiais) condições equitativas de desenvolvimento, interação, educação, emprego e experiência social (Nirjke, 1969).

Wolfensberger (1985) vai mais longe e introduz o conceito de valorização da função social,  ou seja, normalizar é tornar as pessoas (com necessidades especiais) parte da comunidade, onde poderão desempenhar papéis sociais válidos, e que tenham acesso aos mesmos direitos e possam exercer os seus deveres e responsabilidades na relação e proximidade com os seus concidadãos.

O que me parece normal é perceber que estas pessoas apenas precisam de receber apoios, para que possam desempenhar essas mesmas funções sociais e de vida.

A estas pessoas devem ser facultada formação e oportunidades de desenvolvimento, junto de pessoas sem essas necessidades. Se é normal pensar assim, não sei…?  (bem, até sei e sei que que não é), mas eu gostava que fosse normal. Seja lá o que isso signifique, mas pelo menos que fosse levado a cabo pela maioria!

Concorda?

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 
Foto: jayroeder.com

Quando a missão é fazer sorrir!

 

Quando a missão é fazer sorrir. Neste âmbito apresento-vos o projeto “Refeitório solidário – Refood” da Associação Leque.

Este projeto, apoiado pela Missão Sorriso tem duas vertentes:

1- Fornece refeições aos Utentes do CAAAPD da Leque. A associação Leque não tinha cantina e por isso candidatamos o projeto  à Missão Sorriso. Desde Novembro de 2013 os nossos frequentadores/as (utentes) passaram a ter dentro do espaço físico da Associação, um refeitório para fazerem as suas refeições.

2- Refood: Distribuição alimentar a famílias carenciadas

Para rentabilizar este recurso, estamos a trabalhar no combate ao desperdício alimentar com a parceria do Restaurante “S. Sebastião”  (Alfândega da Fé) e do Continente (Bragança). Estamos a distribuir 25 refeições gratuitas por semana e cabazes alimentares a famílias em situação de pobreza encoberta.

 

Seja Sócio ou sócia desta causa. Ajude-nos a fazer o bem, bem-feito! Saiba como em http://www.leque.pt

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

As mulheres bonitas são estúpidas????!!!

“É bom que as mulheres bonitas geralmente sejam estúpidas. Se também fossem inteligentes, seria uma injustiça”. A frase é de Vittorio Buttafava , mas bem podia ser  de qualquer um de nós.  Quem nunca pensou da mesma forma? Quem nunca pensou que beleza e inteligencia deveriam ser (ou são efetivamente) inversamente proporcionais?

Na verdade quem nunca julgou um livro pela capa?  No emprego ou na vida social, quem nunca teceu juízos de valor sobre as capacidades de colegas, amigos/as ou até desconhecidos/as, apenas pelo seu aspeto físico?

O assunto não é novo, já aqui falamos sobre as teorias implícitas da personalidade* e da predisposição do ser humano em rotular com base em  traços perpetuados na sua cultura. Essa informação é armazenada na memória e influencia a percepção e os comportamentos dos indivíduos em relação a um determinado grupo ou característica (traço), considerando a partir daí o todo pela parte.

Pois bem, a beleza é um desses traços, alvo fácil de considerações superficiais e muitas vezes impiedosas, que acabam deixar marcas visíveis nas nossas inseguranças, que depressa se transformam em bullings, frustrações, invejas e depressões.

É para qualquer um de nós fácil, criar mentalmente o quadro da rapariga menos formosa ou com alguns quilos a mais, sendo esta a mais consensual forma de discriminação. E se não for?

A frase de Vittorio Buttafava  é bastante clara, assume-se como socialmente instituído que, será de uma tremenda injustiça associar na mesma pessoa beleza e inteligência. É como se fosse contra-natura!

Na verdade, e muito mais frequente do que podemos pensar, o alvo de considerações depreciativas recaem também sobre aquelas que, por determinação da natureza viram os seus atributos físicos favorecidos. Conheço muitas mulheres assim.

Cuidadas, donas de si, com uma vaidade feminina própria de ser mulher. Conheço as suas histórias e nelas me inspiro aqui para que possamos refletir na injustiça, agora sim, de serem demasiado belas para se serem levadas a sério.

Mulheres de M grande, destemidas, lutadoras, grandiosas, solidárias e por vezes solitárias e que sofrem na pele as garras da discriminação, feita, na maioria das vezes, por outras mulheres.

Há forma de evitar isto? Talvez…

Sabemos que a beleza não passa de uma construção social, logo, se  conseguíssemos dizer NÃO aos esses estereótipos sociais,  estaríamos a mudar também mentalidades. Imaginem a quantidade de toxinas que isso não nos poupava!!!

Imaginem um mundo onde não existem mulheres feias ou bonitas, mas sim mulheres seguras ou inseguras, onde a verdadeira beleza reside no coração, na atitude e no comportamento.

Neste mundo, cada mulher é um universo único, uma força da natureza, que é generosa na sua índole. Arrisco a dizer, um mundo onde o charme, a inteligência, a generosidade e a nobreza definem mais que a beleza.

Eu voto nesta mudança dos padrões  de beleza. E você?

Se não para quê vejamos o caso de mulheres como Maria Calas, Rossy de Palma, Sarah Jéssica Parker ou Jacqueline Kennedy Onassis! Não encaixam necessariamente nos padrões de beleza convencionais, mas na verdade o seu charme fascina-nos!  E não, não houve dinheiro no mundo que possa ter reparado seus “defeitos”, no entanto são donas de uma inteligência enorme para os disfarçar  e  de personalidades intensas e confiantes que nos fazem apaixonar! 

MULHERES: Não olhem para o lado, não é lá que se vão encontrar.

Cuidem-se, mimem-se, respeitem-se, amem-se e sobretudo, unam-se!  E o que têm dentro de vocês vos defina como pessoas deslumbrantes!

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Foto: http://www.frenetica.com.br/


*O conceito de Teorias Implícitas da Personalidade foi desenvolvido  por Bruner e Taguiri (1954). O pressuposto central destas teorias é a de que as pessoas quando acedem a uma informação sobre os traços centrais de um indivíduo, elaboram uma representação geral a respeito desta pessoa, como um todo.

A uma pessoa identificada como serena ou calma, é possivelmente que as outras pessoas lhe acrescentem características como ser organizada ou metódica, mesmo sem o ser. Isto ocorre porque os traços psicológicos não são vistos como independentes uns dos outros. O facto deles estarem associados de uma forma lógica permite que sejam desenvolvidas inferências a respeito da totalidade dos traços que melhor representa  aquela pessoa.

Esta representação funciona como uma teoria, permitindo explicar as ações do indivíduo e fazer previsões sobre o seu comportamento futuro.

Fonte: http://estereotipos.net/

 

Se estou pronta para deixar o meu filho partir? Não, não estou!

 

Ter um filho diferente! Afinal, o que é isto de ter um filho portador de deficiência? O que é esperado dos pais? Da família? Dos amigos? Da comunidade?

Ao longo dos 23 anos com o meu filho portador de deficiência grave, uma doença crónica e degenerativa, tenho colocado estas questões a mim mesma várias vezes.

Será que estou a fazer o que é suposto uma mãe fazer neste caso? Será que poderia fazer melhor? Ou diferente? De uma coisa eu tenho a certeza, tenho feito o meu melhor e tenho tentado tudo ao meu alcance.

Esta longa caminhada tem-me dado imensas lições de vida e o meu filho, por incrível que pareça, é muito mais forte do que eu.

Por vezes vou abaixo, perco as forças e a esperança, acho que é normal nestas situações. Mas quando isso acontece, olho para ele, com aquele sorriso arrebatador, os seus olhos grandes e brilhantes e penso…não tenho o direito de desistir quando ele me desafia para continuar. Então levanto-me, mais uma vez, apanho os “cacos” e volto à luta.

E assim temos vencido muitas batalhas, no entanto, tenho plena consciência que um dia esta maldita doença irá vencer a guerra! Ponto a ponto, ela já esta a ganhar!

Não deixo de afirmar que ao longo de todos estes anos tivemos períodos muito felizes, momentos de grande entrega, partilha, com muito amor e carinho, momentos que eu não trocaria por nada deste mundo e que vão ser o meu maior tesouro quando o meu menino já não estiver! E quando isso acontecer, como vai ser?

Médicos e psicólogos aconselham a família a pensar nessa iminente partida, mas como posso eu, sequer pensar nessa possibilidade? Será que vou ter forças para recomeçar uma nova batalha, sabendo que deixei para trás alguém por quem tanto lutei e tanto amo?Saberei eu lutar contra as minhas dúvidas?

Será que fiz tudo que estava ao meu alcance?

Será que não descurei nada?

Saberei eu sobreviver aos meus pensamentos, às minhas dúvidas, às saudades do meu pequenino?

Será que tenho o direito de refazer a minha vida?

E serei eu capaz de o fazer?

Qual será o papel da família, dos amigos?

E a comunidade? Saberá entender e ajudar?

Este pensamento assalta-me todos os minutos do meu dia, cada pesadelo das minhas noites! E o quanto é difícil viver com isto! De uma coisa eu tenho a certeza, aproveito cada minuto, cada olhar, cada sorriso e continuo a lutar contra todas as adversidades porque sei que isto um dia vai acabar.

E consigo ser feliz com este modo de vida! À nossa maneira, mas somos felizes. Mas sempre que vamos ao médico, eles dizem:

-Muito bem! Cada dia é uma nova vitória! 

E vamos vivendo assim!

Partilhar estes pensamentos fazem parte de um processo de consciencialização e de aceitação desta condição de vida, mas não quero que seja visto com negativismo, pelo contrário, o facto de eu conseguir escrever e partilhar este assunto é para mim um passo em frente, mais uma vitoria.

Manuela Gomes

 


 

A única coisa que posso dizer Manela é que, da parte dos amigos, pelo menos desta amiga, é que estarei cá para tudo. Tu sabes. Mais não consigo escrever, o nó na garganta sufoca-me e paralisa-me. A tua dor é-me muito próxima, mas de uma coisa tenho a certeza. És a melhor mãe que o Hérder algum dia podia ter!

Obrigada pela partilha minha querida! ❤

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira