Monthly Archives: Novembro 2014

Cair, levantar cabeça e seguir em frente! Custa horrores, mas faz-se!

 

Este é o primeiro sorriso após a hecatombe que tem sido a minha vida nos últimos meses. A paragem obrigatória, tem me feito refletir sobre a minha capacidade de lidar com a dor. Mas, como fica um elástico que se estica até ao limite sem se quebrar? Volta à forma original? Quanto custa travar cada batalha, levantar a cabeça e seguir em frente?

Meus amigos e minhas amigas, custa horrores, mas faz-se! E, assim se define a nossa  resiliência. Contudo, a questão não é assim tão linear, pois existem vários factores que a determinam: a forma como lidamos com a dor e com a perda, ou ainda, a nossa capacidade de, apesar de uma incursão ao inferno do sofrimento, conseguirmos sair dele emocionalmente restabelecidos/as.

Como já perceberam as batalhas de que falo são afetivas. O que nos faz sofrer tanto quando as perdemos, e porque razão temos tanta necessidade de as restabelecer, são questões que John Bowlby (1977) nos ajuda a entender, através da Teoria do Apego. Esta teoria explica a tendência natural dos seres humanos de se ligarem afetivamente, em busca de proteção e segurança. Toda a vida o que procuramos são simplesmente ligações confortantes com alguém (ou algo). O problema instala-se quando um acontecimento põe em perigo esse conforto. As reações são de angústia, dor e stress. A estes momentos chamam os entendidos de, momentos de dor por luto simbólico ou efetivo.

Muito nos assustamos quando ouvimos falar de luto, e não devíamos. Afinal, o luto está tão presente no nosso quotidiano como a vida. Ora vejamos:

Sentimos a dor da perda e o fazemos luto efetivo sempre que passamos pela morte de algum ente querido. E sobre esta questão não há dúvidas.

O ceticismo instala-se quando falamos de luto simbólico. Este, está ligado sobretudo à quebra de expectativas. Enquanto crianças, por exemplo, sentimos dor, quando deixamos de ser amamentados/as, quando deixamos de usar fraldas, ou ainda quando nos separam da segurança familiar na primeira ida à escola.  Durante a vida, a zanga com a melhor amiga, não ir para a faculdade desejada ou a separação do casal, impelem-nos para momentos depressivos de sofrimento e angústia. 

Na área da deficiência, a dor pode estar  ligada ao corte de relações afetivas fortes, que se estabelece, quando um casal está à espera de um filho/a. O diagnóstico significa para os familiares a perda do filho/a desejado, saudável, o filho/a sonhado. Este fenómeno é identificado por Fyher (1985) como um desgosto que, apesar de não ser manifesto, possui uma força que pode afetar toda a existência destas famílias, durante muito tempo e, por vezes, por toda a vida:

“Aquilo foi um…é como ter morrido alguém, é como se o bebé tivesse morrido, o sofrimento que foi. (…) Passavam-me tantos pensamentos pela cabeça, tantas ideias más, sofri tanto. E porque sofri se o bebé estava ali? Porquê?…” (B. – Mãe de uma criança com multideficiência).

O comentário desta mãe deixa clara a questão da dor da perda e da quebra de expectativas.  Afinal, “o filho sonhado”, aquele que povoou os sonhos dos pais não chegou a nascer. Nasceu outro bebé, que precisa de ser amado da mesma forma. 

Aprender a amar a realidade…esta é a grande batalha. Aceitar o diagnóstico, implica pôr de lado as expectativas criadas ao longo da gravidez. E todos sabemos que o fim de um sonho, é um processo difícil e muito lento de gerir, sobretudo, quando o sonho em nada se compara com a realidade. Os pais/mães devem reconstruir esse sonho a partir da realidade, o que implica uma grande estrutura emocional, para se libertarem da dor que a morte do sonho acarreta.

Esta batalha será ganha com o tempo, e a falta de apoio das respostas sociais também não é grande ajuda. Infelizmente, o luto é recorrente, porque todos os dias alguém lembra a esta família que o filho/a que têm em casa, não tem a mesma funcionalidade que os demais. Exemplos não faltam: ou porque estacionam no seu lugar, ou porque em vez de rampas constroem escadas, ou porque a gestão flexível do currículo na escola é uma miragem, ou porque lhe negam o acesso ao emprego e à autodeterminação.

Enfim…

Mas uma coisa é certa, o luto, mais longo ou mais curto, não é um estado. O luto é um processo que tem de ser vivido, permitindo a exorcização de sentimentos e emoções negativas. E isto, só se consegue com muito amor e com muito apoio. Só desta forma será possível pensar na nossa reorganização funcional e positiva. E nessa nossa teia arrastamos a nossa mãe, o nosso pai, o irmão/ã, o avô/ó, amigos/as, colegas… É assim essencial levantar a cabeça e seguir em frente, caso contrário,  permanecerão sentimentos mal resolvidos, angústias tóxicas, que terão óbvias e sérias consequências na nossa qualidade de vida e na qualidade de vida de toda a nossa família e relacionamentos (pessoais e profissionais).

Conheço lutos que nunca se completaram e nunca se chegaram a fazer. Conheço vidas que ficaram para trás, perdidas, vazias, de quem nunca superou a quebra de um laço afetivo! 

Mas se as dores não se comparam as formas de luto também não. As dores são diversas e corrompem a alma de quem as sente. O luto é vivido de forma particular e muitas vezes em prisão perpétua à espera de liberdade condicional. Achamos sempre que a nossa dor é maior que a do outro. Os meus amigos/as dizem que sou um caso de estudo. Considero sempre a minha dor tão menor, comparada a tantas que conheço. 

E para os mais céticos, aqueles/as que apenas me conhecem “por fora” e tecem as suas teorias, sobre a minha aparente “vida bem sucedida”, cheia de sucessos e sorrisos e, com isso, pondo em causa tudo o que defendo, apenas digo: eu sei bem o que é a dor e o luto. Simbólico e efetivo. Já perdi os maiores amores da minha vida que eram os meus dois avós paternos, perdi recentemente uma das minhas melhores amigas, perdi entretanto um aluno com autismo que era como um filho e perdi em Julho passado o meu pai. Perco diariamente lutas infindas com a falta de apoios do estado a centenas de famílias na Associação Leque. E… já tive dois AVCs, uma Septicemia e fui alvo de uma Intervenção Cardíaca a um FOP. Tudo nos últimos anos 3 anos. Acham que não sei o que é a dor? Acham que não sei o que é refazer expectativas? Reaprender a viver! Sei! Mas também sei que é preciso ir buscar forças não sei onde, levantar a cabeça e seguir em frente! Custa horrores, mas faz-se!

É preciso ir de sentimento em sentimento, de lembrança em lembrança, até deixar passar a dor e aceitá-la. E aos poucos, as fases de maior angústia passam dar lugar a períodos mais calmos e serenos. E e aí ouvimos:

Quando consigo um sorriso dele, já ganhei o dia” (Mãe de um jovem com deficiência).

E é o quanto basta.

O meu segredo para levantar a cabeça e seguir em frente materializa-se na frase de Clarice Lispector, “Um amigo chamou-me para cuidar da sua dor, guardei a minha no bolso. E fui“!

Descentrem-se… Funciona! 

 

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

 

Nota/  Informação retirada do Livro: “Escola de Pais.NEE- Guia de Formação Parental no âmbito das NEE”. À venda na Associação Leque.

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Bibliografia: Bowlby (1977, 2001); Franco (2001); Kubler – Ross (1975) e Kovács (2002); Walsh & McGoldrick (1998)

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Gratos & Gritos de Paulo Cardoso

 

Paulo Cardoso é um amigo que tive o prazer de conhecer no universo das Associações de Pais e da CONFAP. Lancei-lhe o repto de gritar comigo neste blogue, sobre os assuntos que lhe estivessem encravados na alma.

Este foi o resultado:

“Gratos e Gritos é sem dúvida a busca de um equilíbrio entre a gratidão e o desespero. Estaremos gratos por tanto desespero ou estaremos desesperados por não existir gratidão? No meu ponto de vista, estamos desesperados por não poder existir gratidão por aquilo que não temos, senão vejamos:

Numa sociedade que se diz INCLUSA, temos crianças com NEE’s em casa a aguardar apoios estatais para que possam efetuar as suas terapias diárias de elevada necessidade para o seu bem estar e aprendizagem numa sociedade caricata e despreocupada com o futuro dessas crianças sem resposta.

Temos crianças com necessidade de fisioterapia diária, que tem que ser efetuada em clínicas privadas, pois o estado não tem os meios necessários para as tratar fisicamente. Essas terapias que o estado não tem, não garante e não quer saber, são terapias que não sendo comparticipadas, são extremamente caras para os pais, tendo estes que recorrer a pessoas com muito boa vontade que se disponibilizam a organizar eventos, em que os preços das entradas e donativos revertem a favor dessas crianças especiais.

Mas será que era preciso chegarmos a esse ponto?

Eu digo que não, pois a gratidão que estes pais espelham de cada vez que são presenteados com estes eventos, baixam os tons dos seus gritos em favor daqueles que voluntariamente comparticipam com o seu dinheiro em prol da melhoria do futuro dos seus filhos. Contudo não nos podemos esquecer que estes voluntários estão já a comparticipar pela 2ª vez no apoio a estas crianças, senão vejamos: Como todas as pessoas que trabalham, descontam no final do mês para a segurança social para assim poderem ter direito á assistência médica e social que está prevista constitucionalmente e gratuitamente.

Num país que se diz democrático, deve existir a equidade social e não parcial.

Quem vive e presencia diariamente estes dramas sociais com estas crianças e jovens, só poderá gritar por ajuda e compreensão para com aqueles que neste momento não têm voz e que nalguns casos não têm nada.

A única coisa que me apraz dizer é que, quando Deus escolheu estas crianças para serem CRIANÇAS ESPECIAIS, escolheu também os pais, para serem PAIS ESPECIAIS.
Vamos todos GRITAR por EQUIDADE e INCLUSÃO, ajudando a CRIAR uma sociedade mais JUSTA e AMIGA de TODOS, para que no fim possamos estar GRATOS pelos objetivos alcançados, andando na rua com a consciência tranquila de que tudo fizemos, ou fizemos a nossa parte para um mundo mais JUSTO e IGUAL, independentemente da raça ou religião, mas sim por uma PARTILHA de conhecimentos e desenvolvimento social que valha a pena acreditar e passar aos nossos filhos e netos uma herança positiva daquilo que foi a nossa permanência terrena.

Obrigado. Paulo Cardoso”

 

Eu é que agradeço Paulo pela sua colaboração. Bem-Haja!

Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

Eu Mecenas me confesso…

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Numa das habituais passagens pelo facebook, tropecei num texto sobre as as vantagens do Mecenato (Nuno Rodrigues). Claro está que me despertou logo  a atenção, não tivesse eu esta ligação quase umbilical com  o Terceiro Sector.

As organizações do Terceiro Sector produzem constantemente (e bem) um marketing de responsabilidade social, junto da comunidade e do tecido empresarial envolvente. Sentimos (quem se sente) sempre muito impelidos a ajudar quem precisa. As razões podem ser várias, mas acredito que o fazem(os) porque nos sentimos bem com isso. E, enquanto tivermos essa boa vontade (o recurso natural mais importante do nosso tempo), estamos bem. E estão bem as organizações do Terceiro Sector, assim como todos os que beneficiam das suas respostas.

Questiono-me muitas vezes como voluntária na Associação Leque sobre como se agradece ou reconhece o apoio, a parceria, a disponibilidade, a vontade dos voluntários/as ou até o investimento ou donativo de Mecenas? Podemos chamar ao voluntário um mecenas? Afinal dá à sociedade e à respectiva causa, o que existe de mais valioso possuí: o seu tempo. No entanto este assunto, ficará para uma reflexão posterior.  O que me traz aqui hoje é uma reflexão diferente.

Continuando: como se agradece a boa vontade de ajudar? Ou será que a responsabilidade social das empresas e dos cidadãos não se agradece? A solidariedade pode ser um investimento para as empresas?

Para responder a estas questões devemos pensar bem na cultura se instalou à volta do Terceiro Sector. Que representações sociais, se foram tecendo? Do meu ponto de vista, as mais redutoras. Está instalado, e veio para ficar, o quadro da caridadezinha e do assistencialismo. Sinto que em muitos meios, a cultura do retorno social, do empreendedorismo e da autossustentabilidade são olhadas de soslaio e sem a seriedade devida e justa.

O que motiva este olhar e o que o condiciona, são assuntos que davam para escrever vários livros e eu não me quero alongar.  Certo é que, esta cultura está mórbida e vai ter de sucumbir, dando lugar a uma transformação e a um update social no Terceiro Sector.  O tecido empresarial, de forma gradual, tem vindo a mudar a sua cultura dentro do apoio que presta às Organizações do Terceiro Sector. O Investir, em vez de subsidiar parece estar a ganhar pontos,  instigando as Organizações Sociais para níveis de responsabilidade, transparência e pró-atividade na dinamização de projetos que se auguram autossustentáveis a médio e longo prazo.

Mesmo acreditando na pró-atividade das Organizações, não posso de deixar de defender que se deve dar o devido retorno (e valor) a quem nos ajuda a ajudar: Os Mecenas, os Investidores Sociais, a Sociedade Civil! Sim, porque na fase difícil em que se encontram muitas empresas (e famílias), querer ajudar é um ato de extrema boa vontade. E as Organizações Sociais, jamais conseguiriam concretizar os seus projetos, pela falta de capital interno ou pela dificuldade no acesso ao financiamento.

Facilmente percebemos a dialética neste processo, as Organizações Sociais precisam dos apoios do sector privado, pois todos sabemos nesta questão o estado pode tornar-se bastante omisso. Da mesma forma, as empresas precisam de operacionalizar as suas áreas de Responsabilidade Social.  Asim sendo, porque não tornar esta relação, num casamento perfeito e considerar a solidariedade um investimento?

Fica ao critério de cada um saber quais motivações para o exercício da solidariedade, nem me cabe a mim julgar isso, mas uma coisa é certa, as vantagens em ser solidário são imensas. Acredito que o retorno do que se dá nunca poderá ser mensurável em termos humanos. Pelo menos para mim. Por outro lado, os normativos legais reconhecem aos mecenas um conjunto de vantagens que interessa analisar:

  1. Maior valorização social e humana;
  2. Melhor imagem institucional ou pessoal;
  3. Permite mostrar-se como parte ativa da sua comunidade;
  4. E ajuda nas finanças, ou seja dá benefícios fiscais – redução do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas (IRC) e das Pessoas Singulares (IRS).

Todas estas razões, ou cada uma delas em particular, parecem-me bastante sedutoras. Seja qual for a sua vontade ou intenção, e já que estamos numa época do ano que nos faz questionar de forma quase romântica os valores solidários, faça a sua boa ação e dê! dê porque lhe apetece e porque o/a faz sentir feliz. Dê tempo, amor, disponibilidade. Dê coisas e loisas. Dê o que não precisa. Dê o que tem e o que não tem, mas dê! Distribua-se, multiplique sorrisos!

Tenha é sempre consciência que existem  reais vantagens em dar! Nem que sejam os tais benefícios fiscais!

Para finalizar o texto, deixo-vos com excertos do texto de Nuno Rodrigues (nuno_rodrigues@sapo.pt), autor do texto que vos falei, sobre as vantagens fiscais do Mecenato e a sua ligação ao Marketing Empresarial:

“Na contabilidade de uma empresa, na medida em que o donativo seja devidamente documentado, o Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF) permite deduzir à matéria colectável até determinada percentagem acima dos 100 %, dependendo de vários factores. O que é bastante proveitoso, porque é menos que se paga de impostos e é aplicado diretamente no que nos interessa.

 Mas podemos ser mais ambiciosos. Podemos pensar em aproveitar as vantagens fiscais, para desenvolver uma estratégia bem pensada em proveito do nosso negócio. Se enquadrarmos os alvos do nosso marketing nas entidades ou actividades a quem fazemos donativos, podemos procurar, nesse âmbito, as que têm o estatuto jurídico mais favorável para a dedução fiscal, que são as fundações e associações com estatuto de utilidade pública e as IPSS.

 Ao fazer-se um donativo a uma pessoa, a um projeto de alunos de uma escola, ou a uma instituição de solidariedade, por exemplo, a empresa beneficia com a boa imagem daí resultante e junta a sua estratégia de marketing ao que vai descontar no imposto sobre lucros a pagar.

 É por tudo isto, que vale a pena investir algum tempo a pensar como otimizar a utilização do mecenato, e pensá-lo conjuntamente com a estratégia de marketing”.

Como vê, razões de sobra para ser solidário!

 Kiss, kiss. Bang, bang!

celmira

10 Erros comuns que os pais e mães cometem. Aprenda aqui a superá-los!

Pai/mãe, está preparado/a para o desempenho de Funções Parentais? Neste artigo pretendo refletir convosco sobre os 10 erros mais comuns que se cometem no exercício da parentalidade.

Quem conhece o meu trabalho sabe que eu defendo a formação parental. Tal como defendo que ninguém nasce ensinado para desempenhar com rigor e maestria o papel de pai ou mãe. Muito gente fá-lo de forma intuitiva, fá-lo muito bem! Outros porém, não têm essa mesma sorte e cometem alguns erros, que no futuro podem ter consequências desastrosas. É normal que os pais/mães não saibam por intuição, como atuar corretamente em diferentes situações (principalmente na área das necessidades especiais), sendo por isso fundamental, que se formem no sentido de optimizarem as suas competências parentais.

Sabemos hoje que os contornos da parentalidade não se esgotam nos laços de sangue. Muitas vezes damos connosco a ser pais ou mães de filhos que não são os nossos, ou a ter dos filhos/as de amigos/as, colegas de trabalho e muitas vezes mesmo até de alunos/as. Uma coisa é certa, quando assumirmos um papel parental, tenha ele a estrutura que tiver, o mínimo que se espera é que o façamos bem.

Parece-me assim consensual que muito se pode aprender sobre a questão, mas também é verdade que só se aprende a educar, educando. Os bons pais/mães não nascem, fazem-se, constroem-se. Aprender a ser um bom pai ou uma boa mãe pode ser uma tarefa árdua, mas com certeza admirável e muito gratificante.

Para já, e no sentido de vos ajudar na reflexão das vossas funções parentais, deixo-vos algumas dicas sobre  os 10 Erros mais comuns que os pais e mães cometem no dia-dia e algumas estratégias de como os podem remediar.

10 Erros mais comuns que os pais e mães cometem:

1. Dar prioridade às suas necessidades/interesses, ao invés de as dar à criança;

2. Atribuir ao comportamento da criança motivações próprias de um adulto;

3. Não interagir com a criança na presença de profissionais, professores ou terapeutas (talvez por medo de insucesso);

4. Não saber como brincar com a criança;

5. Ter um reduzido conhecimento sobre os cuidados a ter com uma criança;

6. Ser demasiado punitivo/a ou ter medo de disciplinar;

7. Ser hiper exigente ou pelo contrário negligente (super protetor)  na educação para a autonomia;

9. Não saber dizer não;

10. Achar que o brincar não é importante.

 

Cometeu grande parte destes erros? Não desanime! O facto de continuar a ler este artigo, já é indicador que é um pai/ mãe extraordinário, e quer ser ainda melhor! Uma característica que pode distinguir os pais/mães bons, dos pais/mães brilhantes (Augusto Cury) é a capacidade de pedir ajuda e assumir que se tem ainda muito para aprender.

Considere o “Na Carteira da Frente” como esse espaço, onde todos se sentem livres para ter duvidas, partilhar estratégias,  e sobretudo aprender mais. E não se esqueça de uma coisa: não há receitas! O que funciona com o  filho/a da vizinha, pode não funcionar com o seu filho/a, mas sempre pode tentar e conseguir a formula certa da tão almejada parentalidade positiva! E se encontrar, partilhe aqui! 

Estratégias que o transformarão num pai/mãe pró:

1. Dedique tempo a identificar o que já sabe sobre funções parentais. Se sabe pouco procure informação;

2. Reflita sobre como foi educado. Estabelecer a ligação entre os seus sentimentos, tanto positivos como negativos, e o modo como atua, facilitará a relação com o seu filho/a;

3. Concentre-se em perceber e responder no momento, aos sinais que a criança dá (a seu tempo falarei aqui se sinais de alerta);

4. Procure informação sobre o  nível de desenvolvimento atual do seu filho/a;

5. A boa relação entre pais/mães e os profissionais é um excelente ponto de partida, para que juntos prepararem um desenvolvimento harmonioso das crianças. Partilhe  experiências de vida em relação ao que é ser pai/mãe, as dúvidas e problemas com os professores/as ou terapeutas;

6. Garanta ao seu filho/a um desenvolvimento harmonioso, securizante, tranquilo e rico em estímulos emocionais e situações afetivas constantes;

7. Aposte na consolidação da maturidade, autonomia e desenvolvimento da personalidade;

8. Transmita de valores sólidos  que o guiarão ao longo da vida;

9. Ajude-o a crescer com uma boa estrutura emocional. Elemento vital para enfrentar as diversas dificuldades pelas quais certamente passará ao longo da vida.

 E transforme-se num pai BRILHANTE!

Ajudou?

 Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

Nota/  Informação retirada do Livro: “Escola de Pais.NEE- Guia de Formação Parental no âmbito das NEE”. À venda na Associação Leque.

 livro 2

Pais brilhantes não formam heróis!

A minha mensagem de domingo para vocês!

“Pais brilhantes não formam heróis, mas seres humanos que conhecem os seus limites e a sua força” (Augusto Cury, 2007).

Foto: http://prorunning.com.br/wp-content/uploads/2011/06/787878787.jpg

Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

O segredo dos filhos/as felizes

Hoje vamos falar de felicidade. O seu filho/a é feliz? Qual será o segredo da felicidade dos seus filhos/as?

A Manuela é uma amiga de longa data, o filho, Hélder tem 23 anos e tem Esclerose Tuberosa. A pergunta que vos faço é a mesma que lhe fiz. A resposta, emocionante.

O meu filho é feliz, à sua maneira, mas é feliz. Ele não o diz por palavras, porque não fala, mas demonstra-o com o seu olhar e o seu sorriso. Desejo,  sinceramente, que todos os pais/mães destas crianças /jovens especiais, encontrem no olhar dos filhos, a felicidade e a tranquilidade que, por sua vez, fazem estes pais/mães felizes e realizados. Eles são de facto diferentes e isso torna-os ainda mais especiais” (Manuela Gomes, Bragança).

Esta resposta é muito comum entre as famílias com quem me cruzo no mesmo universo da Associação Leque. Curiosamente, o mesmo não posso dizer de muitas outras famílias que também conheço. Falta sempre alguma coisa: Está tristíssima, não tem a roupa da Violeta!; Anda enervado porque quer um Iphone como o do colega!;  Fez uma birra porque quer as sapatilhas da Nike! 

As pergunta são óbvias: como lidam hoje as crianças e pais/mães com tanta frustração?!!! Qual o segredo para a felicidade? Existe um? Qual será o do Hélder?

Já agora pensemos, no que querem, como vivem, o que sentem os milhares de Hélderes, Fábios e Marias com necessidades educativas especiais (NEE)? Para eles importa a marca da roupa? Ou o telefone de última geração? De que depende o seu sorriso?

Quem trabalha na área da educação ou na área social, convive diariamente com todo o tipo de pessoas e com todo o tipo de problemas. Acabamos por ser testemunhas do seu desânimo aprendido, que começa pela falta de apoio social; dificuldade na aquisição de ajudas técnicas; na burocracia na Segurança Social; o lugar ocupado no estacionamento do carro; o olhar de misericórdia (perfeitamente dispensável) diante das estereotipias; ou simplesmente a ignorância das (outras) capacidades desde cedo na escola.

Não terão razão para mais GRITOS e menos momentos GRATOS de felicidade? Temos boa vontade, mas continuamos sem lhes dar as mesmas oportunidades… só por que lhes falta algo (pensamos nós). Algo que nós temos de sobra (também pensamos nós): a boa (e falsa) pretensão em sermos mais. Mais inteligentes, mais produtivos no emprego, mais funcionais… 

E mais felizes somos? Já que supostamente somos tudo e temos tudo? Felizes como já vi muitos Hélderes, Fábios e Marias?

As suas particularidades fazem com que vejam com o coração. Cada vez duvido menos que o essencial é invisível aos olhos. Os Hélderes, Fábios e Marias que tenho vindo a conhecer, vêem mais longe que nós. Percebem o alcance das nossas ações, antes ainda de acontecerem. Vêm-nos! Sentem-nos! Amam-nos! Vivem cada pormenor da vida com a alegria que só os seus olhos conseguem espelhar. Rebolam a rir de contentamento apenas com a presença de quem amam.

E Nós? Também somos assim?… Eu pelo menos gostava que fosse assim, simples!

Sabem porque é que os Hélderes, Fábios e Marias são muito mais felizes? Porque SER, é o quanto lhes  basta. Este é o segredo. Para nós (os outros/as) o importante é TER, muito, sempre, desenfreadamente…

Com certeza temos de mudar a forma como nos educamos e educamos enquanto cidadãos.  

De facto o conceito de cidadania espelha as questões do SER: “pessoas responsáveis, autónomas, solidárias, que conhecem e exercem os seus direitos e deveres em diálogo e no respeito pelos outros, com espírito democrático, pluralista, crítico e criativo, tendo como referência os valores dos direitos humanos” (M.E.), mas onde se está a perder a mensagem?

Viver em cidadania não tem de ser uma miragem, divinamente escrita em qualquer lugar que se pretenda politicamente correto. Pode ser o rosto de uma sociedade que se reja (ou esforce por reger) por valores sólidos de Ser Mais: Ser mais verdadeiro; Ser mais justo; Ser mais solidário. Onde não haja mal em SER diferente.

Curioso, vamos daqui à China ver um planta “xpto” que é diferente e rara, depois, afastamo-nos dos nossos pares por serem eles diferentes. O que nos assusta na diversidade humana? A felicidade simples? Só se for isso…

E você é feliz? E o seu filho/a é feliz? Qual o segredo para a sua felicidade? Partilhe aqui o que faz disparar o seu PIF (Produto Interno de Felicidade).

Um abraço solidário aos Hélderes, Fábios e Marias.

 Kiss. kiss. Bang, Bang!

celmira

15 Passos para melhorar funcionamento da sua Organização (Garantido!)

As próximas linhas refletem a minha visão sobre a emergência de novos Modelos de Negócio Social.  Modelos de Organização seculares e bafientos, que teimam em não querer evoluir, põem em causa a sua sobrevivência e sustentabilidade, e pior, condenam as organizações homólogas a representações sociais igualmente medíocres.

Na verdade, o nível de satisfação das famílias relativamente à rede de apoio social formal, é assustadoramente baixo. Escasseiam respostas sociais; a responsabilidade do estado é omissa e muitas vezes inexistente; não há uma cultura de inclusão educativa, social ou laboral; as organizações não partilham as tomadas de decisão com os pais/mães ou beneficiários/as; ou os serviços prestados são de qualidade duvidosa. Enfim…

Certo é que, a máxima do “nada de nós sem nós” ganha agora todo o sentido e deve ser prática corrente no Terceiro Sector, pois nele encontramos pessoas capazes, proativas e informadas.

No decorrer do tempo partilharei exemplos de boas práticas nas organizações nesta área (que os há), mas para já, deixo-vos com algumas dicas que, na minha modesta opinião, definem o novo paradigma de funcionamento e organização do Terceiro Sector e da qual a Associação Leque é pioneira.

LEQUE

 

 

1. Os nossos problemas, as nossas soluções. A Organização dá resposta aos problemas identificados pelas famílias e pessoas que dela beneficiam? Na Leque esta identificação resultou de um levantamento sobre as necessidades das famílias do distrito de Bragança, no âmbito da minha tesse de doutoramento (2006 a 2013).

2. O exemplo começa de cima. A Direção tem uma visão humana e científica rigorosa sobre a deficiência, o envolvimento familiar e a economia social? Na Leque todos os elementos da equipa (famílias, funcionários/as, voluntários/as, técnicos/as e órgãos sociais) consolidam esta mesma visão, através da formação.

3. Transdisciplinaridade da Equipa. A sua organização trabalha ainda de forma multidisciplinar? As famílias e os beneficiários/as fazem parte da equipa? A Associação Leque é das poucas IPSSs do país a trabalhar seguindo o Modelo Transdisciplinar.

Neste modelo, as Famílias, Beneficiários/as, Órgãos Sociais, Auxiliares e Técnicos/as constituem uma equipa coesa e com pesos simétricos nas tomadas de decisão. Nesta equipa todos são formadores e formandos. Os papéis diluem-se e as competências edificam-se num trabalho de equipa conjunto que vai da avaliação à intervenção.

 4. Premiar o mérito. A sua organização valoriza a competência e o perfil humano? Vamos ser sinceros, nem toda a gente tem perfil para exercer funções na área social. Se for o seu caso (dirigente ou funcionário/a), faça um favor a si mesmo: vá trabalhar para outra área se não se apaixonar pelo Terceiro Sector.

 5. Liderança forte. O líder da sua organização cumpre os princípios de Delors? Saber saber (ter conhecimento), saber fazer (ter capacidades de operacionalizar esse conhecimento), saber estar e saber ser (ter atitudes pró-inclusivas e solidárias). Estes pilares são determinantes numa liderança de sucesso. Uma dica: um líder no terceiro sector não pode, nem deve, ceder a pressões (políticas, ou outras). Afaste-se da liderança, quando não tem condições para separar  a política da solidariedade.

6. Não fazer mais do mesmo. A sua instituição depende maioritariamente de subsídios do Estado? Na Leque apostamos na inovação dos serviços e projetos de empreendedorismo social autossustentáveis. Este é o futuro das organizações do Terceiro Sector.

7. Rentabilizar os recursos da rede comunitária. A sua organização tem uma cultura de otimização de recursos? Na Leque os recursos da comunidade são partilhados. Essa partilha vai desde os transportes aos técnicos, passando pela compra de material de desgaste em rede, para reduzir os custos. Este é um princípio basilar para a evolução das instituições do Terceiro Sector.

8. Acreditar na rede de parcerias e dos seus benefícios. A cultura da sua organização baseia-se apenas em receber? As organizações do Terceiro Sector também podem dar. Aliás, dar e receber tornam as relações institucionais mais saudáveis.

 9. Elogie organizações homólogas. Não há nada pior do que criticar a Associação do lado sem a conhecer. O que diz isso de nós? Primeiro, procure conhecer de fundo como funciona, depois, e se mesmo assim, acha que não estão a fazer um bom trabalho, proponha-lhes soluções. Sobretudo não se isole, ganhamos todos quando trabalhamos em rede e com um objectivo comum.

10. Não ter medo de avaliar. A sua organização aposta numa filosofia interna de melhoria contínua? Avaliar as práticas internas da organização promove o seu crescimento (entre outras formas de avaliação leve a sério o conceito da Análise SWOT).

 11. Plano de Comunicação. Que mensagem passa a sua organização? Já pensou nisso? Como quer que vos vejam? Como um problema ou como uma solução? Na Leque centramos a mensagem nas forças e oportunidades na Associação. Queremos passar uma mensagem que reflita a qualidade dos nossos serviços.

12. Medir o Impacto Social (SROI). A sua organização mede o impacto social? É imprescindível que os parceiros/investidores/ mecenas, percebam que a aposta na vossa organização não se irá circunscrever a 20 ou 30 pessoas, mas que muitas mais irão beneficiar destas respostas e o retorno social será exponencial. E na verdade, é isso que acontece, não se esqueça dos beneficiários indiretos.

13. Transparência financeira. A sua organização tem contabilidade organizada e disponibiliza relatórios de contas? Por movimentarem recursos públicos e privados, as organizações sociais devem oferecer aos seus stakeholders/parceiros/mecenas, informações confiáveis e claras, sobre os recursos alocados e que permitam uma validação das suas ações.

14. A institucionalização deverá ser o último recurso das famílias. Em que acredita a sua organização? Aposte em respostas sociais que promovam antes a inclusão social e laboral dos seus beneficiários/as.

 15. Produza um marketing positivo dos seus beneficiários/as (utentes ou clientes, como lhe preferir chamar). Se nós que estamos dentro das organizações não acreditarmos na autodeterminação, autonomia e inclusão desta população, quem o fará?

 

Percebem agora quando digo que a Leque é “uma lufada de ar fresco no Terceiro Sector”?

Acredito que existam inúmeras  dicas que farão a diferença no sucesso das organizações, fico à espera das vossas sugestões para melhorar este artigo. Certo?

Até à próxima!

Kiss, kiss . Bang, bang!

celmira

Escola de Pais.NEE: A surpreeendente verdade sobre formação e eficácia parental

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Qual será o papel da formação na eficácia parental? É uma realidade ou utopia? Bem, vou contar-vos a minha experiência e vocês dão a resposta.

Em Portugal são ainda escassos os programas de Formação Parental devidamente estruturados. A literatura neste campo leva-nos até Thomas Gordon (1970), autor de um dos primeiros e mais conhecidos programas de Formação Parental. Gordon imortalizou a expressão que acabei por adotar neste Blogue“Parents are blamed but not trained” (Os pais são culpabilizados, mas não treinados).

Gordon pretendia fazer chegar a mensagem de que, muitas vezes, se atribuía aos pais/mães a responsabilidade pelas problemáticas dos filhos/as, quando, na verdade, nada era feito para os apoiar nessa tarefa. Defendia, assim, o treino de competências parentais como forma de colmatar problemas identificados na família.

Quis seguir as premissas de Gordon e iniciei em 2000  a caminhada da formação parental, altura em que comecei a desenvolver uma relação de proximidade com famílias de Pessoas com Necessidades Especiais (deficiência ou incapacidade, como preferirem dizer, mas não se esqueçam que a deficiência não define a essência humana, logo, a pessoa vem sempre primeiro), em contexto profissional e pessoal.

Na última década acompanhei inúmeras famílias, vivi com elas a sua luta, as suas necessidades, as dificuldades,  as lágrimas, mas também as alegrias por que passam no quotidiano. Percebi que, muitas vezes, mais do que outro motivo qualquer, a falta de (in)formação sobre a nova fase das suas vidas (que identifico aqui momento do conhecimento do diagnóstico), funciona como uma barreira  ao seu bem-estar físico, social e emocional. Por este motivo, e no âmbito da minha tese de doutoramento, construí, aquele que viria a ser o primeiro Programa de Formação Parental em Portugal, específico para esta população.

A inovação deste programa assenta, quer no público-alvo a quem se destina, quer nas áreas curriculares que desenvolve:

  • I. Educação para a diferença (desconstrução de mitos associados a esta população);
  • II. Educação emocional (programa de educação emocional que pretende trabalhar o luto e a gestão emocional positiva dos cuidadores/as);
  • III. Educação parental (reforço de estratégias para uma parentalidade positiva).

Em 2008 implementei o primeiro curso de formação parental “Escola de Pais.nee”, com um grupo de 20 formandos/as em Bragança. Até hoje, já foram “formados” mais de 300 pais/mães/cuidadores/as, de todo o país, com comprovados resultados positivos do ponto de vista científico (aumento das competências parentais, da autoestima, no nível de esperança, das competências emocionais, sociais e educativas …).

Apesar de se denominar “Escola de Pais.nee” este curso de formação, não assume uma visão reducionista do currículo, numa perspetiva tradicional de ensino. Pelo contrário, edifica-se numa vertente assente na partilha entre pares, reflexão e debate de temas importantes para esta população.

O resultado desta experiência enriquecedora, traduz-se agora num livro. O “Escola de Pais.nee – Guia de formação parental no âmbito das necessidades especiais”, é um guia para quem necessita de formação extra para lidar com a diferença, a nível pessoal, social e profissional.

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Atenção! Este livro não é uma obra literária, tampouco sou uma escritora credenciada, apenas quis partilhar este saber.

 Acredito porém, que possa ser um recurso importante, tanto para as famílias como para os técnicos e sobretudo para a comunidade, pois edifica-se em dois pilares essenciais: primeiro, dá a conhecer o percurso das famílias desde o diagnóstico, analisando todos os factores que de alguma forma facilitam ou condicionam a aceitação ao longo da vida. Segundo, mostra aos pais/mães que é possível reestruturarem-se emocionalmente, sobretudo através da formação, da frequência de grupos de ajuda de pais/mães para pais/mães e da criação de redes na comunidade.

Voltemos à questão inicial: a formação tem o poder de promover a eficácia das famílias? Na verdade, desconheço  se todas as formações terão este efeito, posso apenas ter como prova esta, que cientificamente falando, promoveu uma verdadeira capacitação familiar. Após esta formação, centenas de famílias uniram-se para a criação de respostas sociais no interior norte, numa área parca em recursos. Assim nasceu a Associação LEQUE  em Alfândega da Fé.

A reflexão sobre o impacto positivo desta formação, foi o mote para a vontade de partilhar com a comunidade esta experiência, para que outras famílias pudessem ter acesso a esta (in)formação.

Nunca se esqueçam que pessoas (in)formadas e pró-ativas são uma poderosa arma de pressão política e comunitária: uma sociedade muda, nada muda!

Quer saber mais?

O livro encontra-se à venda nas principais livrarias, mas pode encomendá-lo através do geral@leque.pt, aqui as receitas revertem integralmente para  a Associação.

Kiss, kiss… Bang, Bang!

celmira

I am the Messenger

Estimados/as amigos/as

Dou-vos as boas vindas ao “Na Carteira da Frente”,  o meu novo blogue pessoal.

Este é um espaço de reflexão e partilha de informação sobre uma miscelânea  de assuntos centrados sobretudo, na intricada rede das vivências familiares, na difícil e penosa vida do terceiro sector, e por fim, nas emoções e motivações que os temas anteriores seguramente despoletam.

E por falar em motivações, quis a vida que me cruzasse, pessoal e profissionalmente, com pessoas diversas e cheias de vidas para contar: dos maiores aos mais pequenos, dos mais sábios aos menos sábios, dos mais fortes aos mais enfraquecidos, dos mais capazes aos menos capazes, mas com todos aprendi que existe uma “linha que separa os super-heróis dos coitadinhos” (Mafalda Ribeiro), e que cada um de nós pode ser essa linha.Para isso, basta que nos sentemos na carteira da frente, sem medos, preconceitos ou limitações, mas com muita vontade de multiplicar, inovar, aprender e partilhar,  em todas as áreas das nossas vidas.

Na verdade, foram estas pessoas que me tornaram naquilo que pretendo ser, e me impulsionaram na luta pelo exercício dos seus direitos e deveres. A (in)formação é um deles.

E porque sempre acreditei que o nosso crescimento depende da nossa capacidade de ser, estar, saber e fazer da vida do outro a nossa, assumo este projeto como uma mensageira, que tem como missão expor ao mundo as especificidades do tortuoso, e ao mesmo tempo virtuoso, caminho que vai do luto à luta.

Crescermos juntos/as? Sente-se comigo “Na Carteira da Frente“!

Kiss, kiss. Bang, bang!

Celmira Macedo

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