Monthly Archives: Dezembro 2014

Busted Lux Woman / Nem sabia de havia de rir ou chorar, tal era a desregulação emocional.

 

Estava eu em franca recuperação, a tentar perceber entre as arritmias e o cansaço extremo, se o aparelhómetro que me enfiaram no coração se mantinha firme, quando recebo uma mensagem da Carla Macedo, Chefe de Redação da Revista LUX WOMAN. Não, infelizmente não somos família, a única coisa que nos une é uma recente amizade, fortalecida por uma empatia e cumplicidades raras. Bom,  perguntava-me a Carla, depois dos devidos cuidados com o meu estado de saúde, se podia fazer uma peça sobre mim para publicar na rubrica sobre Empreendedorismo Social.

Nem sabia se havia de rir ou chorar, tal era a desregulação emocional, que uma intervenção ao coração nos provoca. Acabei por fazer as duas coisas, nesse dia e no dia que li a revista!

Pelo segundo ano consecutivo, saio da LUX WOMAN com lugar de destaque entre milhares de mulheres, que como eu lutam por um mundo melhor. Agradeço todos os dias por isso. E a ti Carla, imenso, por este mimo tão grande, sobretudo porque desconstrói muitos mitos!

Amei ❤

 

 Lux Woman (Dezembro de 2014)

 

«Celmira Macedo, 42 anos, tem um sorriso contagiante. É impossível não sorrir também
de cada vez que falamos com ela. Celmira é daquelas pessoas que acolhem, mesmo sem ter os braços abertos, e tem os olhos muito grandes, porque a curiosidade é nela uma constante. Aliás, foi a curiosidade que a levou a fundar a Leque, uma associação sem fins lucrativos, em Alfândega da Fé, Trás-os-Montes, que trabalha com pessoas com deficiência e as suas famílias. Mas já lá vamos.

Primeiro, a curiosidade.
Celmira não consegue parar de estudar. É bacharel em Educação de Infância (1992) e
licenciada em Educação para a Primeira Infância (2002), tem uma Pós-Graduação/
Especialização em Educação Especial (2005) e um doutoramento em Educação para o
Educação Especial (2013) pela Universidade de Salamanca, em Espanha.

Nunca quis parar de saber mais sobre uma área que a emociona e a impressiona: a deficiência.

Ouvi-a dizer, uma vez: “Não é preciso ter para sentir.” É uma frase que repete para explicar o seu empenho e o seu envolvimento nesta área. A Leque nasceu da curiosidade
e da vontade de fazer, de mudar o mundo. Especificamente?

Em 2004, Celmira começava o seu doutoramento na Universidade de Salamanca porque, diz, achava que devia saber mais sobre a sua profissão e definia como terreno de trabalho a região onde vive. Descobriu que “as famílias de pessoas com deficiência, limitações ou incapacidades do distrito de Bragança apresentavam uma qualidade de vida deficitária; a falta de apoio das redes de suporte social era um problema limitador da sua qualidade de vida”.

Eram mais de mil. Foi nesta altura que o doutoramento teve de esperar, porque Celmira resolveu intervir. “Fui fazer a única coisa que podia fazer, que era capacitar as famílias para lidarem com as diversas deficiências. Fiz uma formação parental em 2009, sempre na perspetiva de capacitação dos pais, para as famílias poderem envolver-se e participar. Em 2009, fizemos a Escola de Pais NEE (Necessidades Educativas Especiais), primeiro com uma capacitação para a diferença, depois apliquei um programa para ultrapassar as frustrações e finalmente focá-mo-nos nas competências parentais. A meio  da formação, os pais quiseram formar a associação,para podermos apoiar-nos e apoiaroutras famílias”, explicou Celmira numa entrevista à RTP.

O que é que faz hoje a Leque? Em março de 2010, abriu em Alfândega da Fé um centro
de atendimento para 30 pessoas com necessidades especiais, onde não se internam nem se institucionalizam pessoas – a ideia é a de que os indivíduos com deficiência participem na vida das suas famílias e da sua comunidade.

Depois, em 2011, a Leque inaugurou o Centro de Férias de Turismo Rural
Inclusivo, uma colónia de férias destinada a aliviar as famílias de todo o País que cuidam de pessoas com deficiência. “Os pais e os cuidadores estão muitas vezes sobrecarregados. Agora, podem deixar os filhos connosco e terem também umas férias.” E, claro, a formação parental, que inclui as famílias nas terapêuticas, é essencial no trabalho da Leque, a ponto de o seu mais recente projeto ser o Leque for All, um programa a concurso para financiamento na Missão Sorriso, que pretende levar a metodologia de trabalho desta associação a vários pontos do País.

O financiamento constitui outra das características inovadoras da Leque. Em vez de esperar pelos apoios do Estado para conseguir o dinheiro necessário para as suas atividades, Celmira Macedo e a sua equipa procuram financiamento (e já o conseguiram) junto de entidades como o Montepio ou a Fundação EDP para projetos específicos e, claro, aceitam donativos de particulares e empresas.

Mas o financiamento não se fica por aqui. Aos serviços externos que os técnicos da Leque prestam à comunidade local, como a fisioterapia, junta-se o EUKI, a primeira linha de material lúdico-didático inclusivo em Portugal, que serve tanto para crianças com NEE como sem NEE.

Serve para todos!
Celmira, a presidente da Leque, é ali voluntária.

O seu salário vem da atividade como professora de educação especial, na escola pú-
blica, e docente no Mestrado de Educação Especial do Instituto Superior de Ciências Educativas de Felgueiras. A associação nunca foi vista pela sua fundadora como uma forma de conseguir dinheiro ou notoriedade, mas como um meio para mudar a vida das pessoas em que toca.

São vários os testemunhos de pais NEE que encontraram na Leque um porto de abrigo e força para continuar o seu caminho de cuidadores.

O mais emocionante, talvez, é o de Manuela Gomes, hoje vice-presidente
da Leque: “Conheci a Celmira antes da formação da associação. Juntas, formámos
a associação, e de então para cá, tem-me ajudado muito. O meu filho, Hélder, tem esclerose tuberosa [uma doença incapacitante] e quando fez 19 anos deixou de poder frequentar o ensino normal. Tentei colocá-lo numa instituição em Bragança, mas ninguém o aceitou. Não queria deixá-lo fechado em casa. Mudei-me para Alfândega da Fé com os meus dois filhos, para o Hélder frequentar a associação Leque, e ele evoluiu muito em termos de postura. Tenho a certeza de que foi um dos melhores anos da vida dele. Tornou-se uma pessoa muito feliz, começou a sorrir muito.” »

Carla Macedo – Chefe de Redação

Fonte: Revista Lux woman (Dezembro de 2014)

 

 

❤ Amei 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

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Tenho o direito de ser o João ou o Zé e não apenas o autista ou o surdo.

 

Em forma de pedido para 2015 vou explicar porque não defendo o uso do termo “deficiente” em pessoas com algum tipo de deficiência, incapacidade, limitação ou necessidade. Vezes demais, o oiço, até em contexto familiar, onde, no meu ponto de vista, devia ser o primeiro a suprimir rótulos diferenciadores. Eu prefiro chamar-lhe Pessoas com Necessidades Especiais (PcNE), porque necessidades temos todos, e especiais porque são nossas e portanto, únicas.

Remonta a 1994 a chamada de atenção da UNESCO relativamente a estas questões, reforçando que estas pessoas têm sido, por um tempo demasiado longo marcadas por uma sociedade que acentua mais os seus limites do que as suas potencialidades. 

Infelizmente as representações sociais relativas a pessoas com diversidade funcional, são ainda muito redutoras. E pioram, sempre e cada vez que as apelidamos de “deficientes”, pois quase de imediato se instala a rotulagem e carrega-se o estigma.

Quer queiramos ou não, a forma como nos dirigimos às pessoas, seja em ambiente familiar ou social, identificando-as pelo problema ou patologia (o surdo, o cego, …), influencia a criação de representações e transporta uma conotação (quase sempre) negativa, que facilmente se traduz em baixas expectativas sociais.

Quando usarmos o termo “deficiente” estamos a valorizar mais o problema do que a pessoa, pois, se nos detivermos a analisar o seu significado no dicionário, percebemos que deficiente é sinónimo de “falho, imperfeito, incompleto”. Conhecem alguém perfeito? Eu não!!!

Se pensarmos bem, ouvimos quase diariamente todo o tipo de expressões redutoras:

– Acentuação baseada nas limitações: os incapazes, deficientes, aleijados …;

– Confusão das manifestações com a problemática: sofre de…, padece de…;

– Indução de sentimentos de pena: coitadinho…;

– Utilização de expressões agressivas: mongolóide, atrasado, tonto, …;

– Não menção à idade referindo-se a estas pessoas como se de um grupo homogéneo se tratasse: os meninos, bebés, …

No sentido de promovermos uma verdadeira inclusão, devemos ser capazes de analisar a nossa própria linguagem e perceber como ela carrega uma visão negativa e reducionista das PcNE. Caminhamos no sentido de dar enfoque à PESSOA que é tem uma incapacidade e que tem de forma natural, os mesmos direitos e deveres dos seus concidadãos.

Convivo muitas vezes, com a revolta de pais/mães que foram e viram os filhos/as serem vítimas de discriminação na sociedade que os devia acolher, mas onde as representações e imagens mentais ainda a primar pela lógica da homogeneidade, valorizam o que é igual e comum e colocam de lado a criança dita de diferente.

A mudança deste paradigma começa connosco. Começa na família e arrasta-se pela Escola, Centros de Reabilitação, Clínicas, Parques de diversão, Supermercados, Jardins etc. Vejam a diferença:

“O meu filho tem autismo e tem necessidades especiais de educação.”

ou

“O meu filho é deficiente.”

Sinceramente, qual das duas frases transporta uma imagem positiva e estruturante  da incapacidade/deficiência, aos ouvidos de colegas, professores, amigos ou terapeutas? Não se trata de mascarar a problemática! Apenas permitir uma segunda oportunidade, um segundo olhar à pessoa e não apenas à deficiência.

José Manuel Alves assume-se como cego e foi meu professor na Escola Superior de Educação de Bragança, onde sempre defendeu que todos devemos ser capazes, ou ter pelo menos o direito, de realizar os nossos projetos de vida e isto só acontece quando o indivíduo é capaz de, através da interação com os seus iguais, realizar a sua diferença.

São esses valores que vale a pena defender.

Não sei o que se passa desse lado, mas eu continuo a defender que as limitações não definem a essência humana, todos somos diferentes e é essa diversidade que nos enriquece. Todos temos direito à identidade e à diferença (Rodrigues, 2002). As crianças/jovens/adultos com NE também. Têm o direito de ser o Francisco, o João, a Maria e não apenas o autista, o cego ou o surdo.

A mensagem que quero fazer passar é que, mais importante do que denunciar o que as PcNE não podem fazer, ou conjecturar sobre o que as diferencia dos outros, é exaltar as suas potencialidades como cidadãos, numa sociedade livre e democrática. Além de que, caracterizá-los pelas suas dificuldades, apesar de ser terrivelmente injusto, bloqueia a possibilidade de acesso a representações positivas que os orientem no processo de desenvolvimento numa perspectiva de educação para a cidadania. E se o fizerem, o seu processo de desenvolvimento e inclusão social pode estar seriamente comprometido.

A todos nós cabe lutar contra o preconceito. Para tal, é absolutamente necessário respeitar os direitos e deveres de cada um. E as PcNE apenas necessitam que se lhes proporcionem condições de desenvolvimento, interação, educação e experiências sociais idênticas aos seus pares. Otimizar a sua funcionalidade!

Por último, as famílias devem recordar que os filhos/as têm direitos e estão consagrados na legislação portuguesa, onde o Estado se compromete a “tomar medidas que promovam, protejam e garantam o gozo pleno e igual de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais por parte de todas as pessoas com deficiência e se promova o respeito pela sua dignidade inerente”.

Meus amigos/as estas pessoas têm sobretudo o direito à sua identidade.

Que 2015 nos traga mais consciência.

 

 

 

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

 

Fonte: Livro Escola de Pais. NEE _ Guia de Formação Parental (Celmira C.M. Macedo, 2012, Edições Pedago)

O reverso da medalha: Pais especiais (por João A. Santos)

“Numa escola encontra-se um aluno perfeitamente integrado numa turma, apesar de apresentar múltiplas limitações funcionais e estruturais e, como tal, ser considerado com necessidades educativas especiais. Decorrente do seu perfil de funcionalidade, para além da docente titular, beneficia do apoio periódico semanal por uma docente de educação especial e da colaboração regular de uma assistente operacional.

Acontece, porém, que, por vezes, a encarregada de educação, por sua iniciativa, limita a participação do seu filho nas atividades educativas escolares, sobretudo quando se trata de saídas para o exterior do recinto escolar. Por outro lado, quando se desloca à escola e se depara, eventualmente, com a docente de educação especial ou a assistente operacional a prestar algum apoio a outra criança ou a colaborar nas atividades do grupo, faz um pé-de-vento porque, no seu entender, a docente de educação especial e a assistente operacional têm trabalho devido à presença do seu educando. Como tal, devem centrar-se exclusivamente nele e não nos outros! Neste sentido, quando há saídas da escola, atividade que o aluno poderia realizar, impede que o seu filho participe nas atividades do grupo e, em contrapartida, exige que a docente de educação especial ou a assistente operacional permaneça na sala para cuidar unicamente do educando.

Em conclusão, a escola e os seus profissionais devem responder colaborativamente às necessidades educativas e contribuir para o desenvolvimento harmonioso da criança ou, pelo contrário, corresponder primordialmente aos caprichos da encarregada de educação?

Felizmente, a situação relatada é pouco frequente nos país”.

 João Adelino Santos

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Agradeço ao João esta partilha e acrescento: De facto existe também o reverso da medalha, nem sempre as competências parentais estão direcionadas para a optimização dos recursos à disposição da família. Existem muitas razões para o comportamento desta mãe e muitas estratégias para o desconstruir e trabalhar. Sem dúvida que lhe deve ser mostrado o caminho que melhor favorece o desenvolvimento do seu filho. Pela experiência digo-vos, não vale a pena “dar murros em ponta de faca”. Esta mãe poderá estar ainda na sua fase de luto e em franco sequestro emocional, assim sendo, melhor será, tentar abordar a questão com outro elemento da família. O Pai a avó? Às vezes conseguem-se bons resultados por esta via.

Esta é a minha sugestão, e vocês , Pais e Mães o que sugerem? O que fazer quando nos encontramos perante estas situações? O que deve a Escola fazer? O que devemos nós professores/as fazer?

Contamos com a vossa ajuda!

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kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

Hoje acordei com os lábios gelados…

 

Hoje,

acordei com os lábios gelados devido à brisa do mar….
Olhei para o lado e mesmo sem estares aqui, vi o teu sorriso e senti a tua forma dócil à qual me tinhas habituado.Olhos melosos, hálito normal de um gajo que acabara de acordar.

Os segundos passaram e os meus lábios repentinamente ficaram tão dóceis que pareciam irmãos do mesmo caramelo que tu colocavas nas panquecas dos pequenos-almoços de fim-de-semana.

Reparei que a televisão ficou ligado a noite toda! Ligada ao disco multimédia, na pasta “Viagens nossas pelo mundo”. Mal direcionei a vista para o LCD, lá estavas tu. Natal de 2010, entre as ruas de Paris. Ao teu estilo único, a tua alegria de viver acompanhava o teu trautear da música “La vie en rose – Edith Piaf”. Ao olhar para isto, recordo-me do que nos aconteceu a seguir. Lembras-te?! Perdidos no metro fomos dar a um beco de uma rua encadeada apenas por um único candeeiro. Não me esqueço daquele beijo mágico que os meus lábios sentiram nessa mesma rua acompanhado pelos primeiros flocos de neve Parisienses daquele ano.

Minha menina, adormeço na saudade e acordo na esperança de te voltar a abraçar! Mesmo estando eu a milhões de passos de mar, todos os dias acordo com os lábios gelados devido à brisa do mar. E sabes porquê? Porque foi junto a esse mar que os nossos olhares sucumbiram as almas e essas mesmas prometeram um verdadeiro amor que só nós conseguimos entender.

Custa-me olhar para fora e ver campos secos, dias escuros…. Mas cá dentro, as paredes, a TV, as molduras e os candeeiros são os mesmos que tanto guarda de nós!

Sabes do que tenho ainda mais saudades?

É de te ver adormecer no meu peito, enquanto eu termino mais uma página de um dos capítulos que um dia eternizará a nossa história!

Rui Manuel Ferreira

 

Foto: Rui Manuel Ferreira

 

 

Kiss, Kiss. Bang, Bang!

celmira

 

Vais ter um bebé? Foste tu que o fizeste ou pediste ao carteiro?

 

E porque é semana do Natal, a saga do Grávido continua. Com outro tipo de natal…

 

«O médico de família fez umas análises ao sangue, tomou notas com o teclado do computador, pôs cara de intrigado, tossiu 2 vezes e declarou com solene monotonia “Os resultados são positivos”.

Bom, uma vez que as margens para dúvidas estavam eliminadas, o cérebro começou a patinar e a andar pra trás e prá frente, tentando encontrar um rumo novo e resposta para tanta pergunta, e o resultado resumiu-se numa frase simples, murmurada ao acaso “O que for, será.”

Voltámos para casa e por telefone pedimos que nos entregassem a domicílio alguns pratos chineses. Meia hora depois bateram à porta e mal o rapaz nos passou o saco cheio de embalagens quentinhas prá mão, a mim cresceu-me água na boca e dirigi-me rapidamente p´rá cozinha para pôr a comida nos pratos. A Zi levantou-se, torceu o nariz e disse “Pfuiiiii que cheiro tão forte tem essa comida! Vou abrir a janela para arejar a casa.”

Sentámo-nos à mesa e eu comi como se estivesse num concurso de comilões… e quisesse deixar os outros concorrentes à légua. A Zi comeu duas colheres de sopa e levantou-se da mesa. “O cheiro da comida enjoa-me, acho que vou vomitar.”

“Apanha um pouco de ar e tenta distrair-te com alguma coisa para não vomitares, senão vais sentir fraqueza. Ainda não comeste quase nada em todo o dia.”

“Não me apetece. Eu estou bem. Tu come e não te preocupes comigo.” (Note-se que aparentemente o espírito de sacrifício delas aumenta, mas ninguém caia na asneira de não se preocupar visivelmente com elas!)

Ela foi abrir ainda mais a janela e eu fui vestir uma camisola antes de me sentar no sofá ao lado dela. Passei-lhe a mão no cabelo com carinho e ela respirou fundo, compôs duas almofadas atrás das costas e encostou-se comodamente.

“Kido, temos que dar a notícia à família e aos amigos.”

“Amanhã ligamos ao pessoal…, ou se quiseres podemos ligar ainda hoje”.

Ainda não tinha acabado de falar já ela estava com o telefone na mão.

“Como é que lhe vais dizer isso?” perguntei.

“Sei lá! Achas que tenho muita prática em dar uma notícia dessas?”

“Diz o que te apetecer. Vamos ver a reacção das pessoas.”

“Então fala tu. Mas liga essa coisa… o microfone ou lá o que é…, que eu também quero ouvir.”

“O altavoz queres tu dizer.”

“É pá sei lá como é que isso se chama. Só sei que quero que ponhas o som alto para eu ouvir, chato.”

Aposto que foi mais emocionante para nós dar a notícia, do que para os recipientes recebê-la.

As reações foram variadas, mas não houve nenhuma dramática. Nada de “Quem foi o desgraçado que desonrou a minha filhinhaaa?” nem “Isso foi uma artimanha dessa fulana para entrar na nossa família, seu bobo.”

As reacções foram bem normais, do género:

“A sério?? Ai, Não acredito!!!” – Nem eu, filha!

ou

“Hã, tu vais ser pai? Deixa-me rir. Só quero ver-te mudar fraldas.” Disso não tenho pressa. Mas amanhã já vou comprar um avental, luvas e uma mola da roupa.”

“Mola p´ra quê?!”

“Para apertar o nariz por causa do cheiro. Dizem que não há nada pior do que caquinha de bebé e peidinhos de avó”.

“Idiota, a caquinha dos bebés só começa a cheirar mal quando começam a comer da nossa comida. Enquanto se alimentam do leite materno, não cheira mal.” Esta sabichona obviamente falava por experiência.

A sobrinha Anabela exclamou surpreendida e visivelmente alegre: “Como?!!! Uau, finalmente vou mesmo ter um primo! Oh tio, que fixe. Muitos, muitos, muuuiiitos parabéns. E foste tu mesmo que o fizeste, ou pediste ao carteiro?”

– “Boba”!

– “E oxalá o carteiro seja negro para que o meu primo saia moreninho”.

Desliguei o telefone”.

Henrique Nunes

 


kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Isto era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal

 

Isto era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal e os presentes era roupas (porque dela precisávamos). 
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Era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal e nos deliciávamos com o bacalhau, as filhoses e os chocolates (pois era a única altura do ano que se podia dar ao luxo de ter uma mesa farta).
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Era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal, pois acreditávamos que aquele presente (o único que recebíamos muitas vezes) vinha mesmo da  Lapónia.
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Era bem mais giro quando acreditava no pai natal e pensava que havia mesmo magia no Natal, que nessa altura as pessoas ficavam todas embebidas de um pozinho  brilhante, que eram como as pilhas, carregavam-se pelo natal e duravam todo ano! E, por magia as pessoas ficavam a ser aquilo que dizem ser no Natal.
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Era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal, quando ninguém faltava na família, simplesmente porque todos os que conhecíamos era vivos e presentes. Não havia a dor da ausência e da saudade…
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Se calhar era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal, porque a magia estava nos meus olhos de criança. Essa parte ainda persiste em mim, continuo a acreditar que alguns de nós continuam a carregar as pilhas com os pozinhos brilhantes que duram do Natal ao Ano Novo e do Ano Novo ao Natal.
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Ainda assim era bem mais giro quando acreditava no Pai Natal…
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Kiss. kiss. Bang, Bang!
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celmira

Sussurros de Natal por Virginia do Carmo

 

O meu conto de Natal
“Chegaste devagar, pela tarde. Vinhas leve das coisas deixadas noutros dias escondidos num outro lugar teu. Trazias as mãos abertas em concha e só depois reparei que elas sustinham a água que havias de derramar sobre a minha boca. Lavaste as minhas palavras mais difíceis e ajeitaste com as gotas sobejadas o asseio dos meus olhos fechados, com o cuidado de quem será sempre inocente de qualquer mal. Quando os abri de novo, tudo era mais belo.

 

Passeámos então pela dor um do outro. Aprendemos a sentir o bater do silêncio na pele um do outro. As tuas mãos, que desde logo me pareceram tão perfeitas, revelaram-se, ainda, tão nobres e delicadas. Colocámos, por isso, também, as mãos um no outro e prometemos um ao outro, sem prometermos nada, que havíamos de descobrir um tesouro juntos. Um no outro.

 
Mas um dia demoraste e quando fui procurar-te encontrei-te ferido, a sangrar do coração um fio de escuridão gelado. Sem forças para levantares os braços e teres gestos, disseste apenas, é quase Natal e tenho um presente para ti. E eu disse, sim, quase natal. Mas eu só preciso da tua vida. E tu, prendeste a alma com os olhos à minha tristeza lavada e disseste, não chores, porque é quase natal e tenho um presente para ti.

 
Levaram-te então para longe, para um sítio onde tomaram conta do teu corpo tão cansado e cheio de pesos mortos vindos de outros dias escondidos num outro lugar teu, e que era preciso tirar de dentro do teu peito. Levaram-te sem perceber que eu ficava deste lado, a não entender, a não saber, a chorar fios de escuridão gelados para dentro do meu próprio coração.

 
Mas há uma coisa que eu sei, é quase Natal e tu tens um presente guardado para mim. E eu que sei tão pouco, mas sei isto, aceito a tua força e a ternura redentora da voz com que sempre me abraças a dizer tem calma. Tudo será como tiver de ser. Só tenho este presente, mas se quiseres, partilho-o contigo”.

 

Virginia do Carmo

 

 

Obrigada querida amiga Virgina por esta deliciosa prenda de Natal.

 

kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

 

Feliz Natal! Aos que acreditam, aos que não acreditam e aos outros…

 

E porque o blogue Na Carteira da Frente é já seguido em 28 países em todo o mundo, venho desejar aos meus seguidores/as um excelente Natal a todos/as. Aos que acreditam no Natal, aos que não acreditam e ainda aos outros! E para ninguém ficar de fora, cá vai:

–  Em Língua Gestual Portuguesa (LGP) e em Braille:

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E agora em:

– Mirandês: Buonas Fiestas

– Albanês: Gëzuar Krishtlindjet
– Alemão: Frohe Weihnachten
– Armênio: Shenoraavor Nor Dari yev Pari gaghand
– Basco: Zorionak
– Búlgaro: Весела Коледа
– Catalão: Bon Nadal
– Coreano: Chuk Sung Tan
– Croata – Sretan Božić
– Dinamarquês – Glædelig jul
– Eslovaco: veselé Vianoce
– Espanhol: Feliz Navidad
– Finlandês: Hyvää joulua
– Francês: Joyeux Noël
– Grego: Καλά Χριστούγεννα
– Inglês: Merry Christmas
– Italiano: Buon Natale
– Mandarim: Kung His Hsin Nien
– Neerlandês: Prettig Kerstfeest
– Norueguês: God Jul
– Romeno: Crăciun fericit
– Russo: S prazdnikom Rozdestva Hristova
– Sueco: God Jul
– Tcheco; Veselé Vánoce
– Turco: Mutlu Noeller
– Ucraniano: Srozhdestvom Kristovym

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Kiss. kiss. Bang, Bang!

 

celmira

 

 

Para ouvir na Consoada

 

 

 

Thank God It’s Christmas

Oh my love we’ve had our share of tears
Oh my friend we’ve had our hopes and fears
Oh my friends it’s been a long hard year
But now it’s christmas
Yes it’s christmas
Thank God it’s christmas

The moon and stars seem awful cold and bright
Let’s hope the snow will make this christmas right
My friend the world will share this special night
Because it’s christmas
Yes it’s christmas
Thank God it’s christmas
For one night

Thank God it’s christmas yeah
Thank God it’s christmas
Thank God it’s christmas
Can it be christmas?
Let it be christmas
Ev’ry day

Oh my love we’ve lived in troubled days
Oh my friend we have the strangest ways
All my friends on this one day of days
Thank God it’s christmas
Yes it’s christmas
Thank God it’s christmas
For one day

Thank God it’s christmas
Yes it’s christmas
Thank God it’s christmas
Oooh yeah
Thank God it’s christmas
Yes yes yes yes it’s christmas
Thank God it’s christmas
For one day

A very merry christmas to you all

 

 

Obrigado Deus É Natal

Oh meu amor nós tivemos nossa parte de lágrimas
Oh meu amigo tivemos nossas esperanças e medos
Oh meus amigos esse foi um longo e árduo ano
Mas agora é Natal
Sim é Natal
Obrigado Deus, é Natal

A lua e as estrelas parecem terrivelmente frias e brilhantes
Vamos esperar a neve fazer esse Natal verdadeiro
Meu amigo o mundo fará parte dessa noite especial
Porque é Natal
Sim é Natal
Obrigado Deus, é Natal
Por uma noite

Obrigado Deus, é Natal, sim
Obrigado Deus, é Natal
Obrigado Deus, é Natal
Pode ser Natal?
Deixe ser Natal
Todos os dias

Oh meu amor nós temos vivido em dias confusos
Oh meu amigo nós temos os caminhos mais estranhos
Todos os meus amigos nesse dia dos dias
Obrigado Deus, é Natal
Sim, é Natal
Obrigado Deus, é Natal
Por um dia

Obrigado Deus, é Natal
Sim, é Natal
Obrigado Deus, é Natal
Oooh sim
Obrigado Deus, é Natal
Sim sim sim sim, é Natal
Obrigado Deus, é Natal
Por um dia

Um Natal muito feliz para todos vocês

 

 

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Será que o Pai Natal existe mesmo? Por Ana Beja

 

“Certo dia, numa conversa com um dos meus alunos, ele perguntava-me:

– Professora, o Pai Natal existe mesmo?

Eu nem queria acreditar no que ouvia!! O Pai Natal existe mesmo?

– Mas tens dúvidas? Achas que ele não existe? – Disse eu muito espantada.

Como era possível, o meu aluno com 6 anos não acreditar na existência do velhinho mais simpático do mundo, quando eu (com esta idade) ainda acredito?

– O Pai Natal existe? Claro que existe! Ele é uma das muitas estrelas do Natal! E sabes porque é que ele existe? Ora ouve…

Tal como maestro numa orquestra, o Pai Natal faz magia nesta época! Ele é responsável pela métrica musical da mais bela sinfonia natalícia! Através da sua batuta mágica, acerta as cordas, as teclas, os sopros, as madeiras e os metais, criando uma melodia fantástica, cheia de ritmo e percussão! Com as suas luzes, cheiros, cores, ele reveste-se de um enorme poder! O poder de nos transformar em crianças outra vez! E é nesse instante que a essência do Natal se materializa: quando entra no nosso coração e nos arrebata a alma!

O Natal é partilha. É amizade. É união…é tempo de estarmos à volta da lareira, de revivermos coisas boas, é tempo de aquecer a alma! E não há nada melhor do que o espírito do Natal para nos unir! Une-nos como um laço, bem grande e apertado.

Ainda acredito no Pai Natal e nem me imagino a pensar de que ele é fruto de um imaginário, bem distante e infantil! Ele é real, presente e assume-se das mais variadas formas na minha realidade natalícia. Entra pela chaminé da minha casa e deixa as prendas no sapatinho. Come as bolachas que deixo na cozinha e apaga a luz quando vai embora. Para regressar no ano seguinte! Com as mesmas tradições, os mesmos cheiros, as mesmas cores…a mesma magia! Com o poder de nos fazer esquecer das tristezas, das mágoas e das coisas menos boas que possam ter acontecido ao longo do ano.

Nunca vou deixar de acreditar no Pai Natal e para aqueles que porventura não acreditem, abram a vossa mente e deixem-no entrar no vosso mundo…vão ver que assim serão muito mais felizes!

 

Será que fui convincente?? Feliz Natal!”

Ana Beja

 

Muito, querida Ana.

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira